sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Gary Oldman


É um dos actores mais versáteis da história do cinema. Encarna todo e qualquer tipo de papeis sempre com a mesma genialidade. Encarnou desde personagens históricas a homens excentricos, sempre convencendo tudo e todos do seu enorme talento. É provavelmente o actor mais sub-estimado da sua geração. Um pecado que ainda vai a tempo de ser remediado...

Gary Oldman traz em si toda a chama dos actores britânicos aliado a uma versatilidade tipicamente norte-americana. É o homem dos sete oficios. Já foi vilão, heroi, politico, compositor, musico e feiticeiro. Mas sempre com o mesmo toque de génio.

Nascido a 21 de Março de 1958 em Londres, Leonard Gay Oldman é o fiho tipico de Londres. Os pais eram gente humilde e Oldman só entrou mesmo numa fase avançada da sua aprendizagem como actor graças a uma bolsa de mérito. Foi então que no Rose Bruford Drama College começou a dar azo a todo o seu talento. Em 1979 recebeu um prémio de alto mérito pelos progressos desenvolvidos. Passou para o Greenwich Young People's Theatre onde começou a representar de forma continua. Daí até saltar para os teatros do East End foi um instante. Em 1985 venceu o Prémio Revelação e Prémio Melhor Actor do teatro londrino pela peça The Pope´s Wedding. Estava a hora de provar o seu valor no cinema.


E para primeiro papel nada como a mitica personagem da cena musical Sid Vicious no filme Sid and Nacy. Estavamos em 1986 e esta seria a primeira personagem histórica que iria encarnar de forma tão convincente que já não imaginamos a mesma personagem interpretada por outro actor.
Depois foi Joe Orton, o conturbado dramaturgo gay britânico em Pick Up Your Ears, ao lado de Alfred Molina, em 1987. Seguiram-se excelentes desempenhos em Track 29, Criminal Law, Chattachochee e Rosencratz and Guilderstern are Dead, filmes de 89 e 90. Era uma fase boa para Oldman que se começava a afirmar entre os demais. Antes de saltar para a fama como Lee Harvey Oswald, no mitico filme de Oliver Stone, esteve em estado de graça em State of Grace - notável performance ao lado de Sean Penn e Ed Harris - e ainda em Heading Home.
Mas foi de facto JFK que o catapultou para a fama. A viver o suposto assassino de presidente Kennedy, Oldman é uma das peças fortes do filme sem nunca ser demasiado extravagante. A sua omnipresença reforça ainda mais a sua poderosa interpretação. E a fama ali tão perto.


E depois de ser Oswald não há nada como viver Dráculo. Foi isso que Oldman pensou quando aceitou o convite de Francis Ford Copolla para ser a estrela do seu mais recente filme, The Bram Stoker´s Dracula. Um papel intenso, como habitual, e cheio de profundidade dramática, ou seja, tipico de um filho dos palcos.
Em 1993 Oldman fez apenas Romeo is Bleeding, filme sobre o sub-mundo da policia e as suas relaçoes com a mafia.
O ano seguinte provou no entanto ser o melhor da sua carreira.
Primeiro foi Stansfield, a nemesis de Jean Reno no sucesso de Luc Besson, The Professional. E nesse mesmo ano conseguiu o seu maior desempenho de sempre - e um dos mais portentosos da década - ao viver o compositor Ludwig von Beethoven no inesquecivel Imortal Beloved. Um desempenho marcante mas que acabou por passar ao lado dos grandes prémios. Por essa altura já se percebia que Oldman era, a par de Johnny Depp, o actor mais sub-valorizado da sua geração.


O ano seguinte seria marcado por dois filmes apenas, Murder in the First e The Scarlett Letter, onde contracenou com Demi Moore num drama de época, onde valores morais e um amor impossivel se cruzam de forma impiedosa.
Basquiat iria dar a Oldman mais uma hipótese de brilhar, desta vez como elemento secundário, enquanto que em 1997 seria um Oldman hilariante aquele que Luc Besson escalou para entrar no seu sucesso The Fith Element.
Por essa altura a faceta de vilão de Oldman estava em alta o que se confirmou no filme Air Force One, ainda de 1997, no tele-filme Jesus, onde foi Pilatos, e ainda no notável The Contender, filme que para muitos poderia ter sido o da coroação tão ansiada. O que obviamente não veio a acontecer.


Hannibal marcava a estreia de Oldman no novo século. Era já uma fase baixa da carreira do notável actor, sucessivamente desaproveitado pelos grandes estudios. E depois de dois anos de trabalhos pouco reconhecidos, chegou a hipótese de Oldman se estrear num grande blockbuster. Foi em Harry Potter and the Wizard of Azkaban. Oldman só surge em cena nos últimos vinte minutos mas a forma como o faz desiquilibra logo as contas a seu favor. E prova a todos que ainda está no seu melhor.
Para os próximos tempos espera-se o regresso ao seu papel de Sirius Black em Harry Potter and the Goblet of Fire e Harry Potter and the Order of Fenix e ainda a ansiada performance em Batman Begins, onde viverá um jovem tenente Gordon.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bette Davis


Começou a representar numa era que fazia ainda a ponte das divas do mudo para as primeiras estrelas do sonoro. Não tinha a beleza e charme natural das grandes rivais da época, Garbo e Dietrich, e alimentou durante décadas uma rivalidade com Joan Crawford. 

No final de contas acabou por se perceber que Bette Davis é de facto um nome único na história de cinema, uma autêntica diva de Hollywood. Depois de pequenas participações em vários filmes do inicio dos anos 30, Bettie Davis faz-se notar pela primeira vez em Of Human Bondage, filme que lhe vale uma nomeação ao óscar em 1934. No ano seguinte sai vencedora da cerimónia graças ao monstruoso desempenho em Dangerous. Segue-se a parceira com Leslie Howard e Humphrey Bogart em Petrified Forrest e em 1938 o seu segundo óscar por Jezebel, onde interpreta uma jovem menina mimada do sul. 

Com a vitória Davis tornava-se a mais séria candidata a ser Scarlett O´Hara, mas para sua raiva o papel foge para Vivien Leigh. A sua carreira continua de vento em poupa nos anos seguintes com magnificos desempenhos em Dark Victory, The Private Life of Elizabeth and Essex, The Letter e Little Foxes. Em 1942 consegue a sua sétima nomeação em dez anos de carreira por Now Voyager. Em 1944 novo "papelão", desta feita em Mr. Skeffington. 

O papel da sua vida surge em 1950 no filme All About Eve. Um filme que poderia ter consagrado Davis como a primeira actriz a vencer três óscares, mas que acabou por se revelar um falhanço pessoal para Davis. Anos mais tarde a história ficcional tornar-se-á realidade em 1982 quando a actriz doente será substituida por Anne Baxter numa serie televisiva). 

A sua carreira estava afectada pelos problemas legais que mantinha com a Warner, de quem se queixava que não lhe davam os filmes que merecia, e os anos 50 serão uma catastrofe completa. Regressa em grande estilo em Whatever Happned to Baby Jane?, filme onde contracena com a rival de sempre, Joan Crawford, e que lhe vale a sua oitava nomeação ao óscar. 

Passa então para a televisão, chegando mesmo a ganhar um Emmy. Morre em 1989 após uma carreira com mais de uma centena de filmes e um leque de inesqueciveis performances.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Dustin Hoffman


São já quarenta anos de carreira ao mais alto nivel na Meca do Cinema. Depois de uma estreia que acabou por se tornar quase mitica até aos papeis mais leves dos dias de hoje, esta foi uma carreira marcada a letras de ouro com performances abençoadas pelos deuses. E é por isso que ele é hoje, sem duvida alguma, considerado um dos melhores actores de sempre... Quem tem a sorte de se estrear em Hollywood com um filme tão forte como The Graduate e ser a estrela de tantos outros sucessos durante mais de tritna anos, só pode ser abençoado. 

Pelos deuses mais pelo talento também. E talento é algo que não falta a este "monstro sagrado" que é Dustin Hoffman. Nasceu a 8 de Agosto de 1937 em plena Cidade dos Anjos - L.A - numa altura em que essa já era a capital mundial do cinema. Talvez por isso se perceba que, desde sempre, Hoffman esteve em casa. Depois de uma infancia marcada pela rebeldia dos californianos do pós-guerra, Hoffman mostrou não ter grande talento na escola. Até a um dia em que se inscreveu numa cadeira de representação porque um amigo lhe dinha tido que naquela disciplina ninguém reprovava. 

E Hoffman não só não reprovou como encontrou ali a rampa de lançamento para uma carreira notável. No final decidiu-se pela arte de representar apenas pelo motivo de que não queria ir trabalhar como todos os outros. E ele não era como todos os outros, de facto. Depois de anos a aprender numa escola de representação em Pasadena conheceu Gene Hackman. O actor que mais tarde viria a ser galardoado com dois óscares desistiu do curso e procurou a sorte em Nova Iorque. Meses depois Dustin Hoffman foi à sua procura e acabou por morar no chão da sua cozinha. 

Eventualmente ambos acabariam por conhecer um terceiro actor, Robert Duvall, com quem partilhariam algumas agruras. E assim estava formada a coluna vertebral da representação norte-americana da década de 70 (faltará apenas Al Pacino, Jack Nicholson e de Niro). Aos 29 anos conseguiu finalmente um papel diante das camaras. Foi numa produção televisiva, The Journey of the Fifth Horse. 

No ano seguinte surgiria a estreia no cinema. Mel Brooks, vizinho de Hoffman, tinha-lhe dado o papel de destaque na peça The Producers que iria estrear esse ano na Broadway. Só que Anne Bancroft, mulher de Brooks, sugeriu Hoffman para The Graduate, o seu próximo filme. Na altura de escolhar entre Hollywood e a Broadway, Dustin Hoffman não teve duvidas. O filme foi um sucesso e a sua estreia foi apelidade da masi entusiasmante de sempre. Eventualmente chegaria a sua primeira nomeação ao óscar, logo no primeiro filme. Dois anos depois mais um grande desempenho num filme de sucesso. 

Ao lado de Jon Voight, o jovem Dustin Hoffman encarnou um tuberculoso cowboy em Midnight Cowboy, filme que acabaria galardoado com vários óscares. As cenas finais do filme, com Hoffman a morrer lentamente, tornaram-se marcantes e marcaram de imediato a sua carreira. A partir desse momento ele deixava de ser uma jovem promessa. O filme dar-lhe-ia, lado a lado com o colega Voight, a nomeação ao óscar de Melhor Actor, a segunda em três anos, algo notável para quem tinha feito apenas cinco filmes. No entanto, e tirando Litle Big Men em que Hoffman vive Crazy Horse, o mitico indio, dos 17 aos 112 anos, foi preciso esperar mais quatro anos para ver o actor em grande forma. Em 1973 surgiu ao lado de Steve McQueen em Papillon. 

No entanto a sua performance devastadora como o comediante maldito Lenny Bruce chegou em 1974 e conquistou tudo e todos, menos o óscar para o qual foi nomeado pela terceira vez em Lenny. Entretanto já lhe tinham recusado o lugar de Michael Corleone na saga The Godfather e preparavam-se para lhe dizer que não no filme One Flew Over the Cuckoo´s Nest, que viria a consagrar Jack Nicholson. No entanto em 1976 deu-se o seu regresso em estilo em All the President´s Men onde viveu o jornalista Carl Bernstein, ao lado de Robert Redford no filme de Allan J. Pakula. Apesar das nomeações que o filme conseguiu, Hoffman falhou a sua quarta nomeação. 

Mas muitos já afirmavam que estava na hora do actor ser consagrado, naquele que era uma década espectacular para Hoffman. Em 10 anos tinha interpretado já inumeros miticos papeis e conquistado quase uma mão cheia de nomeações. Depois de Marathon Men, onde brilhou ao lado de Laurence Olivier, chegaria, três anos mais tarde, em 1979, o seu óscar. O filme, que venceria varias estatuetas, seria Kramer vs Kramer, e ao lado de Meryl Streep, que começava aqui uma carreira de glória, Hoffman esteve igual a si mesmo, ou seja genial. Na noite de glória, ele que tinha dito que não lhe interessavam os prémios depois de ter sido derrotado pela terceira vez em 1974, estava eufórico. A vitória era justa. 

 Os anos 80 por sua vez mostraram ser uma década atipica. Apesar dos seus dois melhores desempenhos de sempre terem aberto e fechado a década, a verdade é que Dustin Hoffman esteve afastado do cinema fazendo apenas cinco filmes em dez anos. O primeiro seria Tootsie, provavelmente uma das comedias mais hilariantes da história do cinema norte-americano. Hoffman foi ele e ela neste notável filme e voltou a ser nomeado ao óscar, pela sexta vez. Perdeu, injustamente, para Ben Kingsley mas mostrou que após três anos de inactividade, estava de volta em estilo. 

Só em 1988 é que Hoffman voltou ao seu melhor, depois de dois titulos menores a meio da década. Em Rain Man ele é absolutamente notável como o autista Charlie Babbit. A sua performance esmagadora valeu-lhe o seu segundo e último óscar de melhor actor. E para fechar os anos 80, Dick Tracy, filme onde mostrou o seu ar de vilão sedutor diante do charme de Warren Beatty. O inicio dos anos 90 mostrou um Hoffman activo e em papeis interessantes. Exceptuando a sua performance no desastro Hook, em 1991, foi refrescante vê-lo em Billy Bathgate e Hero, que provaram ser dois dos seus melhores papeis de sempre. 

Seguir-se-iam mais alguns anos de inactividade até 1997, altura em que, ao lado de Robert de Niro, viveu a personagem Stanley Motts no notável Wag the Dog. Contra todas as previsões, Hoffman conseguiu a sua sétima nomeação ao óscar de Melhor Actor, um feito notável. Apesar da derrota para o eterno rival Jack Nicholson (eles são, provavelmente, os dois melhores actores da geração de 69) esta foi a prova de que, aos sessenta anos, Hoffman ainda estava bem vivo. Desde aí para cá as suas personagens têm-se tornado cada vez mais leves. Se exceptuar-mos a sua notável aparição na Jean D´Arc de Luc Besson, o humor tem sido a nota dominante nos seus últimos anos de carreira. A prova está bem à vista este ano, tanto em I Hearth Huckbees como em Meet the Fockers. 

O seu desempenho em Finding Neverland já foi igualmente louvado havendo a clara hipótese de em 2004 Hoffman ter a sua primeira nomeação como melhor Actor Secundário. Dustin Hoffman é sem duvida um daqueles actores que, independentemente do filme em que entra, arrasta centenas de espectadores às salas de cinema. O seu estilo muito particular de encarar a camara dá-lhe uma força extra que poucos actores conseguem ter. E a sua diversidade de personagens que podem ir do moribundo Ratso Rizzo em Midnight Cowboy à hilariante Dorothy Michaels em Tootsie são a prova viva de que aqui mora uma das estrelas mais cintilantes da história do cinema.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Jack Lemmon


Provavelmente um dos maiores actores de comédia de sempre (apesar de não ser um cómico como o eram Chaplin, Keaton, Groucho, Lewis ou Sellers), mas também capaz de desempenhos dramáticos assombrosos, Jack Lemmon é um icone de uma forma de fazer cinema que já não existe. 

Sempre capaz de brincar com os seus próprios defeitos - um pouco desengonçado, picuinhas, sem grande sentido de humor, resmungão - fez com Billy Wilder e Walter Matthau uma das melhores triplas de todos os tempos. Começou a sua carreira em 1949 mas foi em 1955 no polémico Mr Roberts - o tal filme que acabou com a amizade de Ford e Fonda - que Jack Lemmon se destaca, vencendo de forma surpreendente um óscar. Era apenas o seu décimo filme. 

Durante quatro anos anda perdido em papeis com que não se identifica até que em 1959 conhece Billy Wilder. O realizador junta-o a Tony Curtis e Marilyn Monroe e juntos criam a maior comédia da história do cinema, o inesquecivel Some Like it Hot. O filme consagra Lemmon como um actor popular e bem recebido pelos criticos mas o "furacão" Ben-Hur rouba-lhe o segundo óscar. 

No ano seguinte a dupla Wilder-Lemmon volta a ser bem sucedida, com uma serie de óscares por The Apartment. Em 1962 Lemmon experiementa pela primeira vez com sucesso o registo dramático em Day of Wine and Roses, que lhe valem uma quarta nomeação e o aplauso da critica. Em 1963 mais um filme com Shirley MacLaine e Billy Wilder, o irresistivel Irma la Douce. Em 1965 a sua carreira sofre uma reviravolta. Conhece Walter Matthau e juntamente com ele criam uma das maiores duplas de sempre da história do cinema, com Billy Wilder por trás da camara. 

O primeiro filme em conjunto, The Fortune Cookie, dá o óscar a Mathau e cria uma empatia que nunca mais desaparecerá. The Odd Couple, baseado numa peça de Neil Simon consagra as personagens de Felix Unger e Oscar Madisson que irão recuperar por diversas vezes ao longo da carreira. Ainda com Matthau e Wilder faz The Front Page em 1974 e Buddy Buddy em 1981. Por essa altura Jack Lemmon já é um consagrado actor dramático. 

Conquistara o seu óscar como actor principal em 1973 no drama Save the Tiger, e voltaria a ser nomeado por três vezes por The China Syndrome, Tribute e Missing. Nos anos 90 volta aos filmes com Walter Matthau em Grumpy Old Men e Grumpier Old Men. Antes já tinha passado por JFK e Glengarry Glen Rose. Em 1998 faz o seu último filme com Walter Matthau, The Odd Couple II, recuperando as personagens que o tinham imortalizado. Dois anos depois morre Matthau deixando Lemmon destroçado. 

O seu cancro só lhe permitirá viver mais um ano. Com a sua morte, o mundo perdeu uma das pessoas que mais o fez rir durante meio século.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

António Banderas



Aprendeu com o mestre Almodovar a não ter medo de dar tudo por todo. Depois de um estágio longo ao serviço do carismático realizador espanhol decidiu experimentar o cinema na versão de Hollywood. E ninguém poderá dizer que não se saiu bem. Afinal ele éa inda, aos quarenta e quatro anos, a personificação perfeita do latin lover...

Nasceu em Malaga, no sul da vizinha Espanha, a 10 de Agosto de 1960 com o nome de José Antonio Domínguez Bandera. Os pais eram gente simples e o seu sonho era o de qualquer miudo espanhol: ser jogador de futebol. Só que aos 14 anos o pequeno Antonio partiu um pé e hipotecou uma carreira no mundo do desporto. Foi então que surgiu a representação. Depois de vários anos a trabalhar em peças escolares e pequenas companhias locais, aos vinte anos António rumou a Madrid onde entrou no mundo do teatro espanhol e, ao mesmo tempo, começou a surgir em series e novelas televisivas. Na Espanha do pós-franquismo o jovem Antonio começava a ganhar protagonismo. Depois conheceu Pedro Almodovar, um jovem realizador excêntrico que iria mudar o cinema espanhol, e nada foi o mesmo.


Laberinto de pasiones, de 1982, foi a sua estreia no cinema e logo pela mão daquele que se viria a revelar o maior realizador espanhol de todos os tempos. Banderas interpretava um gay que era ao mesmo tempo um terrorista islâmico. Era o primeiro de muitos papeis delirantes que o actor interpretava para Almodovar, que neste sua primeira fase era também o realizador mais barroco da Europa. Durante os dez anos seguintes Banderas trabalhou com Almodovar e com vários emergentes realizadores espanhois. Filmes como El Senõr Galiendez ou Caso Cerrado foram reforçando o seu papel no meio cinematográfico espanhol. Mas seriam os seus filmes almodovarianos - Matador, La Ley del Deseo, Mujeres al bordio de un ataque de nervios e Atame! - que o tornariam um icone do cinema espanhol dos anos 80.


Em 1992 o salto para Hollywood no filme Mambo Kings. Como continuaria a acontecer com regularidade, o seu forte sotaque andaluz levou a que os seus papeis tivessem sempre uma origem latina. Em Mambo Kings foi um dançarino cubano de grande talento. Já em The House of Spirits, filmado em Portugal, trabalhou ao lado de alguns dos grandes actores de Hollywood como Meryl Streep, Jeremy Irons e Glenn Close. No mesmo ano seria o amante de Tom Hanks em Philadelphia, filme pelo qual foi bastante aplaudido pela critica. A sua carreira nos Estados Unidos ia de vento em popa.
O seu papel principal chegaria com Of Love and Shadows, um melodrama de 1994 com Jennifer Connely que acabou por não ter grande aceitação por parte da critica. Nesse mesmo ano seria Armand, o lider dos vampiros parisienses em Interview With the Vampire, onde contracenou com Brad Pitt e Kirsten Dunst.


A sua estreia como actor principal lançaria-o para novos voos. E em 1995 foi a afirmação definitiva de António Banderas como a estrela latina de Hollywood.
Desperado seria o papel que o lançaria para a fama. Neste filme de Robert Rodriguez - continuação de El Mariachi - e com Salma Hayek e Joaquim de Almeida, Banderas é um tocador de viola que vive de outro grande talento: a arte de matar tudo o que se mexe. O filme tinha cenas de acção verdadeiramente espectaculares e um humor truculento que impressionou tudo e todos. Ainda nesse ano e ao lado de Juliane Moore e Silvester Stallone (num filme escrito pelos irmãos Wachowski, que mais tarde criariam The Matrix) Banderas surge em Assassins mantendo bem viva a chama de eximio atirador que ganhara no filme de Rodriguez. O ano acabaria com o thriller-erótico Never Talk To Strangers onde Banderas seduz Rebeca de Mornay.


No final de 1995 tinha estreado Two Much. O filme era uma comedia romantica sem grande argumento mas acabou por ser um filme marcante na carreira de Banderas. O actor conheceu Melanie Grifith, a filha de Tippi Hedren, e ambos apaixonaram-se de imediato. Um ano depois o casal dava o nó (Banderas já tinha estado casado entre 1987 e 1996 com uma actriz espanhola) e começava uma das mais famosas e duradouras relações de Hollywood.
E depois de um ano de extrema violência, eis que chegou o ano dos papeis dramáticos. Em 1996 o actor espanhol é o Che ao lado de Madonna no musical Evita. Banderas conseguiria por este filme uma nomeação ao Globo de Ouro de melhor actor (que perderia para Tom Cruise), a prova de que o seu trabalho estava mesmo a ser apreciado em Hollywood.


Em 1998 surgiu The Mask of Zorro. O filme foi um êxito tremendo e António Banderas voltou a mostrar porque era o perfeito sex-symbol latino nos Estados Unidos. Ao lado do veterano Anthony Hopkins e da estreante Chaterina Zeta-Jones, o espanhol é eloquente como o sucessor do mitico heroi californiano. E no ano seguinte mais um grande exito, desta vez em The 13th Warrior onde encarna um guerreiro árabe que tem de lutar ao lado de uma tribo viking contra um inimigo nunca visto. Um belissimo filme de acção e mais um desempenho a juntar ao livro de notas. Banderas estava em alta e nem o delirante The White Kid River abalou o seu protagonismo. Até porque Play it With the Bone, o filme onde partilhou o ring de box com Woody Harrelson foi um sucesso de box-office.
Nesse ano de 1999 Banderas estreava-se na realização. Crazy Alabama (que contava no elenco com toda a familia, desde a mulher até aos seus jovens enteados). Apesar de não ter sido dos melhores filmes do ano foi curiosa a forma descontraida com que o actor experimentou o outro lado da camara.


The Body, onde viveu um padre católico que vive na dúvida sobre se a morte de Cristo foi real ou não, e Spy Kids, onde trabalhou de novo com Robert Rodriguez, marcaram o seu regresso ao cinema depois de ano e meio de ausência. Banderas decidira experimentar o teatro norte-americano na Broadway e saiu-se tão bem como tinha sucedido na sua Espanha natal. O final desse ano ficaria marcado por Original Sin, o thriller erótico em que partilhou o ecrãn - e a cama - com a emergente Angelina Jolie.


Em 2002 regresso à saga Spy Kids, mas, mais do que isso, dois dos filmes mais aplaudidos do ano contaram com a sua presença.
Em Frida, Banderas volta a trabalhar com Salma Hayek (filme que lhe valeu a sua nomeação ao óscar) e em Femme Fatale, ao serviço de Brian de Palma, Antonio Banderas dá um desempenho extraordinário ao lado da bela Rebeca Romjin-Stamos. O ano não acabaria sem um pequeno flop, Balistic, que no entanto passaria despercebido. 
E em 2003, para além de completar a trilogia Spy Kids, num papel muito fora do normal na sua carreira, houve a oportunidade de viver a personagem Pancho Villa num telefilme de sucesso And Starring as Pancho Villa Himself. Mas o grande destaque do ano acabou por ser o seu regresso à personagem El Marachi em Once Upon a Time in Mexico. Mais uma vez um filme de acção cheio de garra por parte de Robert Rodriguez que recolocou Banderas no mapa das grandes personagens de acção. Ele que acabaria por ser revelar uma das maiores estrelas de um grande exito de 2004, Shrek 2. A sua personagem, o Gato das Botas, trouxe outra vida ao filme e a sua voz marcadamente latina conquistou os espectadores de todas as idades. 


Neste momento Banderas está a gravar o esperado The Legend of Zorro, a continuação do seu grande sucesso de 1998. Para além disso há sempre a Broadway, onde o actor gosta de actuar com regularidade, e a sua paixão pela realização. Banderas é hoje um actor extremamente popular e com grande talento. Aos 44 anos está no pique da sua forma e não nos admirariamos se nos próximos anos ele volte a dar um salto qualitativo imenso, fazendo desta uma biografia quase obsoleta.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Denzel Washington




Tornou-se o primeiro actor negro em quase quarenta anos a vencer um óscar de melhor actor. E é o único negro a ter dois óscares em casa. Uma carreira de grande sucesso para um actor de talento imenso. É um dos simbolos da geração de 85 e hoje é, sem margem para dúvidas, um dos três melhores actores do mundo. Ele é um exemplo a seguir para uma comunidade que continua a procurar o seu lugar no sol de Hollywood...


Como o próprio disse na "sua" noite, em Março de 2001, tinha vivido toda a vida atrás do fantasma de Sidney Poitier, o maior simbolo para a comunidade negra norte-americana. Mas hoje ninguém tem duvidas que é ele, Denzel Washington, vencedor de dois óscares (o primeiro por Glory e o segundo por Training Day), o porta-estandarte de toda uma raça.

Denzel nasceu a 28 de Dezembro de 1954 em Mont Vernon no estado de Nova Iorque. Era o filho do meio de uma familia de profundas crenças religiosas. A mãe era esteticista e o pai um pastor da Igreja de Pentecostes, o que influenciou muito a formação moral do jovem. Depois de ter completado o liceu, decidiu inscrever-se no curso de jornalismo na Fordham University. Só que foi aí que o "bichinho" da representação tomou conta dele. Partiu para a Califórnia e inscreveu-se no American Conservatory Theater onde só ficou um ano. Depois de ter tido as primeiras lições, achou que seria a experiencia do dia a dia que seria fundamental na sua aprendizagem. E foi então que começou a procurar trabalho como actor, tarefa nunca fácil para um jovem negro num país onde a igualdade entre as raças ainda está mais no papel do que na prática. Em 1977 conseguiu o seu primeiro papel na televisão. 


A primeira metade dos anos 80 foram passados na televisão. Em 1982 entrou na popular serie St. Elsewhere e só em 1987 conseguiria o seu primeiro papel de destaque no cinema. O filme era Cry Freedom, e ao viver o mitico Steve Biko, o jovem Denzel mostrou logo ter potencial para grandes voos. Algo que dois anos depois foi facilmente provado em Glory. Ao interpretar um rebelde soldado negro na dificil Guerra Civil norte-americana, Denzel dominou por completo o filme. Acabou galardoado com o óscar de melhor actor secundário. Era a primeira vez em 25 anos que um actor negro era premiado pela Academia e muitos viam nisso um sinal positivo para o futuro de Washington. Afinal ele era já um eleito.
No entanto o inicio dos anos 90 não se revelaram tão proliferos como se esperava. Denzel participou em produções menores e só em 1992 voltou a dar o verdadeiro ar da sua graça no filme de Spike Lee, Malcom X. Mais uma vez Denzel Washington foi fantástico a viver o revolucionário muçulmano dos anos 60 e não surpeendeu ninguem que colecionasse, aos 39 anos, a sua segunda nomeação ao óscar.


1993 acabaria por se revelar um excelente ano para o actor. Entrou na adaptação de Kenneth Branagh da obra de William Shakespeare, Much Ado About Nothing, e ao lado de Julia Roberts brilhou em The Pelican Brief. No entanto a sua melhor performance foi no sucesso do ano Philadelphia, onde actuou com grande frieza como advogado de Tom Hanks. Hanks, que ganharia o primeiro óscar neste filme, diria mais tarde que nas rodagens de Philadelphia tinha aprendido mais cinema do que nos anos que tinha de carreira, isto a ver Denzel representar.
No entanto até 1996, ano de Courage under Fire, custou a Denzel voltar aos seus grandes momentos. Mesmo tendo entrado em Crimson Tide, filme de Tony Scott onde contracenava com Gene Hackman.
De facto os anos 90 acabaram por ser de sensações mistas para o actor. A sucessos como Philadelphia e Malcom X contrapunham-se falhanços em toda a linha. E seria assim até ao final dos anos 90, altura em que o actor voltou aos papeis de qualidade. Em 1999, o filme Bone Colector abria as portas para um periodo verdadeiramente dourado na sua carreira.


Nesse mesmo ano, e depois do sucesso de The Bone Colector, chegou a sua terceira nomeação ao óscar por The Hurricane. O filme onde Washington encarnava a personagem veridica de Rubin Carter viveu das explosões de garra de Denzel que acabaria por perder o óscar para Kevin Spacey, quando muitos pensavam que seria o ano da sua consagração. Não foi mas revelou-se uma importante data para o actor marcar o seu regresso. Em 2000 mais um grande desempenho em Remember the Titans, um dos filmes mais interessantes do ano. Mas a glória chegava em 2000 no mitico Training Day. Muitos pensavam que Russel Crowe iria repetir o triunfo do ano transacto mas ninguém conseguiu resistir à notável performance como capitão Alonzo Harris no filme de Antoine Fuqua. Provavelmente uma das melhores representações de sempre de um actor, a vitória na cerimónia da Academia não surpreendeu ninguem. E Denzel tornava-se no primeiro actor negro a vencer dois óscares, numa noite onde, curiosamente, Sidney Poitier também era homenageado.


A partir desta data memorável a carreira de Denzel Washington arrancou para a consagração total. John Q e Antwone Fisher - este realizado por si - foram dois sucessos de bilheteira e reforçaram ainda a imagem de sucesso que o actor transparecia. Já este ano, Denzel Washington brilhou em tres filmes distintos. Primeiro no filme extremamente "cool" que foi Out of Time. Mais tarde seria um carrasco implacável em Man on Fire e por fim revivaria o papel original de Frank Sinatra em The Manchurian Candidate, mas com muito mais intensidade dramática note-se.


Denzel Washington é, a par de Tom Hanks e Sean Penn um dos três melhores actores do momento. A sua garra, as suas explosões num overacting soberbo e a sua imensa sensualidade marcam todas as suas performances. É o "pai" de toda uma nova geração de talentosos actores negros como Will Smith e Jamie Foxx e poucos acreditam que não volte a ser premiado. É que, como a sua carreira vai, é um sentimento geral de que o melhor de Denzel Washington poderá estar para vir. Não que existam Training Day´s todos os anos, mas porque ele é de facto uma força da natureza.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Charles Chaplin


A maior estrela do cinema mudo sem qualquer discussão. Chaplin foi um visionário. Soube aprender os truques do oficio com a estrela Max Linder mas utilizou-os de forma a atingir todos os públicos. A sua mais famosa criação, Charlot, ainda hoje é um icone inesquecivel. 

O orfão britânico chegou a Hollywood em 1914. Meia dúzia de anos depois já era uma estrela. Ajuda a fundar o estúdio United Artits e populariza a comédia em Hollywood, tendo como rival directo o popular Buster Keaton. A sua vida intima torna-o num dos maiores colunáveis da época. Casa-se várias vezes, uma das quais com uma menor com 14 anos o que provoca imensa polémica. 

A sua passagem para detrás das camaras não tem o sucesso previsto e apesar da popularidade de Charlot, a verdade é que Chaplin se torna persona non grata em Hollywood. Com a chegada do sonoro não abandona a mudez da sua personagem e retira-se de Hollywood. Parte para a Europa depois de fazer de rajada quatro obras-primas. The Gold Rush, The Circus, City Lights e Modern Times. É em 1940 que se ouve pela primeira vez Chaplin em The Great Dictator. 

O filme é nomeado para os óscares mas há muito que o actor está em ruptura com a Academia depois desta lhe ter entregue um óscar honorário após retirar de competição as suas múltiplas nomeações por The Circus, que era o mais forte candidato a vencer a primeira edição dos óscares. Em 1847 volta a ser nomeado como argumentista por Monsieur Verdoux, aquele que é talvez o seu mais espantoso desempenho e é em 1952 que no filme Limelight Chaplin atinge a sua total maturidade como artista. 

O filme é espantoso, como seriam os dois últimos, A King in New York e The Contess of Hong Kong, ambos dirigidos por ele. Em 1971 Chaplin suspense o seu exilio voluntário na Suiça para receber um óscar honorário. No ano seguinte vence um óscar pela melhor banda sonora de...Limelight, um filme com vinte anos. A morte encontra-o em 1977, levando assim um dos maiores mitos da história da 7º Arte.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Brad Pitt



Desde bem cedo que se converteu num dos grandes sex-symbols dos nossos dias. Mas ao longo dos últimos quinze anos soube também conseguir mostrar que vale bastante como actor. Resta saber como o seu futuro se vai desenrolar. Será ele que decidirá se Brad Pitt encontrará o seu lugar na história do cinema...

Nasceu a 13 de Dezembro de 1963 bem no centro dos Estados Unidos no estado de Oklahoma. Os pais baptizaram-no William Bradley Pitt e quando ainda era pequeno levaram-no para Springfield no Missouri. Brad Pitt cresceu assim num ambiente tradicionalista do sul dos "states". Era um brilhante aluno na escola, algo pouco comum com muitos dos actores da sua geração. Era craque em desporto, mas também em teatro, equipas de debate e ajudava também a dirigir o jornal da escola. E foi em jornalismo que se viria a inscrever na Universidade do Missouri. Apesar de ser bom aluno faltaram-lhe dois créditos para terminar o curso. A razão? Pitt tinha sido convencido a partir para a Califórnia onde alguém certamente estaria mais atento aos seus talentos de representação. E assim foi ele para Hollywood procurar a sua oportunidade. No entanto demorou até ser finalmente notado. Para sobreviver Brad fazia um pouco de tudo, desde guiar limousines até vestir-se de galinha para publicitiar um restaurante no centro de Los Angeles. Mal sabia ele que acabaria eventualmente por ser tornar num dos icones da Hollywood dos anos 90.


Depois de curtos papeis na televisão estreou-se em 1989 no horror film Cutting Class. Não comprometeu e depois de um ano inteiro apenas a trabalhar para a televisão acabou por ser escolhido por Ridley Scott para entrar ao lado de Geena Davies e Susan Sarandon no road-movie Thelma and Louise. As suas cenas arrebatadoras com Davies convenceram a critica, que o nomeou uma das 10 maiores promessas do ano, e o público que viu imediatamente nele todos os traços de sex-bomb masculino.
Ainda em 1991 Pitt seria Johnny Suede e entraria também no thriller Across the Tracks. No ano seguinte os pontos mais altos acabariam por ser Cool World e A River Runs Trough It. 1993 seria o ano de Kalifornia, onde voltou a dar uma interessante interpretação e em 1994 chegaria o seu primeiro papel principal de destaque em Interview With the Vampire onde viveria Louis de Pointe du Lac, um vampiro com escrupulos. A sua carreia começava a descolar e o ano seguinte acabaria por se revelar o seu ano dourado.


Depois de ter recusado participar em Apollo´s 13 para poder juntar-se a Bruce Willis em Twelve Monkeys, o jovem Brad Pitt, que tinha acabado de ser nomeado como o homem mais sexy à face do plante pela People Magazine, convenceu tudo e todos com a sua notável performance. O prémio seria a sua nomeação, única até hoje, para o óscar, na categoria de melhor actor secundário. E apesar de não ter ganho, Pitt seria um dos actores do ano graças igualmente ao seu excelente desempenho no fabuloso S7ven, filme de David Fincher onde partilhava o ecrãn com Morgan Freeman, Kevin Spacey e a bela Gwyneth Paltrow com quem começaria uma relação que acabaria em 1997, apesar de por essa altura os dois actores estarem já noivos e serem a grande sensação de Hollywood.
Um ano tão bom indicava a muitos que a partir de agora era sempre a subir mas em 1996 Brad Pitt apenas entrou em Sleepers, filme aplaudido pela critica mas que falhou em ser o sucesso que se esperava. No ano seguinte, no entanto, Pitt voltaria aos seus grandes momentos. Primeiro em The Devil´s One, um excelente filme de acção onde, ao viver um rebelde terrorista do IRA, Pitt contracena com Harrison Ford. E depois em Seven Years in Tibet, filme marcante mas que falhou em ser o sucesso que se esperava. Por causa do seu desempenho Pitt ficou proibido, até hoje, de entrar na China. Mesmo assim o filme revelava um actor já bastante maduro, pronto a encarar de frente os obstáculos que se seguiriam.


A prova de fogo de Pitt para muitos chegou em 1998 ao lado de Anthony Hopkins. O filme era Meet Joe Black e a maioria dos amantes do cinema, que depositavam em Pitt grandes esperanças para ser um dos lideres da sua geração - o que viria a não acontecer - queriam ver como o actor se safava ao lado de uma estrela como Hopkins. O filme foi um sucesso e o jovem passou no teste com distinçao encarnando uma morte gélida e extremamente sedutora. E no ano seguinte, de novo ao lado de David Fincher, chegou Fight Club, filem que se tornaria rapidamente um titulo de culto e que granjeou a Pitt inumeros fãs, especialmente pelo seu desempenho explosivo. Também em Snatch, filme hilariante de Guy Ritchie, deu um show de interpretação e mostrou que era um actor já feito. Faltavam agora papeis de destaque em produções feitas para ganhar e não apenas para fazer dinheiro. Só que elas tardavam em aparecer. O facto de ter sido o primeiro homem a ser eleito duas vezes o homem mais sexy à face do planeta pela revista People reforçava a ideia dos estudios de que Pitt era mais um menino bonito do que propriamente um actor de qualidade. E assim o actor entrou no novo século em filmes menores.


Primeiro seria The Mexican, onde contracenava com a recem-oscarizada Julia Roberts. O filme foi um fracasso em toda a linha e condenou a ambição de Pitt em atingir voos mais altos. Seguiu-se Spy Game, filme de acção com Robert Redford que também falhou em assumir-se como uma referência no genero acabando Brad por ter de se render ao cinema de Soderbergh. Primeiro em Ocean´s Eleven e depois em Full Frontal, foi um Brad Pitt relaxado e numa onda cool que surgiu diante dos espectadores. O actor tinha acabado de casar com a também actriz Jennifer Anniston e tinha-se fartado de procurar papeis. Agora, achava ele, deveriam ser os papeis a bater-lhe à porta. A amizade com o grupo de Soderbergh, que inclui George Clooney e Julia Roberts, acabou por facilitar a sua participação no primeiro filme realizado por Clooney, Confessions of a Dangerous Mind e no próximo Ocean´s Twelve, cuja estreia está agendada para Dezembro. 


Foi mais ou menos por essa altura que lhe chegou às mãos o papel que ele esperava à tanto tempo. A Warner Bros queria produzir um verdadeiro épico histórico e pensou imediatamente em Pitt para viver o papel mitico de Aquiles. O actor nem pensou duas vezes e entrou na super-produção de Wolfgan Peterson. Depois de um treino intensivo - intercalado apenas pelo filme Sinband and the Seven Seas em que deu a voz ao personagem principal - tinha chegado a hora de brilhar finalmente. Só que em Troy a estrela acabou por ser Eric Bana e Brad Pitt sofreu com a forma como o realizador alemão abordou o filme. Um fracasso junto da critica, pouco aplaudido junto do público, e mais uma oportunidade perdida para Brad Pitt brilhar. Oportunidade que vai tentar recuperar certamente nos próximos anos, primeiro com Mr and Mrs Smith e depois com a adaptação de The Time Traveler's Wife juntamente com Jennifer Anniston com a qual faz um dos casais mais poderosos de Hollywood.


Brad Pitt é ainda hoje visto mais como um sex-symbol do que como um actor. Apesar de muitos terem pensado nele como o porta estandarte da sua geração, a verdade é que até hoje o actor tem falhado em afirmar todo o seu talento, um pouco como o amigo Tom Cruise. Talvez o que falte sejam projectos de maior envergadura ou um pouco de sorte. Mas com 41 anos está na altura de Pitt definir um rumo para a sua carreira. Os seus próximos anos serão portanto extremamente interessantes de seguir.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Pelosiro - Entretenimento - Lista de Sites

Entretenimento
Humor
Pelosiros - Link
Utilidades
Piratas na Costa - Link
Papagaio Azul - Link
Culinária
As Receitas da Tia Alice - Link
Cinema
Cineclube Hollywood - Link
Anos 80
Viver 80 - Link
Locais
Alvor Online - Link
Viver Évora - Link
Ser Alentejano - Link
Portal Nacional de Portugal - Link
Mistérios
O Sabor da Lua - Link
Infantil
Diomar - Jogos Online Grátis - Link
Música
Discoteka 72 - Link
Emprego
Centro de Empregos - Link
Saúde
Queratocone - Link

William Holden


Afirmou-se sempre como um duro, e os seus papeis eram coroados sempre com uma dose de cinismo que fazia de William Holden um actor único. Estreou-se no cinema nos anos 30 mas foi a década de 50 que o confirmou como um actor de excepção. 

Em 1950 trabalha em Born Yeasterday como secundário, mas, essencialmente, protagoniza uma das obras-primas de Billy Wilder, o inesquecivel Sunset Boulevard. A partir desse filme o seu nome passa a ser respeitado e três anos depois, de novo com Wilder, conquista o óscar à segunda tentativa. 

O filme era Stalag 17, um cruel retrato sobre um campo de prisioneiros da 2º Guerra, e o papel de Holden é perfeito. Continuando com Wilder, o realizador que melhor o compreende, faz com Bogart a corte a Audrey Hepburn em Sabrina. Continuará a viver papeis mais românticos em Love is a Many Splendored Thing e Picnic. 

Em 1957 é o irreverente Shears em The Bridge over the River Kwai e no final da década trabalha com Wayne e Ford em The Horse Soldiers. Praticamente desaparece de circulação durante uma década, voltando em 1969 em estilo no filme Wild Bunch. 

Anda pelos filmes catastrofe em Towering Inferno e é nomeado mais uma vez ao óscar pelo seu papel como impiedoso executivo em Network. A sua irritação por ter perdido para o seu colega, o já falecido Peter Finch, marcam bem a sua imagem de irreverente. 

Fará ainda mais um filme com Wilder, Fedora, antes de se despedir com pouco brio em algumas produções menores. A morte encontrou-o em 1981 como resultado de uma queda. Inglória partida para um homem tão duro!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Recomendamos