terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Viggo Mortensen

Considera-se mais um artista do que um actor. É um nome de culto na cena underground nova-iorquina pelos seus trabalhos manuais. Hoje é tambem venerado um pouco por todo mundo graças ao seu soberbo desempenho na mitica trilogia Lord of the Rings. Mais um caso de um papel que faz um actor?

Existe a possibilidade de ser o novo Mark Hammil. Mas não parece muito preocupado com essa possibilidade. Para ele o cinema apenas mais uma das muitas coisas que gosta de fazer.
Viggo Mortensen nasceu a 20 de Outubro de 1958 no coração de Nova Iorque, em plena Manhattan.
De ascendencia dinamarquesa, Viggo viajou muito quando era jovem, especialmente pelo norte da Europa e a América latina. Começou a estudar representação quando voltou aos Estados Unidos, e depois de ter sido aplaudido em diversas peças de teatro e filmes locais, decidiu tentar a sua sorte em Los Angeles. Começaria aí, em 1984, uma carreira com mais de trinta filmes, muitos deles aplaudidos pela critica.
Foi em Witness, o aclamado filme de Peter Weir, que Viggo se estreou. Nessa altura já era um poeta aclamado e um homem do mundo.


Depois de anos a fazer pequenos papeis, surgiu em destaque no filme The Indian Runner. Seguiram-se outros papeis aclamados pela critica como Ruby Cairo, Carlito´s Way, Crimson Tyde e Portrait of a Lady. Estreou-se em filmes de acção ao lado de Demi Moore em G.I Jane e no mesmo ano fez dois remakes de Hitchock: Psycho e A Perfect Murder.
Foi então que a sua carreira deu uma volta de 180º graus. A principio estava pouco seduzido pelo papel de Aragorn na adaptação de Lord of the Rings para o cinema. O filho persuadiu-o a aceitar e foi assim que o actor embarcou para a Nova Zelandia onde durante tres anos protagonizou um dos maiores herois do univero de JRR Tolkien. O resto já todos sabem. Fama, reconhecimento e um lugar no coração de muitos cinéfilos.
Em 2003 faria Hidalgo, mas os fãs continuaram a ver nele e que sempre irão ver, o Rei de Gondor.


Para além dos seus talentos cinematográficos, Viggo mostrou ter imenso talento em outras áreas. Editou três albuns de jazz, escreveu vários livros de poesia e é também um pintor e fotógrafo consagrado em Nova Iorque. Para muitos ele é muito mais do que um actor. Para o espectador comum ele será sempre Aragorn.



domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ingrid Bergman

Quando chegou a Hollywood, rotulada de futura estrela, a verdadeira estrela sueca do momento, Greta Garbo, dizia adeus ao cinema. Rainha morta, rainha posta! Na altura era dificil de prever, mas Ingrid Bergman superou a Garbo, e ainda hoje é a maior actriz sueca da história, apesar da "rivalidade" com as mulheres de Bergman e com a diva da década de 30.
Depois de uma passagem pelo teatro sueco e pela ascendente industria erótica daquele país nórdico, Bergman deu nas vistas no filme Intermezzo em 1936. David Selznick comprou os direitos do filme e fez uma versão para Hollywood, insistindo em Bergman para o papel que fizera dela uma estrela na Suécia. Depois do enorme sucesso da versão americana de Intermezzo, Bergman volta a casa para fazer mais três filmes, mas em 1942 está em Hollywood. Acreditava-se que para sempre, mas o destino iria pregar-lhe uma partida.
No ano seguinte protagoniza algumas das mais icónicas cenas da história do cinema com Bogart em Casablanca. O filme torna-se num dos maiores sucessos de sempre, confirmando o estatuto de estrela da bela sueca. No ano seguinte é pela primeira vez nomeada aos óscares, por For Whom the Bell Tolls, onde divide o ecrãn com Gary Cooper. Em 1944 a sua consagração é consumada em Gaslight, filme que lhe vale os prémios da critica e da Academia. No ano seguinte tornava-s numa das "Loiras" de Hitchcock em Spellbound . Volta a trabalhar com o realizador em Notorious e Under Capricorn, mas são os seus papeis em The Bells of St. Mary´s e Joan of Arc que lhe valem mais duas nomeações aos óscares.
Em 1949 viaja até Itália para filmar Stromboli com o realizador Roberto Rossellini. Acabam por se apaixonar, e Bergman, que era casada e tinha uma filha, deixa a familia para ir viver com o realizador italiano, de quem terá duas filhas, a mais conhecida, a também actriz Isabella Rossellini. Banida pelos americanos, que com a sua moral se sentiram de alguma forma traidos, Bergman fica seis anos fora da América. Aproveita para entrar nalguns dos melhores filmes de Rossellini, Europa 51, Viaggio in Italia e La Paura, e trabalha com Renoir em Heléne et les Hommes.
O seu regresso a Hollywood não poderia ser mais triunfal. Em 1956 vence o seu segundo óscar por Anastasia e faz as pazes com o seu país adoptivo. A partir daí a sua carreira abranda claramente, mas há ainda papeis merecedores de atenção. Em 1974 conquista o seu terceiro óscar, como secundária desta feita, por Murder on the Orient Express, tornando-se na segunda actriz com mais triunfos, logo atrás de Hepburn. O cancro acabará por ser a sua perdição. Bergman morre em 1982 deixando o mundo do cinema sem uma das suas maiores estrelas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Al Pacino

Consegue explodir de raiva em poucos segundos, de uma forma que nem o "Método" ensinava. Duro entre os duros, nunca perdendo o seu charme muito próprio, Al Pacino é uma referência eterna para quem vive o cinema.
Começou a carreira em 1969, numa serie de pequenos papeis, e é a escolha surpresa para ser Michael Corleone em The Godfather. O seu assombroso desempenho vale uma nomeação e o aplauso generalizado da critica. No ano seguinte está no aclamado Serpico e em 1974 volta ao universo da familia Corleone, superando-se mais uma vez. Segue-se Dog Day Afternoon naquele que é o seu periodo de maior produtividade. Em 1979 é a estrela de And Justice For All, sexta nomeação em dez anos de carreira. Em 1983 está no remake que Brian de Palma faz ao clássico de Howard Hawks, o filme Scarface, onde volta a assumir-se como um dos mais completos actores da história, misturando cenas de grande violència com momentos de profunda sensibilidade.
Os anos 80 são infelizes e Revolution, uma grande aposta, é um gigantesco fracasso. Em Dick Tracy trabalha com Hoffman e Beatty e volta a ser nomeado, desta feita para melhor actor secundário.
Nesse mesmo ano volta a viver pela última vez a personagem de Michael Corleone em The Godfather III, algo que estava relutante em fazer, sendo persuadido pelo amigo Copolla, que, cheio de dividas, precisava de um sucesso para manter viva a sua produtora.
O inicio dos anos 90 são o periodo do comeback de Pacino. Depois de deixar Michael Corleone, é fabuloso em Frankie and Johnny ao lado de Michelle Pfeiffer. Já com cinquenta e dois anos, 1992 é o ano da sua consagração. É duplamente nomeado aos óscares, pelo seu papel secundário em Glengarry Glenn Rose, e pelo papel principal em Scent of a Woman. É nesse filme, onde brilha como há muito não se lhe via, que Pacino vence finalmente o óscar que os rivais Nicholson e Hoffman já tinham a dobrar. Mostrando que ainda está em forma, no ano seguinte protagoniza Carlito´s Way, e divide o ecrán com Robert de Niro em Heat. Em 1997 está em Devil´s Advocate e Donnie Brasco, continuando a explorar o seu lado infernal, e 1999 volta a mostrar um soberbo Pacino, quer em Any Givem Sunday, quer em The Insider. Em 2002 volta com Insomnia e Simone e no ano seguinte é o instrutor de Colin Farrell em The Recruit. Passa por Angels in America e regressa ao cinema para ser um inesquecivel Shylock em The Merchant of Venice.
Al Pacino continua a ter projectos para o futuro. Teve mais falhanços que os seus "rivais"; mas a verdade é que tem um estilo único e que, quando desaparecer, dificilmente encontrará um digno sucessor.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Tom Hanks

Desde as suas comédias mais hilariantes aos papeis mais dramáticos, desde sempre Tom Hanks foi visto como um all-american actor. Um espelho do que os americanos querem ser. O seu humor, coragem e valores contagiaram o público norte-americano que o considera hoje como um dos maiores actores de sempre.

E justamente!
Thomas J. Hanks nasceu a 9 de Julho de 1956 em Concordy, na Califórnia. Filhos de pais que fizeram história ao fazerem aprovar no estado uma lei sobre o complicado dossier das separações fez com que o jovem Thomas tivesse de viajar de casa do pai para casa da mãe, de cidade em cidade, de familia adoptiva em familia adoptiva, sem nunca conseguir um nucleo familiar estável.
Curiosamente, ao contrário da maior parte dos actores, nas representou na escola. Aliás, era sempre rejeitado para papeis em peças escolares por falta de talento. A carreira teve inicio num pequeno teatro local que o convidou para fazer uma tour em Clevland e a partir daí o jovem encontrou o seu rumo.
A estreia no cinema só chegaria em 1980 quando já tinha 24 anos. Foi no filme He Knows Youre Alone. Curiosamente o seu primeiro sucesso chegaria apenas ao terceiro filme. Foi em Splash, onde contracenava com Daryl Hannah.


Os anos 80 marcariam Hanks como um dos grandes actores de comédia do cinema de então. Em papeis como Bachelor Party, Big (pelo qual recebeu a primeira de sete nomeações aos óscares) e The Money Pitt tornaram-no num nome consensual.
O grande salto deu-o em 1993 quando encarnou a vida de Andrew Beckett no dramático Philadelphia. Hanks foi o primeiro actor a interpretar com este destaque um homem contagiado com o virus da SIDA e comoveu meio mundo. E aproveitou e venceu a sua primeira estatueta dourada. E quando todos pensavam que a sua carreira iria voltar aos papeis que o tinha lançado, surge Forrest Gump. O filme, uma comédia-dramática em estilo de biopic, tornou-se num dos mais espectaculares do cinema norte-americano. E o seu desempenho foi avassalador de tal forma que Hanks se tornou no segundo actor (o primeiro tinha sido Spencer Tracey) a vencer dois óscares de melhor actor de forma consecutiva. Aos poucos tinha-se tornado num icone, o all-american, o sucessor natural de James Stewart.


Os papeis de homens simples que têm de encarar situações dramáticas tornaram-se imediatiamente a sua imagem de marca. Apollo 13, Saving Private Ryan, The Green Mile e Cast Away provaram que a fórmula tinha sucesso. Por todos conseguiu uma nomeação mas não voltou a vencer, mesmo que em alguns dos filmes, como no magnifico retrato de Steven Spielberg do Dia D, tenha merecido.
Entretanto alternava esse tipo de papeis com outros mais cómicos, quer na dobragem de Toy Story, quer em comédias como You´ve Got Mail e Sleepless in Seatle.
Inspirado no trabalho realizado com Spielberg, decidiu juntar-se ao seu amigo para produzir, em 2001, a aclamada serie Band of Brothers.
Os últimos anos têm sido pautados com interpretações mistas. Foi um anti-heroi em Road to Perdition, onde andou um pouco perdido, mas foi um notável detective em Catch Me If You Can. Já este ano seria a estrela de Ladykillers e de The Terminal, onde trabalhou pela terceira vez com Spielberg.
Para o futuro o nome de Hanks vai continuar a encher as salas de cinema. Temos já este natal The Polar Express e para os próximos anos há The Da Vinci Code, The Risk Pool e A Cold Case.



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Elizabeth Taylor

A mais bem sucedida menina-prodigio de Hollywood. Começou a fazer filmes quando tinha apenas 11 anos, no mitico filme Lassie Come Home. A partir daí foi-se estabelecendo como uma das mais talentosas, carismáticas e sensuais actrizes de sempre. Manteve sempre o seu estilo próprio, mesmo na era onde as loiras voluptuosas dominavam. Teve uma vida cheia de precalços mas destacou-se sempre pela fidelidade aos seus amigos, desde Rock Hudson a Montgomery Clift, passando também por Michael Jackson, que ajudou até ás últimas consequências. É um dos últimos mitos vivos da idade de ouro de Hollywood.
Poucos imaginavam que a simpática rapariga dos filmes da cadela Lassie crescesse tão depressa. National Velvet, onde contracenava com Mickey Rooney, fez dela uma estrela aos 13 anos de idade. Seguiram-se novas aventuras com Lassie mas entretanto os estúdios MGM não sabiam o que fazer com ela. Aos 14 anos já tinha um corpo de mulher muitissimo bem definido e os papeis em filmes infantis começaram a parecer impróprios. A inicio ainda tentaram disfarçar a voluptuosidade da jovem com camisolas largas, mas apenas com 16 Elizabeth Taylor começa a interpretar papeis de adulta. Em 1950 tem o seu primeiro grande sucesso nesta segunda fase da sua carreira no filme Father of the Bride, com Spencer Tracy. No ano seguinte divide o ecrãn com o seu grande amigo Montgomery Clift em A Place in the Sun. A sua sensualidade é avassaladora e Hollywood cai imediatamente aos seus pés. Tinha apenas 19 anos.
A primeira metade dos anos 50 é pouco prolifera em grandes papeis, mas em 1956 a actriz entra em The Giant, ao lado dos amigos Dean e Hudson, voltando a afirmar-se como a actriz de uma geração. No ano seguinte é nomeada ao óscar pela primeira vez no épico sulista Raintree Country. Começa aí a brilhante sucessão de papeis de Taylor que terminará apenas em 1968. Nos anos seguintes entra em Cat on a Hot Thin Roof, Suddenly Last Summer e Butterfield 8. Pelo terceiro filme vencerá o seu primeiro óscar, à quarta nomeação. No entanto esse foi um prémio de simpatia. O seu terceiro marido, Michael Tood, tinha morrido semanas antes num desastre de aviação e a própria Taylor estava ás portas da morte. O óscar para uma moribunda acabou por ser apenas o primeiro de uma carreira que ainda tinha muito para dar.
Três anos depois a actriz é a estrela de Cleopatra. O filme foi um fracasso mas esteve cheio de histórias no elenco. Taylor exigiu que fosse Burton a interpretar Marco António e na rodagem do filme apaixonaram-se e casaram-se de seguida, tornando-se no mais badalado casal do mundo. Ainda nas rodagens do filme Taylor volta a estar ás portas da morte, tendo mesmo sido declarado morta por alguns jornais. Nesse mesmo ano faria ainda V.I.P.´s o segundo de doze filmes que fará com Burton. Entre esses o mais espantoso é seguramente Who´s Affraid Virginia Wolf?, o seu melhor desempenho coroado com o segundo óscar em oito anos. Elizabeth Taylor, ja mãe e ainda doente, era com 36 anos a maior estrela de Hollywood, superando mesmo o apagado Brando, e as rising stars Newman, O´Toole e o próprio Burton.
No entanto os seus insistentes problemas de saúde, a relação tempestuosa com Burton que levou a dois divórcios e um segundo casamento em três anos, acompanhados pela forte dependência do alcool, terminaram com a carreira da actriz ainda aos 40 anos. Hoje, Taylor mostra ter desejo de um comeback, mas a sua frágil doença dificilmente o permitirá. Ficam no entanto algumas das melhores cenas da história do cinema, protagonizadas por esta verdadeira deusa de Hollywood. Se Hollywood fosse o Olimpo, Elizabeth Taylor seria Afrodite.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Tom Cruise

Começou por ser um dos mais promissores actores dos anos 80. Fez inumeros filmes de sucesso até ao momento em que decidiu que ganhar dinheiro era mais importante do que representar bem. As semelhanças do actual para o antigo Tom Cruise são pura coincidência!


Nascido a 3 de Julho de 1962 em Syracuse no estado de Nova Iorque e hoje é um dos homens mais poderosos da industria cinematográfica. Mas ninguém imaginaria que seria esse o futuro de Thomas Cruise Mapother IV.
Os pais eram quase nómadas e o jovem Tom nunca esteve mais do que um ano no mesmo sitio. Daí não estranhou que, com 14 anos, ingressasse num seminário franciscano. O seu sonho de então era seguir como padre. Imagine-se! Foi a paixão pela representação que começou a conquista-lo na escola que o levaram a deixar os estudos e a tentar a sua sorte no mundo do cinema. Isso com 18 anos. Foi em 1981 que se deu a sua estreia em Endless Love. Seguir-se-iam pequenos papeis em Taps, The Outsiders e Losin it. O seu primeiro papel principal chegaria com Risky Business. Os anos oitenta coroariam Cruise como o menino prodigio do cinema norte-americano. Em Top Gun, The Color of Money, Cocktail, Rain Men e Born on the Fourth of July, Cruise brilhava e mostrava que merecia ser considerado como um dos grandes valores do cinema americano.


A entrada na década de 90 continuou a marcar esse bom momento. Em 1990 salta para as pistas em Days of Thunder e conhece aquela que seria a mulher da sua vida, Nicole Kidman. Casam-se e voltariam a fazer, dois anos depois, um filme juntos, Far Away. Só sete anos depois se reuniriam no ecrãn. Nessa altura a tendendcia já se tinha invertido. Agora a estrela era Kidman e Cruise estava em queda. Mas já lá vamos.
Interview with the Vampire, The Firm, A Few God Men e, acima de tudo, Jerry Maguire, marcaram o final do periodo dourado da sua carreira. E esperava-se a devida coroação da Academia. Isso não aconteceu, e, da noite para o dia, Cruise mudou por completo. Passou a trabalhar em blockbusters cujo o unico objectivo era o cachet que recebia, deixando os papeis mais soltos, aqueles em que se ele se mostrava melhor.
Começou com Mission Impossible e passou de seguida em Eyes Wide Shut, filme que rodou com Kubrick, antes de este morrer, e marcaria o fim da sua relação com a diva Nicole Kidman.


Mission Impossible II continuou a maré de péssimos desempenhos. Viriam depois Vanila Sky, Minority Report, Last Samurai e Collateral, todos papeis demasiado fracos e longe do que se esperaria de um actor do seu nivel. Exceptuando Magnolia, Cruise tinha deixado de representar com estilo. Agora procurava desesperadamente encher os bolsos e vencer o ansiado óscar. Desconfia-se que não será desta ainda que o actor o conseguirá.

Depois dos problemas amorosos com Kidman, seguiu-se a relação polémica com Penelope Cruz e a conversão à Igreja de Cientologia. Tudo noticias que descridibilizaram ainda mais o nome do actor. Esperam os fãs que The War of the Worlds inverta uma tendência que parece condenar Tom Cruise a um futuro mais sombrio do que se esperava nos seus dias de glória.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Jack Nicholson

É um dos mais premiados actores de sempre. Detem o record de vitórias dos Globos de Ouro, prémios da critica de Nova Iorque, Los Angeles, San Francisco e é o actor com mais óscares na história. Ou seja, o seu gigantesco talento, provado por mais de uma dezena de obras-primas, foi amplamente recompensado fazendo dele o mais bem sucedido actor da sua geração.
Começa a sua carreira nos filmes de terror, onde é aproveitada a sua figura bem diferente da que estavamos habituar a ver nas grandes estrelas. O seu passado sombrio - foi educado pela avó julgando-a sua mãe, com a mãe fazendo-se passar por irmã - conferia-lhe uma aura inesquecivel. Em 1969 junta-se a Peter Fonda e Dennis Hopper na louca viagem de Easy Rider, e é nomeado pela primeira vez ao óscar. Em 1970 é nomeado pela segunda vez pelo seu notável papel em Five Easy Pieces. Em 1973 a sua carreira arranca de uma forma notável. Primeiro por The Last Detail, depois em Chinatown e por fim em One Flew Over the Cuckoo´s Nest, chega o óscar que já perseguia insistentemente. Altamente alternativo, provocador e cabotino, fez uma parceria histórica com Brando em Missouri Breaks, e em 1980 é um dos vilões mais assustadores do cinema em Shinning. É Eugene O´Neill em Reds, e continua como secundário de luxo em Tearms of Endearment, onde ganha o segundo óscar. Volta de novo á sua melhor forma na segunda metade dos anos 80 em The Witches of Eastwick, Prizzis Honor, Ironweed e Batman. Em A Few Good Man protagoniza uma das cenas icónicas dos anos 90 ao lado do jovem Tom Cruise. Depois de uns anos 90 de menor produtividade, chega magnifico em As Good As It Gets açambarcando o seu terceiro óscar, tornando-se nesse ano o actor mais premiado da história. Volta a brilhar para o jovem Alexander Payne em About Schmidt, mas em Something´s Gotta Give mostra continuar igual a si mesmo. The Departed é uma incógnita mas saber que o sempre alucinado Nicholson anda por aí, deixa-nos dormir melhor. Para bem do cinema!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sean Penn

É uma das vozes mais criticas de Hollywood. Aponta todos os aspectos negativos por onde passa, desde o coração da industria cinematográfica às politicas do executivo federal. Hoje é visto finalmente como um dos grandes da sua geração. Mas para lá chegar teve de lutar muito.

A 17 de Agosto de 1960 nasceu na solarenga Califórnia Sean Justin Penn, hoje conhecido como um dos três maiores actores da geração de 85, lado a lado com Tom Hanks e Denzel Washington.
Os pais estavam no mundo do espectáculo e por isso foi fácil perceber o porquê dele, e do seu jovem irmão Chris, terem sido sempre empurrados para esse mundo. O pai, Leo Penn era realizador e tinha sido um dos nomes riscados na Caça às Bruxas dos anos 50.A mãe Eileen Ryan uma actriz de estúdio. Mesmo assim só aos 21 anos é que chegou o primeiro papel para o jovem Sean. O filme foi Taps e foi o inicio da carreira deste jovem e explosivo actor. Seguiu-se um divertido papel no filme de culto Fast Times at Rigdemond High.
Em 1984 foi considerado uma das 10 maiores promessas do cinema norte-americano. Já na altura lhe detectavam as suas principais caracteristicas. Sofredor, autor de um notável controlo de timing, praticante eximio do inner acting e explosivo como poucos.


Seguiram-se notáveis performances em Racing With the Moon, The Falcon and the Snowman, At Close Range, We´re No Angels e Casualties of War. Aos poucos tinha-se tornando numa das grandes referências para os actores mais jovens da década de 80. Por essa altura era mais conhecido por ser casado com Madonna, de quem se divorciaria no final de 1989. A nova década começari a brilhar nos seus primeiros papeis de destaque. State of Grace foi um dos mais interessantes filmes do inicio da década e permitiu-lhe conhecer a sua actual mulher Robin Wright-Penn. Nesse mesmo ano, 1991, estreou-se na realização em Indian Runner. Carlito´s Way voltava a mostra a sua melhor face em 1993 e conseguiu a sua primeira nomeação ao óscar em 1995 com o seu notável papel em Dead Man Walking.
Voltaria aos seus melhores papeis dois anos depois em The Game e no final dos anos 90 mostrou-se em grande estilo em The Thin Red Line e Sweet and Lowdown, filme de Woody Allen.


No entanto os maiores momentos da sua carreira chegariam nos últimos cinco anos.
Primeiro em Before Night Falls em 2000 e no ano a seguir em I Am Sam. Um dos papeis mais comoventes dos últimos anos valeu-lhe a nomeação ao óscar. Apesar de muitos considerarem que seria um justo vencedor, acabaria derrotado. Mas o seu melhor momento estava aí. Dirigiu o fraco The Pledge mas no ano passado entrou em dois dos maiores filmes do ano. Primeiro em 21 Grams, onde é explosivo e espantoso como nunca o viram, e depois em Mystic River. Aqui conseguiu o seu melhor desempenho de sempre, o melhor do ano e um dos mais interessantes dos últimos anos. Apesar de muitos não acreditarem, a consagração chegou com o seu primeiro óscar. Um óscar emotivo para um rebelde eterno como é Sean Penn.
E quantoso muitos pensavam que ele iria voltar a papeis menos conseguidos, eis que ele apresenta um rol de intensas interpretações. Primeiro em The Assassination of Richard Nixon, já este ano, e em The Interpreter e All the King´s Men nos próximos dois anos. É caso para dizer que o melhor Penn pode mesmo ainda não ter aparecido.



domingo, 11 de fevereiro de 2018

Katharine Hepburn

Chamaram-lhe "veneno de bilheteiras". Durante décadas foi altamente subvalorizada. Mas soube sempre dar a volta por cima conseguindo alguns dos seus mais brilhantes desempenhos quando muitos pensavam que já nem sequer representava. Dos anos 30 à década de 80 não houve actriz tão espantosa como Katharine Hepburn. Quatro óscares provam-no facilmente! Afinal, se algum dia houve uma actriz "monstruosa", foi ela.
Dividiu-se sempre entre o cinema e o teatro. Em cinquenta anos fez cinquenta filmes, conquistou quatro óscares, 12 nomeações, múltiplos prémios e a admiração de todos, uns mais tardiamente que outros. Teve o seu primeiro grande papel em Morning Glory, o seu terceiro filme, pelo qual venceu de imediato o óscar. Little Women, Sylvia Scarlett, Mary of Scotland e Bringing Up Baby confirmaram-na como uma das grandes actrizes dos anos 30. No entanto as suas polémicas relações - Howard Hughes, John Ford, Spencer Tracy - o seu cariz altamente feminista e liberal, não lhe eram favoráveis em Hollywood. Não atraia o público comum e muitos dos seus melhores papeis nos anos 40 e 50 vieram em filmes fracassados nas bilheteiras. Foi o que aconteceu com Woman of the Year ou Adam´s Rib. Em Philadelphia Story supera-se e em The African Queen, ao lado de Bogart, consegue a sua quinta nomeação aos óscares. Os anos cinquenta ficam marcados ainda por três papeis: em Summertime, The Rainmaker e, acima de tudo, Suddenly Last Summer. Confirmando-se definitivamente como a maior actriz do mundo nos anos 60, Hepburn conseguiu um inesperado comeback. Primeiro em Long Day´s Journey Into Night, em 1962, e em 1967 no filme Guess Who´s Coming to Dinner. Quando ninguém pensava, Hepburn vence um segundo óscar. É no entanto em 1968 que consegue a maior performance de toda a sua carreira no filme The Lion in Winter. Vence o óscar em ex-aqueo com Barbra Streisand e afirma-se como a mais bem sucedida actriz de sempre. E quando ninguém o esperava, depois de uns anos 70 mais virados para a televisão, conquista o seu 4º e último óscar no filme On a Golden Pond. Hepburn estará anos sem fazer um filme, aparecendo em Love Affair de Warren Beatty num registo de despedida. Morre com a bela idade de 96 anos em 2003, perdendo o mundo a maior actriz que alguma vez conheceu.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Marlon Brando

Foi o icone de gerações. Depois de surgir de camisola justa rasgada, suado, gritando "Stellaaa!!!" em A Streetcar Named Desire, o cinema nunca mais seria o mesmo. Criou uma escola, mais tarde imitada por todos. Misturou a carnalidade masculina com a sensibilidade humana como nunca tinha sido feito. Foi o primeiro actor a explorar o próprio corpo, criando uma imagem icónica que o acompanharia, e que eventualmente, acabaria por transcende-lo.
E no entanto não fez muitos filmes ao longo de uma carreira que durou mais de quarenta anos. Mas quando entrava em cena, transcendia-se sempre de uma forma inimitável.
Formado nas escolas do Actor´s Studio, exemplo perfeito da aplicação do "Método", essa cartilha da arte de representar, a sua estreia em A Streetcar Named Desire, foi das mais furiosas e intensas da história. A sua performance ultrapassou limites e barreiras, exibindo-se a um nivel nunca visto num rookie de 27 anos. Naturalmente foi nomeado ao oscar, acabando por perder injustamente para o veterano Bogart.
Os anos 50 foram os da ascensão, confirmação e glorificação de Brando. Em 1952 era único como Emiliano Zapata em Viva Zapata! e no ano seguinte dá um dos melhores discursos da história, superando mesmos os mais shakesperianos dos actores, em Julius Caeser. E antes de Dean foi o perfeito "Rebel without a Cause" em The Wild One.
Naturalmente em 1954 surge a consagração em On the Waterfront, filme onde todo o espirito do Actor´s Studio se resume na perfeição. No ano seguinte está ao lado de Jean Simmons em Guys and Dolls! e Sayonarra e The Young Lions definem-no como um actor único. Era já declaradamente um dos maiores actores do mundo, rivalizando com os clássicos Stewart, Bogart, Cooper, e liderando uma vaga ascendente que tinha Newman, Clift - e durante um ano - Dean, na sua peugada.
Os anos 60 começam com o falhanço do remake de The Mutiny on the Bounty, filme que apresenta o Pacifico a Brando. É lá que conhece a mulher e onde viverá durante largos anos numa ilha que adquire a peso de ouro. Depois de uns anos de apagamento surge no seu melhor em 1966 no filme The Chase. Mas a aura que o acompanha vai-se lentamente desvanecendo. Problemas com as produtoras, o falhanço do seu primeiro filme como realizador, One-Eyed Jacks, o seu activismo pró-indios e o facto da critica e do público o acusarem de não estar a viver de acordo com o mito que o próprio tinha criado fez com que Brando fosse afastado de Hollywood. Muitos acusaram-no de estar a destruir a sua própria carreira.
Mas então surge Francis Ford Copolla, apaixonado por Brando desde sempre, que vê nele o candidato perfeito para viver Vitto Corleone em The Godfather. Os produtores rejeitam e Copolla faz com que Brando vá ao casting completamente transformado. O actor engorda, enche as bochechas com algodão, cria maneirismos totalmente novos e espanta os produtores que após o casting querem saber quem é aquele actor que é tão perfeito para o papel: "é Brando", diz-lhes Copolla. O acordo fica fechado. O resto - The Godfather, o óscar rejeitado, o papel de uma vida - é história.
No ano seguinte despe-se de todos os pudores para Bertolucci no aclamado The Last Tango in Paris, e em 1979 regressa sorumbático para um papel inesquecivel em Apocalypse Now, também de Copolla. E depois o "Monstro" retira-se para a sua ilha. Vive problemas familiares com a prisão do filho e acaba por voltar apenas duas vezes mais. A primeira, que lhe vale a oitava e última nomeação ao óscar, em A Dry White Season. A segunda para fazer D. Juan de Marco com Johnny Depp, que elogia, declarando que é mais parecido consigo do que Clift ou Dean alguma vez foram, e para quem faz The Brave, o filme de estreia na realização do jovem actor. Quando morreu, em 2004, o mundo ficou definitivamente um lugar mais pobre.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Humphrey Bogart

Quando Jean-Luc Godard coloca Jean-Paul Belmondo a imitir Bogart em A Bout de Soufle, o mito ganhava dimensões inimagináveis. Durante anos Bogart tinha sido actor de filmes considerados de segunda linha. Mas os cinéfilos, primeiro na Europa e só mais tarde nos Estados Unidos, viam nele algo que nunca viram, nem voltariam a ver: um actor explosivo, dono de um cinismo sem fim, mas com um coração gigantesco, capaz de encaixar o soco mais duro e manter-se de pé. Sem ser alto ou forte, Bogart foi o maior de todos os duros. Nunca nenhum outro actor conseguiu roubar uma cena da mesma forma que "Bogie" fazia.
Humphrey Bogart era filho de gente muito ilustre e estava destinado a ser um menino rico de Wall Street, não fosse a sua imensa paixão pelo cinema desviá-lo do consultório médico do pai para a Broadway. Foi aí que começou a representar, divindo os palcos com o cinema, onde nos anos 30 começou a aventurar-se progressivamente. Depois de uns papeis menores a Fox dispensa-o do contrato e Bogart volta á Broadway onde se junta a Leslie Howard na peça The Petrified Forrest. A Warner compra os direitos da peça e quer adaptá-la ao cinema com Robinson no papel de Bogart mas Leslie Howard exige a presença do actor. Bogart fica com o papel e é explosivo como o vilão Duke Mantee. O seu nome estava feito.
Durante cinco anos vai ser presença assidua em três dezenas de filmes de gangster, sempre em papeis secundários. É em 1941 que tem o seu primeiro grande papel principal em High Sierra de Raoul Walsh. O filme é um sucesso, tal como The Maltese Falcon, e a Warner - depois de várias recusas - acaba por escolher Bogart para o papel de Rick Blaine em Casablanca. O seu desempenho é histórico e Bogart é nomeado ao óscar - que perde para Ronald Colman - afirmando-se definitivamente como um actor de respeito. Segue-se To Have and Have Not de Howard Hawks onde contracena pela primeira com uma jovem modelo de 18 anos, Lauren Bacall. A quimica entre ambos é explosiva e os actores casam no final das rodagens. Em 1946 vive pela primeira vez a mitica personagem de Chandler, Philiph Marlowe em The Big Sleep, também com Bacall no elenco. Dois anos depois Key Largo - de novo com Bacall - coloca-o frente a frente com Edward G. Robinson. Mas agora a estrela é ele, e o filme é dele também! Por essa altura tinha marcado presença em The Treasure of Sierra Madre, mais uma parceria com o amigo e realizador John Huston, mas nessa altura o seu nome esteve perto de entrar na lista negra após a marcha que promove com Bacall em Washington para protestar contra a "Caça ás Bruxas" que iria levar a que vários argumentistas de Hollywood fossem colocados na lista-negra.
Em 1950 assina o seu melhor papel de sempre em In a Lonely Place, onde é explosivo como nunca o tinha sido, mas o óscar só chega no ano seguinte em mais um brilhante papel para Huston no filme The African Queen. A sua saúde já não é a melhor - Bogart era altamente dependente do alcool - mas ainda deu para entrar em Sabrina, de Billy Wilder, e The Caine Mutiny, que lhe valeria a terceira e última nomeação ao óscar. Fez três filmes nos seus últimos anos de vida (The Left Hand of God, Desperate Hours e The Harder They Fall), morrendo com um terrivel cancro que o manteve o último ano na cama, onde recebeu a visita da nata de Hollywood. Vieram prestar homenagem ao amigo, mas também à lenda, a um dos nomes mais inesqueciveis, não só da história do cinema, mas da história do próprio Homem.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

James Stewart

Ninguém consegue encontrar na carreira de Jimmy Stewart um mau papel. Muitas vezes passou por filmes menores, mas soube sempre fazer a sua parte, indo além do que achavam possivel. Trabalhou com quase todos os grandes realizadores de Hollywood (Ford, Hitchcok, Capra, Hawks, Wilder, Cuckor, Mann, Preminger, ...) e fez de todas as suas personagens pérolas inesqueciveis. Está nos dois maiores papeis de sempre da história do cinema, conseguindo trabalhar em registos completamente diferentes, sem nunca perder o seu estilo muito próprio. Sempre bom rapaz - na tela e na vida real - com um estilo de representação muito fisico para um "clássico", e muito "under acting" para um jovem turco, Stewart passou gerações, ás vezes despercebido. Mas o tempo ajuda a perceber as coisas, e olhando em retrospectiva é impossivel não olhar para James Stewart, e não ver nele o que foi: o maior actor de todos os tempos.
Nascido no Indiana, Stewart vai para a Broadway muito cedo. Faz musicais e é por aí que chega ao cinema, em filmes de pouca projeção. Amigo intimo de Henry Fonda, estudam juntos representação, e é em 1938 que ambos se começam a fazer notar. Stewart fê-lo em You Can´t Take It With You, uma alegre comédia de costumes com um elenco de luxo que acabaria por vencer uma serie de óscares. Mais importante que isso, era também a sua primeira parceria com Frank Capra, realizador que marcaria a primeira fase da sua carreira. No ano seguinte Stewart consegue uma das maiores performances de todos os tempos em Mr Smith Goes to Washington. Perde o óscar - por razões politicas diz-se - e é compensado no ano seguinte, vencendo-o por Philadelphia Story. Stewart nem era o actor principal do filme (Cary Grant tinha mais protagonismo), e venceu por simpatia pela derrota do ano seguinte e pelo bloqueio anti-Grapes of Wrath que faz com que Fonda não vença. Mas por muito estranho que pareça, este será o seu único prémio numa carreira de quarenta e cinco anos.
Nesse mesmo ano trabalha com Lubitsch no admirável The Shop Around the Corner e no ano seguinte parte para a guerra, deixando a Gary Cooper o papel em Meet John Doe que lhe estava destinado. É um dos herois da guerra e volta em 1946 para assinar a maior obra-prima da história do cinema, de novo com Frank Capra: It´s a Wonderful Life. O seu George Bailey é a mais pura e bela personagem da história do cinema, granjeando-lhe de imediato o estatuto de estrela. No entanto o filme não foi o sucesso que se previa (Capra disse dele que era "o mais belo filme feito até hoje"..e era!). O público tinha mudado e Stewart irá perceber essa mudança melhor que Capra.
Vira-se para os westers e para os thrillers, pelas mãos de Anthonny Mann e Alfred Hitchcock. Em 1948 faz o seu primeiro papel para o "mestre do suspense" em The Rope. Em 1950 é assombroso em Winchester 73, mas acaba por ser nomeado por Harvey. Bend of the River e o espantoso The Naked Spur continuam a provar o sucesso da dupla Stewart-Mann, e The Rear Window torna-se numa das obras-primas de Hitchock, com um Stewart nunca visto.
O final dos anos 50 traz o melhor de Jimmy Stewart. The Man From Laramie, The Man Who Knew To Much, The Spirit of Saint Louis, Vertigo e Anatomy of a Murder são do melhor que se podia encontrar nos dias em que o mundo ainda estava rendido ao "método". Vertigo! Nunca um actor foi tão intenso, tão hipnotizante, tão avassalador com James Stewart em Vertigo. Se George Bailey é a sua obra-prima, Scottie Fergusson é o seu irmão gémeo, tal é a perfeição do seu registo, naquele que para muitos é o melhor filme de todos os tempos.
Os anos 60 juntam Stewart com John Ford, outro realizador icónico, primeiro em Two Road Together e depois no inesquecivel The Man Who Shot Liberty Valance que está para Mr Smith na filmografia de Stewart como Vertigo está para It´s a Wonderful Life. E é assim que no inicio dos anos 60, Stewart decide retirar-se. Com quase 60 anos, e com as suas referências (Mann, Capra, Preminger, Ford, Hitchcock) a deixarem Hollywood, sente também que a sua hora chegou. Ainda faz pequenos papeis, com principal destaque para o reencontro com John Wayne em The Shootist, uma bela despedida para dois heróis do Oeste.
Um icone americano, um exemplo de vida, um actor sem comparação - nem Bogart, nem Brando, nem Newman, Nicholson ou tantos outros se lhe comparam - James Stewart é mais do que um mito.
Deixou-nos em 1997. Mentira. Ainda cá está. Em todos os papeis que representou. E estará para sempre!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

História do Cinema em Portugal - Leitão de Barros - Esperança e Desilusão do Cinema Português


1. Em 1930 as atenções estavam todas voltadas para Leitão de Barros. Maria do Mar, situando-se logo após um período de decadência da produção nacional, tinha vindo colocar-se dignamente na primeira fila de toda a cinematografia portuguesa e apresentava-se (pelo menos aparentemente) como uma procura de estilo. «Nesse filme ― escreveu Roberto Nobre ― «havia uma inusitada densidade, um poder plástico tendendo mais à sobriedade rude do que ao bonito, uma avaliação do sentido dramático e humano, arrancando às máscaras vigorosas, curtidas pelo sol e pelo sal do mar da Nazaré, um carácter cheio de genuinidade.» 5  Homem de múltiplas facetas, Leitão de Barros dispersa o seu entusiasmo, os seus interesses, as suas capacidades e a sua constante inquietação por diferentes actividades: «Pinta, ensina, pronuncia conferências, escreve crónicas e artigos (dirá Acúrsio Pereira) que têm a marca desse talento singular que lhe atribuiu no berço uma ronda ingénua de fadas protectoras. Comenta com bom humor no artigo de fundo, palpita na reportagem, sorri trocista nas entrelinhas do «éco» jornalístico.» Faz cinema ― com dois ou três momentos fulgurantes ― e organiza históricos com o mesmo jeito com que movimenta centenas de figurantes no écran. 

Talvez esta dispersão, estes vários e desiguais talentos, tenham, afinal, pesado negativamente na sua obra cinematográfica, muito desigual, que transita do realismo poético para o populismo e daí para o «film d’art». Desde A Severa ao estenderete que foi Vendaval Maravilhoso, passando por Ala-Arriba e Camões, a filmografia de Leitão de Barros é um zigue-zague constante, com altos e baixos dentro mesmo de cada obra. Mas, sem Maria do Mar, Nazaré, Lisboa e A Severa, talvez o cinema português não tivesse ganho fôlego para uma nova arrancada. E nessa arrancada Leitão de Barros teve papel relevante. Lança-se nela com a decisão do pioneiro e com o espírito de quem parte para uma maravilhosa aventura. Quando filma Nazaré, quando realiza Maria do Mar, supera com engenho os problemas da falta de meios técnicos. 

Com entusiasmo feito de amor pelo cinema. Com plena consciência de que o cinema, em Portugal, é, nessa altura, uma actividade artesanal no meio de carências de toda a espécie. Ele próprio dirá: «Entre nós ,o cinema quase sempre é para o realizador a arte do equilíbrio sobre renúncias e o autor de cinema, é, apenas, um arrojado equilibrista.» Anima-o, também, uma ingénua fé no futuro da nossa cinematografia: «Acredito num cinema português ― dirá ele numa conferência pronunciada em 1948 ― porque acredito na eternidade deste grupo parecido que somos nós, mandriões pescadores que nos deitamos ao sol da praia na certeza do peixe de amanhã, que somos capazes de muita asneira e de muita coisa bem feita, que somos, enfim, uma raça; isto é, que levamos sobre alguns outros povos esta vantagenzinha apreciável: conhecermo-nos uns aos outros, de gingeira, há oito séculos! E, graças a Deus, damo-nos mal.» Entusiasta pelo cinema, que viu nascer e que o atrai desde os bancos do liceu, Leitão de Barros olha com confiança a consolidação de um cinema nosso com traços próprios e as marcas das nossas lusitanas particularidades (que as teve num cinema de imitação), mas trai as esperanças que alimentou com Maria do Mar, vai perdendo força e espontaneidade, afasta-se do povo e emaranha-se no gosto pelo espectáculo sem realmente acercar-se da Vida ou da Poesia, nem quando trata de Camões, de Bocage ou de Castro Alves. Todos os méritos e defeitos deixou-os logo, vemo-lo hoje melhor do que então, em A Severa, mais um exemplo de cinema voltado para o passado como estava na tradição da nossa cinematografia. 


2. Em 1931, o cinema tornara-se sonoro e falante. A maior parte das vezes falava pelos cotovelos (para dizer muito pouco) e cantava a todo o propósito. Pensou-se, na altura, que o sonoro iria prejudicar a universalidade do espectáculo cinematográfico e favorecer as cinematografias nacionais. Leitão de Barros apercebeu-se logo das potencialidades do cinema sonoro e das grandes possibilidades de êxito que teria o primeiro filme falado e cantado em português. Sem esperar pela criação de um estúdio devidamente equipado, encetou a realização de A Severa, cuja sonorização seria feita em Paris, nos estúdios de Epinay. Júlio Dantas volta, assim, ao cinema português ― e, por via disso, entram no cinema português o fado e os touros, de que dificilmente nos havemos de libertar, mais o marialvismo que lhe está adstrito... A Severa teve um êxito invulgar. O filme ia ao encontro do gosto popular, tinha de tudo: as belas imagens da lezíria, as faustosas festas da aristocracia, os fados, as facetas cómicas do Timpanas (a canção interpretada pelo Silvestre Alegrim fez carreira), os confrontos da marquesa com a fadista, as corridas de toiros, um fandango dançado por Francis, a grotesca paixão do Custódia e a morte da Severa cercada por populares envergando trajes regionais de todas as províncias portuguesas (simbolizando Portugal chorando a morte do Fado). 

A adesão do público ao cinema sonoro e o sucesso de A Severa impulsionaram a criação da Tobis Portuguesa, fundada em Junho de 1932, depois de uma campanha que entusiasmou o pais cinéfilo. Centenas de pessoas, cheias de ilusões e de boa vontade, compraram acções daquela companhia, que viria mais tarde a ser absorvida pela Lisboa-Film. Na já citada Quinta das Conchas foi construído um estúdio moderno, projectado pelo técnico francês A. Richard e pelo arquitecto Cottinelli Telmo. (Manuel de Azevedo, in Perspectiva do Cinema Português). O Estado deu também uma ajuda (Decreto-Lei n.º 22.966 publicado no «Diário do Governo» de 14 de Agosto) isentando, durante cinco anos, a Tobis Portuguesa do pagamento das contribuições predial e industrial bem assim como dos direitos de importação de maquinismos, aparelhos e materiais necessários ao estabelecimento da sua indústria. O artigo 3.º do referido decreto, que obrigava «os importadores de filmes sonoros estrangeiros a adquirir, para exibição em Portugal, filmes sonoros portugueses na metragem que for anualmente fixada pelo Governo, em harmonia com as condições da produção nacional», não teve, porém, a desejada aplicação.  O cinema português preparava-se para percorrer uma nova etapa. Acentue-se que para isso ― sobretudo para a criação de um clima de entusiasmo que levou à construção dos estúdios da Tobis ― muito contribuíram o próprio entusiasmo e a acção de Leitão de Barros.

Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa

História do Cinema em Portugal - Manuel de Oliveira - A sua primeira obra «Douro, Faina Fluvial»


1. Era uma vez... 
Lá para os fins dos anos vinte, António Lopes Ribeiro, que já andava nas lides cinematográficas como crítico de filmes nas páginas do «Diário de Lisboa», viu por acaso, num laboratório de Lisboa, parte de uma fita que ali fora mandada para revelar. Surpreendido e entusiasmado com o que vira, quis saber de quem era. Disseram-lhe um nome. Era-lhe desconhecido. Deram-lhe uma direcção e um número de telefone. Era no Porto. Procurando contactar o autor do filme, soube que ele chegaria a Lisboa no dia seguinte integrado num grupo de desportistas que vinham participar no Campeonato Nacional de Atletismo. Foi esperá-lo. E assim se deu o encontro entre os dois à saída da gare do Rossio. (Os comboios do Porto ainda não ficavam em Santa Apolónia). Lopes Ribeiro foi direito ao fim. Falou do seu entusiasmo pelo filme e do seu desejo de o incluir no espectáculo cinematográfico que estava a organizar para os participantes do Congresso Internacional da Crítica a realizar, dali a pouco, na cidade de Lisboa. Foi insistente e persuasivo: era preciso, era indispensável, concluir o filme rapidamente. 

O jovem atleta mal podia acreditar no que ouvia. A surpresa intimidava-o. Uma oportunidade destas nunca ele sonhara poder surgir-lhe. No seu foro íntimo, exultava; mas, cauteloso, punha reticências: que ainda havia material por revelar; que a montagem ainda ia levar o seu tempo... Lopes Ribeiro foi teimoso e peremptório: o filme tinha de estar pronto à data do Congresso. E assim entre ambos ficou assente. O filme em questão era Douro, Faina Fluvial. No dia seguinte a excitação do nóvel cineasta comprometeu a actuação do desportista. Incapaz de se concentrar, nunca ele fizera provas tão más. Foi um desastre. Este moço de vinte anos era Manuel de Oliveira. Se o seu nome era ignorado por Lopes Ribeiro e desconhecido nos meios cinematográficos, a verdade é que o não era nos meios desportivos. Manuel de Oliveira foi campeão de salto à vara e, nos famosos espectáculos anuais do Sport Club do Porto, executava, com seu irmão Casimiro, um arriscado número de trapézio voador. Também, por essa altura, o automobilismo o apaixonava, tendo vindo mais tarde a participar em corridas internacionais. Marcou destacada presença nas corridas de Vila Real e da Gávea, no Brasil, onde ganhou um dos circuitos. Se abandonou o atletismo quando começou a interessar-se pelo cinema, só abandonaria as corridas de automóveis quando se casou. Entretanto tirou o «brevet» de piloto aviador. Automóveis de corrida e aviões eram, talvez, a alternativa perante as dificuldades que sempre enfrentou para fazer cinema e através dele se exprimir. 

2. Voltemos uns anos atrás. Houve em tempos, quase no tôpo da Rua 9 de Julho 4, no Porto, em terreno sobranceiro à rua, um grande palacete meio oculto por duas frondosas tílias. O acesso fazia-se por um largo portão de ferro que abria para uma rampa que levava à moradia e à pequena unidade fabril anexa. Ambas pertenciam a Francisco José de Oliveira, industrial empreendedor a cuja iniciativa se deve a primeira fábrica portuguesa de lâmpadas eléctricas, a primeira fábrica nacional de artigos de malha e o aproveitamento hidro-eléctrico do rio Ave, no Ermal. Terceiro filho desse industrial, foi naquele palacete que, a 10 de Dezembro de 1908, nasceu Manuel de Oliveira, de nome de baptismo Manuel Cândido (Pinto de Oliveira de apelidos). De seu pai herdou, em certo sentido, a imaginação, a persistência e o poder criador. Mas não criou preconceitos de classe, embora fossem um tanto distantes as relações dos trabalhadores com o filho do patrão Seria justamente para o mundo do trabalho na beira-rio que seus olhos iriam voltar-se, fixando em imagens cinematográficas a viva expressão do esforço quotidiano do Homem, irmanado com a máquina e o animal, na árdua faina de ganhar, com autêntico suor, o magro e amargo sustento de cada dia. Como aconteceu com muitos jovens da sua geração, o cinema apaixonou-o desde muito novo. 

Era uma aventura fascinante a que então se vivia, dia a dia, face ao écran, sem interditos. Primeiro, era o mundo inteiro que se abria na nossa frente, o passado e o presente, o drama e a comédia, o fantástico e o sonho, ali, no rectângulo iluminado das salas escuras dos cinemas onde todas as noites podíamos identificar-nos com os «heróis» das fitas. Depois, era uma nova arte, uma nova forma de expressão que brotava e evoluía vertiginosamente na nossa frente. Aos dezasseis anos, Manuel de Oliveira desejou entrar para o cinema, como actor cómico ou burlesco. Outro qualquer, com a sua bela figura (as mocinhas voltavam-se quando com ele cruzavam na rua) teria desejado ser Rudolfo Valentino ou Ramon Novarro. Na realidade aquele juvenil anseio foi efémero ― depressa substituído pelo irresistível desejo de fazer cinema. Por essa altura, Rino Lupo veio para o Porto terminar as filmagens de Fátima Milagrosa. Aqui abriu uma Escola de Actores de Cinema para arranjar algum dinheiro e complacentes figurantes. Manuel de Oliveira foi dos primeiros a inscrever-se (com o pseudónimo de Rudy Oliver ... ), menos com a ideia de vir a ser galã de cinema do que a de saber como era o cinema «por dentro», figurando no filme de Rino Lupo. Por ali nada aprendeu. 

As lições ia-as recebendo de outro lado, na «universidade do cinema» que, para o aluno atento, eram os écrans do Trindade, do Olímpia, do Passos Manuel e do Salão High-Life: as lições do expressionismo alemão, do realismo de Pabst e Lupu Pick, de alguns vanguardistas franceses, da imensa força dramática de Mãe, de Pudovkine ou da Joana d’Arc, de Dreyer, da violência demolidora de Eric von Stroheim, da inquietante grandeza dos nórdicos Stiller e Sjostrom... Quanto a livros teóricos, sobre linguagem e estética cinematográficas, creio que nunca leu nenhum. Um dia, foi isto em 1929, Manuel de Oliveira conseguiu que o pai lhe emprestasse uns escudos e comprou uma máquina de filmar de 35 mm, portátil, com corda para trinta metros de fita. Estava decidido a fazer o seu primeiro filme, cuja ideia tinha longamente amadurecido. O trabalho ribeirinho, as pontes, o bairro do Barredo, o rio, fascinavam-no. Escreveu uma planificação muito pormenorizada para reter no papel o filme que se construía dentro de si. A sugestão da linha mestra viera-lhe de um filme de Ruttmann, Sinfonia duma Capital ― 24 horas da vida de uma cidade, que tinha visto tempos antes. Mas o Douro, Faina Fluvial, nasceria como obra autónoma e original. Um crítico italiano, Ugo Csiraghi, escreveria muitos anos mais tarde («L’Unità», de 8 de Setembro de 1976): «Nesta curta-metragem, realizada em 1930, há ressonâncias do melhor documentarismo europeu, de Ivens aos soviéticos, de Ruttmann a Grierson, mas revistas e elaboradas com tal força e originalidade que fazem de Manuel de Oliveira um artista que só a si próprio se assemelha.» Manuel de Oliveira não sabia ainda como manejar uma máquina de filmar. Para operador convidou, então, um amigo, António Mendes, guarda-livros de profissão, grande apaixonado por fotografia. E deitaram mãos à obra, aos poucos. Foi um autêntico trabalho de amadores, mas feito com a proficiência de profissionais experimentados. Foi ainda António Mendes ― que se revelou um operador excepcional mas nunca quis trocar a estável profissão de guarda livros pela incerta profissionalização cinematográfica ― quem revelou uma grande parte do negativo de Douro, Faina Fluvial, servindo-se de meios rudimentares num laboratório improvisado numa das dependências da fábrica dos Oliveiras. 

A certa altura, a operação revelou-se extremamente difícil, razão pela qual outra parte do filme foi mandada para um laboratório de Lisboa. Muitos anos mais tarde, foi ainda numas dependências da velha casa da Rua 9 de Julho, hoje demolida, que Manuel de Oliveira instalou um pequeno estúdio, muito bem equipado com material que mandou vir expressamente de Itália, num momento em que pensou tornar-se autónomo, com a vaga esperança de criar um núcleo de produção onde outros pudessem também vir trabalhar, fugindo, assim, aos altos custos dos laboratórios de Lisboa. Foi lá que ele fez a montagem de Acto da Primavera, O Pão, e Caça (imagem e som). E ali enterrou muito dinheiro em bom material técnico e no isolamento de uma sala para gravações. Tudo seria obrigado a vender num momento difícil da sua vida ― que não foi sempre tão «de rosas» como tantas vezes se quer fazer crer... O advento do sonoro tinha acabado de dar-se, mas Douro, Faina Fluvial era ainda um filme mudo e foi assim que foi exibido no Salão Foz, em Lisboa, no decorrer do Congresso Internacional da Crítica. Esta ante-estreia foi um escândalo. Perante a surpresa dos congressistas estrangeiros, os espectadores portugueses, na sua maioria, vaiaram ruidosamente o filme. 

O tema, o ritmo, a montagem rápida de algumas sequências, irritaram o público (em grande parte selecto e burro). A projecção foi sublinhada por constantes assobios e terminou com uma estrondosa pateada. Ao intervalo e, ainda, já terminado o espectáculo, muitos espectadores e alguns dos críticos (!?) portugueses ferviam de indignação: «um sem jeito aquelas imagens vertiginosas! uma vergonha mostrar a estrangeiros aquelas mulheres enfarruscadas, com carretos de carvão à cabeça, de pé descalço... aquelas nojentas vielas do Porto... aqueles prédios leprosos do Barrêdo... «(Parece que ninguém se indignou por existirem aquelas desumanas condições de trabalho dos carregadores do porto... parece que ninguém se indignou por se viver ainda em péssimas condições de habitação e salubridade no velho, degradado e populoso bairro do Barrêdo...). Manuel de Oliveira, que ninguém ali conhecia, andava no meio daquela gente. Socavam-lhe os ouvidos os indignados desabafos. E sorria. O sentido do humor foi sempre uma das suas qualidades. 

3. Ao contrário das reacções desfavoráveis que o filme tinha levantado entre portugueses, o reputado crítico francês Emille Vuillermoz não tardaria em publicar, no «Temps», um artigo sobre Douro, Faina Fluvial, em termos muito lisonjeiros. A certo passo desse artigo, escreveria: «Nunca o patético novo da arquitectura do ferro e a poesia eterna da água haviam sido traduzidos com tanta força e inteligência.» («Le Temps» ― 3/10/1931). Depois, veio Avelino de Almeida (que foi director da revista «Cinéfilo») remar, quase a medo, contra a maré da generalizada nacional-indignação. Abertamente vieram defender o filme: José Régio, na «Presença», e Adolfo Casais Monteiro, na revista «Movimento.» a estes dois poetas e a mais meia dúzia de amigos mostrara Manuel de Oliveira o seu filme depois da «corrida» que tinha levado em Lisboa. Destes recebeu, naquela altura, as únicas manifestações de apreço e encorajamento. 

E a fita voltou para as latas onde ficou «esquecida» por uns anos. Douro, faina fluvial viria finalmente a público, no circuito comercial, por acordo com H. da Costa, para servir de complemento ao filme Gado Bravo, de que aquele ex-distribuidor de filmes era produtor. Foi isso em 1934. O filme tinha sido sonorizado, o que lhe alterou ligeiramente o ritmo. Quando da sua primeira apresentação no Porto, no S. João-Cine, acolheram-no com palmas espontâneas e calorosas. Depois... o tempo foi passando, e Douro, faina fluvial resistiu. O que só acontece com as autênticas obras de arte. 

Em Douro, faina fluvial Manuel de Oliveira não se limitou a pousar o olhar sobre a vida e a faina ribeirinhas. Na descrição do trabalho e das duras condições de vida dos trabalhadores da beira-rio há implícita uma denúncia. Mas há também um intenso sopro de poesia, a captação de uma profunda palpitação humana. O rio, a ponte, os cais, as ruelas, os negros recantos do Barredo e da Ribeira são o cenário e o lugar onde aqueles homens e mulheres vivem e labutam. Mas o rio, a ponte, os cais, as ruelas, pulsam e vivem também, ao ritmo das horas, tratados por uma câmara inquieta, lúcida, observadora, atenta, respeitadora... que não procura o «pitoresco», antes dele se esquiva para descobrir e registar uma realidade social. Toda a enorme força de Douro, faina fluvial está nessa realidade colhida ao vivo sem disfarces, «em que a moderna poesia do ferro e do aço, a tonalidade das horas, a alegria e a miséria do homem sócio do animal na luta pelo pão de cada dia ― tudo, ao longo de um dia de actividade na margem do Douro, nos é dado com uma verdadeira grandeza» (José Régio). 

Rodrigues de Freitas, colaborador de «Presença» e autor de um conto que serviu de inspiração a Manuel de Oliveira para o Aniki-Bóbó, escreveria na revista «Movimento»: (...) «Nasce o dia e recomeça a faina; tudo ali surge em movimento, no ritmo da azáfama e das horas que vão correndo; o trabalho começou; e cresce e a vida explude em acção, em força e luta; serena chegou a hora do almoço e do descanso ― e há como que uma síncope. Depois, de novo a faina volta..., a vida retoma a intensidade das primeiras horas do dia, até que o cansaço chega, os homens vergam e as pernas fraquejam, enquanto que na natureza, à volta, desce a calma e a solidão. O artista-realizador, poeta, vai visualizando os estados de alma, no homem e na natureza; os dois elementos decorrem fundidos, em ritmos correspondentes, em permanente simpatia. Acompanhando-se nas horas que deslizam, a vida do rio e a do homem, penetram-se, completando-se. Douro, faina fluvial aparece-nos assim como um filme de essência profundamente poética, mas não é só isso. O filme abandona aqui e ali aqueles estados de alma de que falei, e aponta, frisa, marca, quase discute, problemas de ordem social. Façam presente, na memória, os paralelos entre o trabalho do homem e o da máquina e veja-se, de facto, se não há ali dialéctica social... Filme de inquietação e significação. Toda a obra que significa é ― e Manuel de Oliveira dá-nos uma obra de arte autêntica, pelo mundo de sugestões que provoca, emoções e ideias que desperta. (...) Um filme que vive pelos elementos essenciais da arte: criação e expressão, neste caso, pela sua visão e pela sua montagem.» 

Por seu turno, na «Presença» (n.º 43 de Dezembro de 1934) o poeta José Régio escreveria: «O Douro é uma pequena obra-prima; é um milagre não só de sensibilidade e inteligência ― também de persistência, independência e vontade, dons que tanto nos faltam (...) Precioso como documentário, o Douro excede e em muito o valor de um mero documentário. Nem um documentário se volve em obra de arte senão na medida em que, sem deixar de documentar o que pretende documentar, é, também, documento de um temperamento de artista. Manuel de Oliveira é artista e poeta, no alto sentido em que, afinal, estas duas palavras são sinónimas. E não é tão fácil de ver que era isso o que ainda não aparecera no nosso cinema? Conseguir boas imagens e uma boa montagem segundo processos mais ou menos conhecidos, em mira a efeitos de agrado mais ou menos seguro, é, talvez, relativamente fácil; porque é questão de aprendizagem e experiência. (...) Mas o que já deixa de ser matéria de aprendizagem para ser manifestação duma vocação própria, é conseguir esse halo poético, o transmitir essa vibração humana, que revelam realmente artista (tão artista como o mais sincero cultor de qualquer outra arte) o realizador dum filme. E eis, entre nós, a grande novidade do Douro: ser uma obra de arte.» 

Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa

Shirley MacLaine

Ao longo da sua carreira trabalhou com alguns dos maiores realizadores de Hollywood. Foi essencialmente nas mãos de Billy Wilder que Shirley MacLaine provou porque é uma das melhores actrizes da história. A sua beleza não seguia os padrões dos sex-symbols da era, a sua frontalidade valeu-lhe muitos inimigos na indústria, mas ainda hoje, cinquenta anos depois de ter começado, Shirley MacLaine ainda dá provas do seu gigantesco talento.
A estreia não podia ter sido mais auspiciosa. Foi em 1955 no divertido Troubles With Harry de Alfred Hitchcock. O realizador reparou nela, lançou-a para a ribalta, e assim nasceu uma estrela. Em 1958 faz uma performance inesquecivel - uma das melhores de sempre certamente - em Some Came Running de Vincent Minelli. Um desempenho poderosissimo que lhe vale uma primeia nomeação ao óscar. Algo que repetirá dois anos depois pelo seu assombroso desempenho em The Apartment de Billy Wilder. O filme marcará a primeira colaboração entre ambos que conhecerá novo capitulo de sucesso em 1963 com Irma la Douce. Nova nomeação e nova derrota para McLaine que começa a mostrar o seu descontentamento com Hollywood. Os anos 60 e 70 passam a correr até que chega em 1975 o seu premiado documentário, The Other Half of the Sky, um trabalho sobre a China. Dois anos depois a quarta nomeação ao óscar pelo seu papel em Turning Point. O resultado final foi o mesmo. Foi preciso esperar até 1984 para que a já veterano actriz levasse de vencida as rivais e subisse ao palco para reclamar o óscar. Num dos mais espantosos discursos de sempre, MacLaine abre dizendo "I deserve this...i really deserve this!". Estava feita justiça. A carreira da meia-irmã de Warren Beatty continua calmamente, com alguns pontos altos como Stealing Magnolias ou Guarding Tess. O último ano foi bastante activo para MacLaine que regressa em estilo, primeiro em In Her Shoes, já por cá estreado, e também com Rumor Has It. A sua carreira mostra sinais de que não vai parar tão cedo. O mundo agradece!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pelosiro - Entretenimento - Lista de Sites

Entretenimento
Humor
Pelosiros - Link
Utilidades
Piratas na Costa - Link
Papagaio Azul - Link
Culinária
As Receitas da Tia Alice - Link
Cinema
Cineclube Hollywood - Link
Anos 80
Viver 80 - Link
Locais
Alvor Online - Link
Viver Évora - Link
Ser Alentejano - Link
Portal Nacional de Portugal - Link
Mistérios
O Sabor da Lua - Link
Infantil
Diomar - Jogos Online Grátis - Link
Música
Discoteka 72 - Link
Emprego
Centro de Empregos - Link
Saúde
Queratocone - Link

Tom Hanks

É o porta-estandarte da sua geração. O mais completo actor a surgir nos últimos vinte ano, Tom Hanks começou por ser um improvável comediante. Foi quando encontrou o seu lugar certo no cinema dramático da década de 90 que se consagrou definitivamente junto do público e da critica.
Uma carreira que começou em 1980 no universo da comédia. No final da década, Tom Hanks já era um dos nomes consagrados de comédia com papeis em Splash e Big, este último valendo-lhe a primeira nomeação ao óscar. Em 1990 surge a primeira tentativa para Hanks entrar num projecto "sério" mas The Bonfire of Vanities é um tremendo fracaso. Depois de um breve regresso à comédia (Sleepless in Seatle) surge o primeiro grande papel dramático na sua carreira. Em Philadelphia, Hanks vive um homossexual infectado com SIDA que parte numa cruzada contra todos aqueles que o ostracizaram devido à sua doença. O desempenho é assombroso e o actor conquista o seu primeiro óscar. Mas em 1994 Hanks supera-se assinando o seu melhor desempenho de sempre em Forrest Gump. O americano mais idiota da história é também o papel que confirma definitivamente Hanks como um actor de excelência. Sem grandes surpresas, o recorde de Spencer Tracy é igualada e Hanks leva o seu segundo óscar. Há quem diga mesmo que uma dupla conquista tão cedo o impediu de ganhar mais prémios nos anos seguintes. Prémios esses que teriam sido merecidos.
No ano seguinte está no premiado Apollo 13, voltando a exibir-se a bom nivel e em 1998 volta a ser nomeado por Saving Private Ryan, filme que marca a sua primeira colaboração com Steven Spielberg. A derrota para Roberto Benigni prova que a Academia não estava preparada para fazer dele o actor com mais óscares da história, e depois de nova parceria com Meg Ryan em You´ve Got Mail, há Green Mile e Cast Away, dois aplaudidos trabalhos que provam que Hanks continua em excelene forma. Surge então Band of Brothers, a estreia de Hanks na produção televisiva e Road to Perdition, o seu maior flop de carreira. Ainda em 2002 é o secundário perfeito em Catch Me If You Can - terceira colaboração com Spielberg - que retoma em 2004 no magnifico The Terminal. Nesse ano trabalha ainda com os Coen em The Ladykillers e faz parte do projecto pioneiro de Robert Zemeckis The Polar Express. Entretanto assina contracto para viver uma das mais desejadas personagens dos últimos ano, Harry Langdon, estando prestes a estrear The Da Vinci Code, onde assina o seu segundo filme com Ron Howard. Como actor e produtor a sua carreira está repleta de sucessos e o céu é o limite para Tom Hanks, um actor para todas as geraçóes.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Recomendamos