quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

António Banderas



Aprendeu com o mestre Almodovar a não ter medo de dar tudo por todo. Depois de um estágio longo ao serviço do carismático realizador espanhol decidiu experimentar o cinema na versão de Hollywood. E ninguém poderá dizer que não se saiu bem. Afinal ele éa inda, aos quarenta e quatro anos, a personificação perfeita do latin lover...

Nasceu em Malaga, no sul da vizinha Espanha, a 10 de Agosto de 1960 com o nome de José Antonio Domínguez Bandera. Os pais eram gente simples e o seu sonho era o de qualquer miudo espanhol: ser jogador de futebol. Só que aos 14 anos o pequeno Antonio partiu um pé e hipotecou uma carreira no mundo do desporto. Foi então que surgiu a representação. Depois de vários anos a trabalhar em peças escolares e pequenas companhias locais, aos vinte anos António rumou a Madrid onde entrou no mundo do teatro espanhol e, ao mesmo tempo, começou a surgir em series e novelas televisivas. Na Espanha do pós-franquismo o jovem Antonio começava a ganhar protagonismo. Depois conheceu Pedro Almodovar, um jovem realizador excêntrico que iria mudar o cinema espanhol, e nada foi o mesmo.


Laberinto de pasiones, de 1982, foi a sua estreia no cinema e logo pela mão daquele que se viria a revelar o maior realizador espanhol de todos os tempos. Banderas interpretava um gay que era ao mesmo tempo um terrorista islâmico. Era o primeiro de muitos papeis delirantes que o actor interpretava para Almodovar, que neste sua primeira fase era também o realizador mais barroco da Europa. Durante os dez anos seguintes Banderas trabalhou com Almodovar e com vários emergentes realizadores espanhois. Filmes como El Senõr Galiendez ou Caso Cerrado foram reforçando o seu papel no meio cinematográfico espanhol. Mas seriam os seus filmes almodovarianos - Matador, La Ley del Deseo, Mujeres al bordio de un ataque de nervios e Atame! - que o tornariam um icone do cinema espanhol dos anos 80.


Em 1992 o salto para Hollywood no filme Mambo Kings. Como continuaria a acontecer com regularidade, o seu forte sotaque andaluz levou a que os seus papeis tivessem sempre uma origem latina. Em Mambo Kings foi um dançarino cubano de grande talento. Já em The House of Spirits, filmado em Portugal, trabalhou ao lado de alguns dos grandes actores de Hollywood como Meryl Streep, Jeremy Irons e Glenn Close. No mesmo ano seria o amante de Tom Hanks em Philadelphia, filme pelo qual foi bastante aplaudido pela critica. A sua carreira nos Estados Unidos ia de vento em popa.
O seu papel principal chegaria com Of Love and Shadows, um melodrama de 1994 com Jennifer Connely que acabou por não ter grande aceitação por parte da critica. Nesse mesmo ano seria Armand, o lider dos vampiros parisienses em Interview With the Vampire, onde contracenou com Brad Pitt e Kirsten Dunst.


A sua estreia como actor principal lançaria-o para novos voos. E em 1995 foi a afirmação definitiva de António Banderas como a estrela latina de Hollywood.
Desperado seria o papel que o lançaria para a fama. Neste filme de Robert Rodriguez - continuação de El Mariachi - e com Salma Hayek e Joaquim de Almeida, Banderas é um tocador de viola que vive de outro grande talento: a arte de matar tudo o que se mexe. O filme tinha cenas de acção verdadeiramente espectaculares e um humor truculento que impressionou tudo e todos. Ainda nesse ano e ao lado de Juliane Moore e Silvester Stallone (num filme escrito pelos irmãos Wachowski, que mais tarde criariam The Matrix) Banderas surge em Assassins mantendo bem viva a chama de eximio atirador que ganhara no filme de Rodriguez. O ano acabaria com o thriller-erótico Never Talk To Strangers onde Banderas seduz Rebeca de Mornay.


No final de 1995 tinha estreado Two Much. O filme era uma comedia romantica sem grande argumento mas acabou por ser um filme marcante na carreira de Banderas. O actor conheceu Melanie Grifith, a filha de Tippi Hedren, e ambos apaixonaram-se de imediato. Um ano depois o casal dava o nó (Banderas já tinha estado casado entre 1987 e 1996 com uma actriz espanhola) e começava uma das mais famosas e duradouras relações de Hollywood.
E depois de um ano de extrema violência, eis que chegou o ano dos papeis dramáticos. Em 1996 o actor espanhol é o Che ao lado de Madonna no musical Evita. Banderas conseguiria por este filme uma nomeação ao Globo de Ouro de melhor actor (que perderia para Tom Cruise), a prova de que o seu trabalho estava mesmo a ser apreciado em Hollywood.


Em 1998 surgiu The Mask of Zorro. O filme foi um êxito tremendo e António Banderas voltou a mostrar porque era o perfeito sex-symbol latino nos Estados Unidos. Ao lado do veterano Anthony Hopkins e da estreante Chaterina Zeta-Jones, o espanhol é eloquente como o sucessor do mitico heroi californiano. E no ano seguinte mais um grande exito, desta vez em The 13th Warrior onde encarna um guerreiro árabe que tem de lutar ao lado de uma tribo viking contra um inimigo nunca visto. Um belissimo filme de acção e mais um desempenho a juntar ao livro de notas. Banderas estava em alta e nem o delirante The White Kid River abalou o seu protagonismo. Até porque Play it With the Bone, o filme onde partilhou o ring de box com Woody Harrelson foi um sucesso de box-office.
Nesse ano de 1999 Banderas estreava-se na realização. Crazy Alabama (que contava no elenco com toda a familia, desde a mulher até aos seus jovens enteados). Apesar de não ter sido dos melhores filmes do ano foi curiosa a forma descontraida com que o actor experimentou o outro lado da camara.


The Body, onde viveu um padre católico que vive na dúvida sobre se a morte de Cristo foi real ou não, e Spy Kids, onde trabalhou de novo com Robert Rodriguez, marcaram o seu regresso ao cinema depois de ano e meio de ausência. Banderas decidira experimentar o teatro norte-americano na Broadway e saiu-se tão bem como tinha sucedido na sua Espanha natal. O final desse ano ficaria marcado por Original Sin, o thriller erótico em que partilhou o ecrãn - e a cama - com a emergente Angelina Jolie.


Em 2002 regresso à saga Spy Kids, mas, mais do que isso, dois dos filmes mais aplaudidos do ano contaram com a sua presença.
Em Frida, Banderas volta a trabalhar com Salma Hayek (filme que lhe valeu a sua nomeação ao óscar) e em Femme Fatale, ao serviço de Brian de Palma, Antonio Banderas dá um desempenho extraordinário ao lado da bela Rebeca Romjin-Stamos. O ano não acabaria sem um pequeno flop, Balistic, que no entanto passaria despercebido. 
E em 2003, para além de completar a trilogia Spy Kids, num papel muito fora do normal na sua carreira, houve a oportunidade de viver a personagem Pancho Villa num telefilme de sucesso And Starring as Pancho Villa Himself. Mas o grande destaque do ano acabou por ser o seu regresso à personagem El Marachi em Once Upon a Time in Mexico. Mais uma vez um filme de acção cheio de garra por parte de Robert Rodriguez que recolocou Banderas no mapa das grandes personagens de acção. Ele que acabaria por ser revelar uma das maiores estrelas de um grande exito de 2004, Shrek 2. A sua personagem, o Gato das Botas, trouxe outra vida ao filme e a sua voz marcadamente latina conquistou os espectadores de todas as idades. 


Neste momento Banderas está a gravar o esperado The Legend of Zorro, a continuação do seu grande sucesso de 1998. Para além disso há sempre a Broadway, onde o actor gosta de actuar com regularidade, e a sua paixão pela realização. Banderas é hoje um actor extremamente popular e com grande talento. Aos 44 anos está no pique da sua forma e não nos admirariamos se nos próximos anos ele volte a dar um salto qualitativo imenso, fazendo desta uma biografia quase obsoleta.
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