quinta-feira, 22 de junho de 2017

Han Solo sem realizadores, mas estreia mantém-se para 2018


Os realizadores Phil Lord e Christopher Miller já não vão levar até ao fim o spin of da saga Guerra das Estrelas dedicado a Han Solo. A dupla, conhecida pela irreverência de títulos como O Filme Lego e Agentes Universitários (21 Jump Street), ambos de 2014, e que lhes garantiu notoriedade pública, foram dispensados pela Lucasfilm.

Num comunicado divulgado terça-feira no site oficial da produtora, Kathleen Kennedy, a presidente, diz que “Phil Lord e Christopher Miller são cineastas talentosos, que juntaram um elenco e uma equipa incríveis”. No entanto – acrescenta –, “tornou-se claro que tínhamos visões diferentes para o filme, pelo que decidimos separarmo-nos”. Kennedy acrescenta que “um novo realizador será anunciado em breve”, e que a estreia continua marcada para 25 de Maio de 2018.

O novo “episódio” da vida de Han Solo, a personagem interpretada na saga por Harrison Ford, estava a ser realizado pela dupla de realizadores desde Janeiro, mas a oportunidade de continuar a participar nesta viagem intergaláctica foi agora interrompida.

Lord e Miller reagiram à situação, também em comunicado, dizendo que normalmente não são fãs da expressão “diferenças criativas’”, mas admitindo que, “neste caso, o cliché é verdadeiro”. Apesar disso, afirmam-se “muito orgulhosos pelo excelente trabalho desenvolvido [até então] pelo elenco e por toda a equipa”.

Apresentado apenas com a designação Untitled Han Solo Star Wars Anthology Film, este projecto da Lucasfilm tem como argumentistas Lawrence Kasdan e Jon Kasdan, e um elenco que conta com nomes como Emilia Clarke, Woody Harrelson, Phoebe Waller-Bridge e Donlad Glover, entre outros.

O filme vai explorar as aventuras de Han Solo e do seu inseparável companheiro, Chewbacca, antes dos acontecimentos do primeiro filme da saga, Guerra das Estrelas: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977).

Informação retirada daqui

sábado, 17 de junho de 2017

Jacques Cousteau, o senhor dos oceanos, volta a mergulhar no cinema


Se os oceanos eram silenciosos, Jacques Cousteau agitou-os. Mergulhador, inventor, explorador, realizador e, entre outras ocupações, um divulgador dos oceanos que lhes deu voz através das suas expedições, dos livros que escreveu e dos filmes e séries que fez. O inconfundível Jacques Cousteau de gorro vermelho, camisola de gola alta e óculos de aros finos já está nas salas de cinema portuguesas em A Odisseia, um filme com algumas das suas aventuras.

A 11 de Junho de 1910 nascia Jacques-Yves Cousteau em Saint-André-de-Cubzac, no Sudoeste da França. Desde muito cedo que teve um interesse pela água e por objectos mecânicos. “Quando tinha quatro ou cinco anos, adorava tocar a água. Fisicamente, sensualmente”, disse uma vez em entrevista. Jacques Cousteau terá começado a mergulhar aos dez anos nas águas frias de um lago nos Estados Unidos e aos 13 anos comprou a sua primeira câmara de filmar.

Todos estes ingredientes viriam a ser essenciais nas suas futuras expedições. Mas antes ainda ingressou na Academia Naval, estudou na Escola de Aviação Naval e fez parte da Marinha francesa. Em 1937, casou com Simone Melchior com quem teve dois filhos, Jean-Michel e Philippe Cousteau.

Aliás, é com os seus filhos a observar o céu estrelado ou a mergulhar que começa o filme realizado pelo francês Jérôme Salle e com Lambert Wilson a encarnar Jacques Cousteau. Mas voltemos ainda às suas invenções. Foi durante a II Guerra Mundial que viria a reinventar o escafandro autónomo. “O primeiro Verão passado no mar com o Aqualung, o escafandro autónomo, foi um tempo memorável. Estávamos em 1943, em plena guerra, e o meu país estava ocupado”, escreveu Jacques Cousteau no livro O Mundo do Silêncio, de 1953, e que depois deu um filme.

Cousteau com a sua mulher Simone Melchior e os seus filhos Jean-Michel e Philippe Cousteau DR
Nos anos 30, mergulhar não era como hoje. Para se estar debaixo de água durante muito tempo, os mergulhadores precisavam de vestir fatos enormes e pesados para fazer frente à pressão e dependiam do ar fornecido por um tubo ligado a uma bomba de um barco à superfície. Se fosse perto da superfície, havia quem mergulhasse mesmo sem escafandro: com uma máscara, óculos, barbatanas e um tubo. Cousteau ainda experimentou vários aparelhos respiratórios autónomos com base em circuitos fechados de ar comprimido contido em garrafas, mas sem êxito.

Foi quando conheceu Émile Gagnan, engenheiro na empresa francesa Air Liquide, que tudo mudou. Gagnan disse-lhe que o principal problema era fazer com que a pressão do ar nas garrafas fosse sempre igual à pressão da água. Criou-se então um regulador do escafandro, uma peça que debita o ar à pressão do ambiente. A inspiração foi um regulador de pressão que era usado nos motores dos automóveis a gás. “Quando mergulhamos, sentimo-nos como se fôssemos anjos. Libertamo-nos do nosso peso”, disse numa entrevista já depois da invenção. No filme A Odisseia, vêem-se já os mergulhadores a nadar como peixes.

Um dos protagonistas do filme é o famoso Calypso. Tinha sido um draga-minas da Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial, transformado depois em ferry. Cousteau veio a descobri-lo em Malta e foi o eleito para as suas expedições. O milionário Loel Guinness comprou-o e, depois, alugou-o por um valor simbólico a Cousteau. Logo em 1952 foi para o mar Vermelho, onde se fizeram as primeiras filmagens a cores a uma profundidade de 50 metros.

Esta foi também a casa onde se fez uma expedição ao mar Mediterrâneo, Golfo Pérsico, mar Vermelho e ao oceano Índico. Daí resultou o filme O Mundo do Silêncio, de 1956, que recebeu uma Palma de Ouro de Cannes. No cinema, Jacques Cousteau ainda venceu o Óscar de melhor curta-metragem por Peixe Vermelho, de 1959; ou de melhor documentário por Mundo sem Sol, de 1964. Na televisão ficou conhecido com séries como A Odisseia de Jacques Cousteau.

O Calypso passou também por Portugal. No final dos anos 60, a embarcação esteve nos Açores e foi aí que Margarida Farrajota, agora com 67 anos, conheceu o comandante Cousteau. A actual presidente do Centro Português de Actividades Subaquáticas começou a mergulhar cedo, tal como Jacques Cousteau, logo aos 11 anos. Já conhecia o trabalho de Cousteau através do filme O Mundo do Silêncio e dos meios de comunicação social. Margarida Farrajota recorda que Cousteau dizia que as águas dos Açores “eram infinitamente transparentes.”

Se no filme o Calypso se mostra imponente pelos oceanos e chega à Croácia, África do Sul, Baamas, ou até mesmo à Antárctida, a verdade é que em 1996 as suas aventuras mudaram de rumo. Foi abalroado por uma barcaça no Porto de Singapura e acabou por se afundar. O navio foi rebocado, apenas em 2007, para o Porto de Concarneau, em França, para ser restaurado nos Estaleiros Piriou. Contudo, dois conflitos dificultaram a sua restauração e, em 2013, ainda estava a apodrecer no Porto de Concarneau.

Um dos conflitos foi entre Francine Cousteau, a segunda mulher de Jacques Cousteau, e o filho do primeiro casamento do oceanógrafo, o que provocou atrasos; e o outro conflito foi entre os estaleiros e a Equipa Cousteau (organização para a protecção dos oceanos com sede em França, presidida por Francine Cousteau), e que está relacionado com pagamentos da recuperação do navio. Actualmente, o Calypso já está a ser restaurado.

O filme também retrata a relação, algumas vezes turbulenta, com a sua primeira mulher Simone Melchior, interpretada por Audrey Tautou. Em entrevista à distribuidora de filmes Wild Bunch, a actriz francesa diz que Simone Melchior foi a “verdadeira comandante do Calypso durante quase 40 anos”. Vivia praticamente na embarcação e não era muito filmada. Além disso, sabia das traições de Jacques Cousteau com outras mulheres. “Simone queria uma vida independente. Queria ser diferente dos estereótipos do seu tempo”, realça Audrey Tautou.

Já Francine Cousteau não é mencionada em A Odisseia, em cujo final é referido que a Equipa Cousteau não teve qualquer ligação ao filme – esta organização não considera, aliás, o filme como uma biografia oficial de Jacques Cousteau. Mas Emmanuelle Castro, da distribuidora Wild Bunch, sublinha que esta é a primeira biografia ficcionada de Cousteau no cinema.

A relação com o seu filho Philippe Cousteau também é muito realçada no filme. Pierre Niney é quem veste a pele de Philippe Cousteau e diz na entrevista da Wild Bunch: “Philippe é uma personagem menos conhecida. Co-realizou muitos dos documentários com o seu pai e foi uma personagem muito importante na aventura de Cousteau.” Em A Odisseia é-nos transmitido que Philippe Cousteau – que acabou por morrer em 1979, num acidente de avião em Portugal, no rio Tejo – se preocupava com o ambiente e confrontou o pai com a sua indiferença inicial sobre o assunto.

A viragem de Jacques Cousteau para o ambiente, no filme, dá-se na expedição à Antárctida quando vê restos de baleias caçadas. Margarida Farrajota conta que a preocupação de Jacques Cousteau com o ambiente marinho começou nos anos 70, precisamente quando foi à Antárctida e abandonou a Confederação Mundial das Actividades Subaquáticas, por esta não acabar com a realização de campeonatos de caça submarina.

“A partir de então, as suas expedições e respectiva divulgação passaram a ter uma componente ambientalista e de preservação das espécies”, conta a mergulhadora portuguesa. Jacques Cousteau trouxe para primeiro plano a conservação dos oceanos e, além de conferências pelo mundo, fez campanha para que a exploração mineira continuasse a ser proibida no “Continente Branco”, quando o Tratado da Antárctida foi revisto, no início dos anos 90, e prorrogado até 2041.

São todas estas facetas de Cousteau que vemos no filme. “A Odisseia não é definitivamente uma hagiografia. O filme mostra que a indústria do petróleo financiou os seus trabalhos iniciais, que concordou com compromissos dos canais de televisão norte-americanos para que financiassem os seus filmes, que a sua relação com a sua mulher oscilava e que a sua consciência ecológica despertou mais tarde. Esta é uma surpresa para o público, que tem uma imagem diferente de Cousteau…”, revela numa entrevista, também da distribuidora do filme, Lambert Wilson. “Cousteau era um excelente divulgador dos oceanos, com um ego do tamanho do mundo”, diz, por sua vez, Margarida Farrajota. E destaca ainda a importância da adaptação do escafandro e do regulador ao meio subaquático: “Colocou o equipamento ao alcance dos futuros mergulhadores, para além de uma elite restrita.”

Jacques Cousteau morreu há 20 anos, quando tinha 87 anos. Por altura da sua morte, o biólogo marinho Luiz Saldanha (1937-1997) escrevia: “Cousteau foi o grande divulgador do mar.” Já Mário Ruivo (1927-2017), também na altura coordenador da Comissão Mundial Independente dos Oceanos, afirmava: “Foi um dos primeiros membros da nossa espécie a ver os oceanos não como uma avenida e uma superfície, mas como um espaço tridimensional.”

E hoje será ainda um ícone? O realizador Jérôme Salle conta que, quando falou com o seu próprio filho sobre Jacques Cousteau, ele não sabia nada sobre o explorador, os seus filmes, o Calypso ou a sua “equipa de gorro vermelho”. “Pareceu-me incrível. Porque para as pessoas da minha geração o comandante Cousteau era quase como Jesus, um dos homens mais famosos do mundo.” Para Margarida Farrajota, as novas gerações também não conhecem tão bem Jacques Cousteau, um homem que relembra da seguinte forma: “Quando falava, todos escutavam com magia e encanto. Conseguia galvanizar e transmitir como ninguém esse fascínio pelo mundo subaquático.”

Como Jacques Cousteau disse um dia: “A água sempre me fascinou. A água, e não apenas o mar. Entrar na água, para mim, é como sentir um beijo em todo o corpo.”

Informação retirada daqui

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Palmira Martins de Sousa Bastos

Actriz de teatro portuguesa, filha de pais espanhóis, gente modesta que fazia teatro de terra em terra. Ele de Valhadolid e a mãe de Santiago de Compostela. Passavam perto de Alenquer quando a mãe sentiu as dores de parto. Como era a terceira filha, o pai, antevendo mais despesas desapareceu, antes de ver o bebé. A mãe procurou trabalho em Lisboa, como costureira e à noite actuava como corista no Teatro Trindade. Conheceu o empresário António Sousa Bastos quando passou para o Teatro da Rua dos Condes. Maria da Conceição (Palmira mais tarde) ia com a mãe e o teatro foi o seu lar. Nunca desejou ser mais nada. Quando aos 15 anos teve oportunidade, subiu ao palco. Era o dia 18 de Julho de 1890 depois foi uma carreira de sucesso ininterrupta. Em 1893 passa para o Teatro Nacional de D. Maria III e vai na sua primeira digressão ao Brasil. Casou, em 1894 com o empresário Sousa Bastos, mais velho trinta anos. Palmira Bastos, de seu nome artístico teve um repertório variado e era tão brilhante na revista como na tragédia. Em 1920 passa para a Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro. Em 1965 festejou com brilho e repercussão no País os seus 90 anos, e 75 de carreira. Teve grandes homenagens num país normalmente pouco dado a reconhecer em vida o mérito dos seus maiores. Palmira Bastos era amiga da rainha D. Amélia e quando a ex-rainha esteve em Portugal, nos anos 40, ambas recordaram as actuações brilhantes da actriz. Palmira Bastos trabalhou praticamente até ao fim da vida, sempre lúcida e entusiasmada. É mais um dos nomes maiores do Teatro português.

Biografia retirada de O Leme

terça-feira, 13 de junho de 2017

Henrik Ibsen


Henrique Ibsen nasceu em Skien, pequena cidade do sul da Noruega, no seio de uma família de profissionais da marinha mercante. Passou 6 anos da sua infância, de 1836 a 1842, na situação de grande pobreza devido aos negócios de seu pai não terem corrido de feição, o que o levou a empregar-se, ainda muito jovem, como aprendiz de farmácia em Grimstad. Permaneceu nestas funções até 1849, altura em que entrou para o Curso de Medicina da Universidade de Cristiânia (antigo nome de Oslo). Escrevera, entretanto, o drama em três actos Catilina, inspirado nos estudos que fizera da obra homónima de Cícero. O êxito obtido com esta peça desviou-o completamente do curso de medicina. Em Novembro de 1851, empregou-se como gerente do Teatro de Bergen. Em 1856, teatros noruegueses e suecos apresentaram o seu primeiro drama: O Banquete de Solhang. Em 1857, passou a desempenhar as funções de director do Teatro Norueguês em Cristiânia, tendo feito representar três peças suas, entre as quais A Comédia do Amor. Mas se as suas peças foram um êxito, o mesmo não se poderá dizer do modo como administrou o teatro que acabaria por ir à falência. Tendo tido dificuldade em se empregar, vai para o estrangeiro durante 10 anos, primeiramente para Roma e posteriormente para Dresda. Mandaria, no entanto, as peças que ia escrevendo para o seu país natal. Em 1891, volta à Noruega, fixando-se em Cristiânia. Entre as suas principais ideias poder-se-á referir a suprema importância que deu ao carácter individual da personalidade e a sua crença de que o maior mal que se pode cometer é o da negação do amor. Viu no desenvolvimento e florescimento psíquico do indivíduo a unica esperança de uma sociedade realmente culta, tendo combatido contra o cristianismo convencional em nome de um Cristianismo mais genuino e intenso.

Alguns das suas obras em português apresentam títulos ligeiramente diferentes dos a seguir referenciados. Tal deve-se a opções de tradução do norueguês para português. Por exemplo, a peça Os Pilares da Comunidade já foi traduzida como As Colunas da Sociedade...
Catilina (1849)
O Túmulo do Guerreiro (1849)
A Noite de São João (1853)
A Senhora Inger de Oestrat (1855)
A Festa de Solhaug (1856)
Olav Liljkrants (1857)
Os Guerreiros de Heligoland (1858)
A Comédia do Amor (1862)
Os Pretendentes à Coroa (1864) drama histórico Brand (1866) poema dramático
Peer Gynt (1867) poema dramático
A Liga da Juventude (1869) comédia política
Imperador e Galileu () drama histórico
Os Pilares da Comunidade (1877)
A Casa de Boneca (1879)
Espectros (1881)
Um Inimigo do Povo (1882)
O Pato Selvagem (1884)
Rosmersholm (1886)
A Dama do Mar (1888)
Hedda Gabler (1890)
Solness, o Construtor (1892)
O Pequeno Eyolf (1894)
João Gabriel Borkman (1896)
Quando Andamos entre os Mortos (1899)
Extractos

O presente extracto tem por intuito levar os eventuais utilizadores do Canal de Biografias do Portal O Leme a conhecer um pouco do estilo do autor, constituindo, simultaneamente, um incentivo para uma leitura global. 
Extracto do final do III Acto de OS PILARES DA COMUNIDADE

Esta peça retrata a falsidade em que a nossa sociedade vive,
preocupada essencialmente em salvar a todo o custo as aparências

[...]
Aune entra pelo jardim com Olaf.

BERNICK, dirigindo-se para ele - Olaf !
OLAF - Pai, prometo que não voltarei a fazer isto !
BERNICK - A fugir ?
OLAF - Sim. Nunca mais !...
BERNICK - E eu prometo-te que não voltarás a ter vontade de sair daqui... No futuro poderás viver livremente, não como herdeiro do que fiz, mas como alguém que tem o seu próprio trabalho...
OLAF - Deixa-me fazer tudo o que eu quiser ?
BERNICK - Deixo.
OLAF - Obrigado... Não quero ser pilar da comunidade !
BERNICK - Não ? Porquê ?
OLAF - Porque deve ser muito aborrecido...
BERNICK - Serás o que quiseres !... As coisas devem seguir os seus trâmites... Quanto a ti, Aune...
AUNE - Já sei... Estou despedido...
BERNICK - Não nos separamos... Desculpa...
AUNE - O que ?! O barco não parte esta noite !
BERNICK - Nem amanhã... Dei-te, na verdade, muito pouco tempo... O trabalho deve ser feito convenientemente...
AUNE - E há-de ser, senhor !... Utilizando as novas máquinas...
BERNICK - Sim, mas com consciência... Há muitas coisas que precisam de uma rigorosa vistoria... Boa noite, Aune
AUNE - Boa noite, senhor. Muito obrigado!

Sai pela direita

MARTA - Agora já todos partiram...
BERNICK - E estamos sós... O meu nome já não brilha em letras de fogo... todas as luzes das janelas se apagaram...
LONA - Queres que as acendam outra vez ?
BERNICK - Nem pensar nisso... Onde estive eu ? Ficarão espantados quando souberem. Parece que recuperei os sentidos depois de ter sido envenenado... Sinto que posso ser outra vez novo e forte... Vem cá, Betty ! E tu, meu filho ! Vem para aqui, Marta... parece que não vos vi durante estes anos...
LONA - Acredito... Esta comunidade é quase toda constituída por solteirões... Vêem-se poucas mulheres...
BERNICK - É verdade !... E por essa razão, está decidido, Lona... não deixarás de estar ao pé da Betty e de mim.
SENHORA BERNECK - Não deves sair daqui, Lona !
LONA - Como seria eu capaz de deixar pessoas tão novas que estão prontas para começar agora a sua vida ? Sou a vossa mãe adoptiva... Marta, tu e eu somos duas solteironas... O que é que estás a ver ?
MARTA - O céu está a ficar muito claro... Do lado do mar... O «Palmeira» vai ter boa viagem...
LONA - A bordo haverá pessoas muito felizes !
BERNICK - Ao passo que nós temos à nossa frente um dia de trabalho... principalmente eu... Enquanto vos tiver junto de mim, a vós, mulheres fiéis e verdadeiras, sinto-me bem... Nestes últimos dias aprendi também que são elas os autênticos pilares da comunidade...
LONA - Então aprendeste mal... (Pondo-lhe as mãos nos ombros.) Ouve, os pilares da comunidade são o espírito de justiça e de liberdade.

CAI O PANO

Os Pilares da Comunidade, tradução e introdução de Mário Delgado, Lisboa, Editorial Presença, 1964

Biografia retirada daqui

domingo, 11 de junho de 2017

Amélia Rey Colaço


Actriz e encenadora de teatro. Portuguesa, filha de um pianista de renome, Alexandre Rey Colaço, que foi professor do último rei de Portugal D. Manuel II. Teve quatro filhas e todas educou nas artes. Amélia desde jovem que se apaixonou pela arte de representar. Aos catorze anos já sabia que ia ser actriz e o pai proporcionou-lhe aulas com o mestre actor Augusto Rosa. Estreou-se em 1917 na peça Marinela, de Peres Galdós, no Teatro República (nome do actual Teatro São Luís). Foi uma das rainhas do palco com mais duas grandes actrizes, Palmira Bastos e Adelina Abranches. Casou em 1920 com Manuel Teles Jordão Robles Monteiro e tiveram uma filha, também actriz. 

O casal criou, em 1921, a Companhia com o nome de ambos que actuou de início no Teatro Nacional de São Carlos, depois Politeama, o Ginásio, seguiu-se o Trindade e, em 1929, estavam no Teatro Nacional D. Maria II, onde transformaram uma casa velha numa verdadeiro sala de teatro. A nº 1 de Lisboa. A Companhia extinguiu-se em 1974, mas a vida como actriz continuou até ao fim. Amélia Rey Colaço teve uma carreira fulgurante onde se contam sucessos nas peças "Salomé", "Outono em Flor", "Um Marido Ideal", "Romeu e Julieta". "A Visita da Velha Senhora" e "As Árvores Morrem de Pé". A actriz e a sua Companhia foram também uma preciosa escola de actores. Coube a Amélia Rey Colaço a iniciativa de levar ao público peças de autores portugueses como António Ferreira (O Judeu) José Régio, Alfredo Cortez, Virgínia Vitorino, Carlos Selvagem, Romeu Correia, Bernardo Santareno, Luís de Stau Monteiro, entre outros. 

Foi muito acarinhada na sua carreira tendo sido amiga pessoal da rainha D. Amélia de Orleães e Bragança e depois da queda da monarquia de todos os que amam o teatro. Fez ainda, no cinema mudo, o papel de Luísa no filme "O Primo Basílio" de Eça de Queiroz. Com mais de 80 anos entrou na série de humor da RTP, "Gente Fina é Outra Coisa". O último grande papel desempenhou-o aos 87 anos na figura de D. Catarina na peça de José Régio "El Rei D. Sebastião".

Informação retirada daqui

domingo, 7 de maio de 2017

Biografia de Romy Schneider

Falar de Romy Schneider, passados pouco mais de vinte anos sobre o seu desaparecimento, em Maio de 1982, é recordar paralelamente os anos de ouro da minha juventude, quando os filmes, as actrizes e os actores nos marcavam de uma forma profunda e povoaram o nosso imaginário.

Romy Schneider como Sissi A televisão ainda não tinha chegado a todas as casas portuguesas, daí o culto pelo cinema começar bem cedo nos adolescentes e «quase» adultos. Havia os óptimos Cine Clubes por todo o lado, revistas de cinema de todo o género e nas praias de veraneio os bilhetes eram tão baratos que dava para ir ao cinema todos os dias. Víamos praticamente tudo, e nos nossos 18 anos sonhávamos com Grace Kelly, Catherine Deneuve, Ornela Mutti, Claudia Cardinale, Shirley MacLaine ou a doce de olhos dourados Marie Laforêt. As que tinham mais «seguidoras» eram Audrey Hepburn e Romy Schneider. Havia ainda outras actrizes que faziam «grandes estragos» entre a rapaziada como Brigitte Bardot, Virna Lisi, Jane Fonda, Sofia Loren e Gina Lolobrigida, mas essas tinham a ver com as medidas do busto. Foram, quanto a mim, os anos gloriosos do cinema europeu.

A primeira vez que Romy Schneider chegou aos nossos ecrãs, foi no papel de jovem imperatriz Isabel de Áustria, mais conhecida por Sissi da Baviera (1837-1898). História romantizada de uma princesa de 17 anos (a idade de Romy) que casou com o imperador da Áustria, Francisco José e que poderia ter sido um conto de fadas mas que redundou num casamento fracassado. O imperador amava Sissi, mas, desde os primeiros tempos de casados, que o protocolo da corte austríaca pesou demasiado sobre uma personalidade rebelde e ávida de liberdade como a de Isabel da Baviera. Nem os filhos conseguiram apaziguar o carácter sensível e livre de Sissi, a quem até era vedado educar os filhos, numa corte onde a sogra tudo decidia, com regras de etiqueta dos tempos de Carlos V ( séc. XVI). Sissi jovem e irreverente bem tentou lutar contra a corrente, mas o simples facto de não pôr luvas às refeições eram uma crítica velada e Sissi a pouco e pouco Sissi transformou-se numa mulher caprichosa e desadaptada a viver numa prisão dourada. Isabel de Áustria era uma mulher dos finais do séc. XIX e tinha uma visão arejada do papel mulher fosse ela imperatriz ou não. O marido e imperador adorava a mulher, mas não enfrentava a mãe e o fosso entre os dois foi-se cavando. Francisco José para a compensar satisfazia-lhe todos os caprichos. Mesmo assim Sissi sentia-se infeliz. Dada a maus presságios, parecia antever as tragédias que se abateram sobre a sua família e sobre ela própria. Depois de ter perdido uma filha com apenas dois anos, por esta ter ficado aos cuidados da sogra e do batalhão de criadas, quando teve de viajar, a sua vida passou a ser uma constante fuga. Dos outros? Dela própria? Viajava, viajava sempre, como Joana a Louca em busca da paz, que não encontrou. O marido mandou construir uma sumptuosa carruagem decorada com grande luxo, onde não faltava um pequeno ginásio e que era atrelada aos comboios para assim a jovem imperatriz viajar incógnita pela Europa. Sissi sentia a falta dos filhos e compensava essa ausência na leitura de poesia. Era uma mulher culta que estudou o grego antigo e dominava várias línguas. Era grande amiga do primo Luís II da Baviera (rei entre 1864-1886) que ficou na História como o mecenas do compositor Richard Wagner, e mandou construir os mais fantásticos castelos da Europa. Diziam-no semi-louco e acabou afogado num lago. Sissi sofreu com esta segunda perda. Em 1860 nasceu finalmente o filho varão, mas a imperatriz ficou extremamente debilitada, sobreveio-lhe uma tuberculose e foi aconselhada a passar seis meses na Ilha da Madeira, para descansar. Foi uma passagem histórica pela ilha portuguesa tendo ficado hospedada na Quinta da Vigia. Sissi impunha-se uma dieta draconiana, praticamente composta apenas de frutos, caldos de aves e leite. Fazia exercício físico várias horas por dia, daí estar sempre adoentada e necessitar de acompanhamento constante do seu médico. Era uma exímia cavaleira. Teve um refúgio de luxo em Corfu, para onde partia e onde alguns amigos a visitavam, sob a vigilância da polícia secreta do imperador, que mandava logo afastar qualquer amigo mais íntimo da imperatriz.
Curioso que já nos últimos anos da vida de Sissi foi ela mesma quem encontrou para o marido uma companheira, que o fizesse esquecer as suas ausências. Sissi foi além de imperatriz da Áustria, coroada, em 1857, rainha da Hungria, e foi neste país que provavelmente terá vivido os mais felizes tempos da sua vida atribulada. Teve aqui a sua última filha, Maria Valéria, que foi educada como uma húngara. O imperador que nunca deixou de amar a imperatriz pensou, quando esta filha nasceu que finalmente a sua mulher ia voltar para casa, mas Sissi era como uma ave errante e a liberdade era para ela como o ar que respirava.
Sissi quando percebeu que a sua imensa beleza estava a passar nunca mais se deixou fotografar nem pintar. Dela ficaram para sempre imagens de uma beleza indiscutível. A fatalidade bateu-lhe diversas vezes à porta e a sua morte foi um dramático acidente, porque foi assassinada por um anarquista que era contra as monarquias mas que não premeditara matá-la a ela especificamente. Em Setembro de 1898 foi apunhalada, quando em Genebra se preparava para apanhar um barco para Montreux. A notícia deixou toda a Europa consternada, porém nem todos os austríacos nutriam por Sissi grande simpatia, porque, diziam, que o seu dever era ter estado sempre ao lado do marido. Em 1998 na passagem do centenário da sua morte os austríacos já tudo lhe tinham perdoado. Hoje é adorada por toda a Áustria e até os historiadores reconhecem que Sissi teve uma acção importante como apaziguadora de tensões entre povos que faziam parte do imenso império Austro-Húngaro.

Romy Schneider foi uma maravilhosa Sissi no cinema, em cinco filmes de enorme sucesso e teve alguma dificuldade em se separar dessa imagem, mas como tinha verdadeiro talento acabou por se impor como actriz universal. Quando foi convidada, em 1958, para fazer o filme Christine com Alain Delon, a mãe, já uma reputada actriz acompanhou-a a Paris, vigiando-a de perto. Como Romy não sabia francês, nem inglês os primeiros tempos das filmagens não foram nada fáceis e sabe-se que o amor entre Romy e Delon só surgiu já as filmagens iam adiantadas e quando puderam finalmente ficar sós numa viagem que fizeram a Bruxelas para participarem no Baile do Cinema. Aí sim, descobriram uma fortíssima atracção e Romy, num acto de independência decidiu passar a viver em Paris, enquanto a mãe se viu forçada a regressar a Colónia, com o padrasto, percebendo que tinha «perdido» a filha. Romy Schneider tinha 20 anos e Alain Delon 23 e durante anos os fotógrafos não os deixaram em paz. Nesse período de euforia amorosa, os «namorados eternos» chegaram, em Março de 1959, a declarar «oficialmente» que estavam noivos. Jamais se casariam. Foram o par mais harmonioso e bonito do cinema europeu, como o foram, nos anos 90 Tom Cruise e Nicole Kidman.
Sob a direcção de Visconti, uma obra de John Ford com Romy e Delon foi adaptada ao teatro, em Paris, na primavera de 1961: Domage qu’elle soit une putain. Mais um desafio para Romy, que teve de dominar o francês e foi um razoável sucesso. Esteve oito meses em cartaz. A partir de então Romy passou a ser encarada como uma verdadeira actriz e não faltaram convites para filmar. A ex-Sissi fez questão de mostrar ao mundo que era muito mais que uma mulher deslumbrante, de uma beleza delicada, com uns olhos entre o verde e o azul num rosto perfeito, uma voz doce e um corpo de Afrodite. Podemos ver a sua beleza plena em fotos de vários fotógrafos, especialmente na série produzida pela fotógrafa britânica Eva Sereny em que posou nua, sem quaisquer inibições. Em 1963 já tinha na sua carreira dez filmes, pois iniciara a carreira aos 15 anos, num filme ao lado da mãe. Embora austríaca filmou também na Alemanha, em início de carreira.
Paris sorria-lhe. A grande dama da moda, Cocco Chanel adorava ver Romy vestida com os seus tailleurs e colares de pérolas e ficaram amigas. Usava-se o risco negro nos olhos, rímel, os lábios com baton vermelho e Romy aparecia sempre deslumbrante pois caprichava nas toilettes. Era elegantíssima, dentro e fora da tela. O realizador Visconti tornou-a num símbolo erótico, num episódio do filme Bocaccio 70. No ano seguinte Romy filmou O Processo, de Kafka com Orson Welles. A actriz contava que lhe chegavam às mãos centenas de guiões e que sempre os lia atentamente para apenas filmar bons argumentos com bons realizadores. Em 1963 foi a vez de Otto Preminger que consolidou a sua carreira de grande actriz internacional no filme O Cardeal. Foi dirigida por os mais prestigiados realizadores, como Claude Sautet, Claude Chabrol, Joseph Losey, Costa-Gavras. Andrzej Zulawski e tantos outros. E os actores, com quem contracenou, eram, sem dúvida «a nata» do cinema mundial: Jack Lemmon, Antony Quinn, Jean Claude Brialy, Jean-Louis Trintignant, Peter O’Toole, Michel Piccoli, Antony Perkins, Harvey Keitel, Hugo Tognazi, Marcello Mastroianni, Yves Montant, Richard Burton, Silvana Mangano, Jane Birkin, Isabel Huppert, Jeanne Maureau...
Romy Schneider e Alain DelonO seu filme de maior sucesso (que não o melhor) foi, em 1968, A Piscina. Nessa altura os eternos namorados, Romy Schneider e Alain Delon já tinham acabado a sua tórrida relação de cinco anos (entre 1958-1963) mas Romy não deixou de mostrar o seu profissionalismo, embora os media especulassem que o filme os podia fazer de novo cair nos braços um do outro. Mas tal não aconteceu. Delon diria mais tarde que, foi a partir deste filme que ficaram amigos para sempre! Talvez, mas Romy Schneider sofreu imenso quando Alain Delon a trocou de forma deselegante, por uma tal Nathalie Barthelemy. Romy filmava em Hollywood, e Delon em Madrid rodava A Túlipa Negra e deixava-se fotografar com Nathalie com quem viria a casar. Romy, um pouco por despeito, casou em 1964, com o realizador Harry Mayen. Do casamento de Romy nasceu David, esse filho adorado que a viria a marcar, até ao fim, a sua vida. Quando se divorciaram, em 1972, o marido exigiu-lhe metade da fortuna para que ela pudesse ficar com o filho e a actriz tudo deu por aquele filho que era a sua razão de viver. Cinco anos mais tarde esse desclassificado marido enforcou-se. 
A vida apesar de tudo sorria à bela Romy, que fez entre 1953 a 1982 sessenta e três filmes. De um segundo casamento com o seu secretário, Daniel Biasini, teve a filha Sara, em 1977. Mas Biasini não terá sido o companheiro ideal para uma Romy bastante fragilizada no domínio dos amores. Sucesso só no cinema, pois foi distinguida com dois Césares (os Óscares franceses) em 1976 e 1979, como melhor actriz nos filmes Une histoire simple e L’Important c’est d’aimer. Na vida privada Romy sofria depressões e sabe-se que se refugiava no álcool e comprimidos e que parava para fazer curas de desintoxicação. O cinema e os filhos davam-lhe sentido à vida.
Por fim a tragédia. Como na vida da imperatriz Sissi, que viu o seu filho Rodolfo suicidar-se com a amante do momento (hoje sabe-se que foram assassinados), também Romy passou pelo transe de ver o filho David morrer de forma trágica, espetado nas lanças do gradeamento que protegia a casa da actriz. Estava-se em 1981 e David tinha apenas 14 anos. Romy Schneider não mais se recompôs dessa dor insuportável. Tinha a filha Sara, ainda muito pequena e resolveu comprar uma propriedade e ir viver para o campo. Já separada de Biasini e com um novo companheiro passou a viver em Boissy-Sans-Avon e numa manhã triste de Maio de 1982 encontraram Romy morta. Tinha 43 anos. O mundo ficou consternado com a sua morte. A França que sempre considerou Romy Scnheider como «sua», em 1995 fez a emissão de uma moeda de ouro de cem francos com o seu rosto.
Para culminar, em Dezembro de 1999 a Fígaro Magazine fez um grande inquérito sobre as dez mais belas mulheres do século XX e Romy Schneider ficou em primeiro lugar, logo seguida de Ava Gardner. Embora as gerações mais novas a não conheçam, um dia, quem sabe, um qualquer canal de televisão reporá os seus melhores filmes e provavelmente será moda imitar Romy Schneider, como se copiam Elvis Presley, James Dean, Marylin, Diana de Gales... Os ídolos têm mortes trágicas! 

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ademar de Almeida Gonzaga

Ator, jornalista, crítico, diretor, produtor e cineasta brasileiro nascido no Rio de Janeiro, RJ, pioneiro do cinema brasileiro, fundador do primeiro cineclube do Brasil (1912) e criador do mais completo estúdio de sua época, a Cinédia, estúdio até hoje em funcionamento, embora atendendo mais a produções de televisão. Foi crítico das revistas Palcos & Telas e Paratodos e fundador da revista Cinearte (1926-1942). Pesquisador, historiador, produtor, roteirista, ator e diretor de cinema, esteve três vezes em Hollywood para aprender a técnica e adquirir equipamentos para suas produções. Foi parceiro de Paulo Emílio Salles Gomes num básico livro-tese sobre Humberto Mauro, o ciclo de Cataguazes e a importância da Cinearte. Escreveu, produziu e dirigiu quase quarenta filmes, sendo que e alguns tornaram-se clássicos como Ganga bruta (1933), de Humberto Mauro, Bonequinha de seda (1936), de Oduvaldo Viana, O samba da vida (1937) e O cortiço (1945), ambos de Luís de Barros, e Pureza (1940), de Chianca de Garcia. Entre os filmes que dirigiu fizeram sucesso Barro humano (1929), Alô, alô, carnaval (1936), Romance proibido (1944) e Salário mínimo (1970). Morreu no Rio de Janeiro e dez amos depois sua filha, Alice, organizou o livro-álbum 50 anos de Cinédia, e também produziu em parceria com Carlos Aquino, Gonzaga Por Ele Mesmo (1988), que mostra sua importância dentro do pioneirismo do cinema brasileiro, os filmes produzidos (1930-1960), os bastidores da revista Cinearte etc.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Adelino Fontoura

Adelino Fontoura (A. da F. Chaves), ator, jornalista e poeta, nasceu na povoação, hoje cidade, de Axixá, à margem esquerda do rio Mearim, no Maranhão, em 30 de março de 1859, e faleceu em Lisboa, Portugal, em 2 de maio de 1884. É o patrono da Cadeira n. 1, por escolha de Luís Murat. 

Foram seus pais Antônio Fontoura Chaves e d. Francisca Dias Fontoura. Aos dez anos, concluído o primário, começou a trabalhar no comércio. Durante dois anos manteve contato com Artur Azevedo, quatro anos mais velho, que também trabalhava em armazém. Teriam os dois começado, então, os seus sonhos de homens de letras incipientes. Artur foi para o Rio de Janeiro e Adelino alistou-se no Exército, em Pernambuco, e lá passou a colaborar no periódico satírico Os Xênios. Em 1876 esteve no Maranhão, participando de representações teatrais, como o ator Fontoura. Após uma experiência que lhe custou a prisão, em virtude de um papel que representou no teatro, deliberou mudar-se para o Rio de Janeiro e ali procurou o amigo Artur de Azevedo. Queria ser jornalista e entrar para o teatro. Nada conseguindo em teatro, foi admitido na Folha Nova, de Manuel Carneiro. Depois Lopes Trovão deu-lhe um lugar no recém-fundado jornal O Combate, onde publicou muitos de seus poemas. 

Em 1880, Artur Azevedo o chamou para ser seu companheiro no jornal A Gazetinha. Pouco antes, fundara-se a Gazeta da Tarde, de Ferreira de Menezes. Adelino ali publicou numerosos trabalhos de prosa. Informa Múcio Leão que A Gazeta da Tarde "foi um dos jornais mais azarentos que tem havido o mundo." Começou esplendidamente, e tinha como seus diretores e principais redatores Ferreira de Menezes, Augusto Ribeiro, Hugo Leal, João de Almeida e Adelino Fontoura. Três anos depois, nenhum desses rapazes existia mais. 

Adelino Fontoura viveu nessa fase de sua vida uma paixão não correspondida. Sentindo-se doente, decidiu ir para a Europa. Em 1o de maio de 1883 partiu, no navio Gironde, para Paris, como representante da Gazeta da Tarde, que então havia sido comprada por José do Patrocínio. Lá esperava encontrar melhoras para a saúde, mas deparou-se com insuportável inverno. Viajou para Lisboa, para onde seguiu José do Patrocínio, na esperança de convencê-lo a embarcar de volta para o Brasil. Seu estado de saúde era crítico, por isso foi internado no Real Hospital São José, onde veio a falecer aos 25 anos de idade, justamente quando poderia produzir toda uma obra poética de mérito literário. 

Ao fundar-se a Academia, em 1897, seu amigo Luís Murat escolheu-o como patrono da cadeira por ele criada. É o único caso de um patrono na Academia que não tinha livro publicado. Em vida, ou não atribuíra muita importância a seus trabalhos para reuni-los em livro, ou confiara em não morrer tão cedo. Após a morte, várias tentativas foram feitas para reunir a obra dispersa do poeta. A Revista da Academia (n. 93 e n. 117) publicou-lhe quase todas as poesias conhecidas. 

No suplemento Autores e Livros, em 17 de outubro de 1943 (vol. 5o, n. 13), Múcio Leão apresentou em conjunto a obra do malogrado escritor. Conseguiu reunir perto de quarenta poesias, às quais juntou alguns trabalhos de prosa. Em 1955, saiu o volume Dispersos, de Adelino Fontoura, na série Inédita da Coleção Afrânio Peixoto, com informação de Múcio Leão sobre a vida e a obra esparsa do poeta.


Informação retirada daqui

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Greta Garbo


Actriz de cinema de sueca, de seu nome completo Greta Lovisa Gustafsson naturalizada norte-americana, conhecida por "a divina". Já tudo foi dito sobre esta mulher de rosto perfeito, com uma fotogenia fantástica, nascida em Estocolmo e radicada nos EUA desde 1925. Aos 15 anos órfã de pai, trabalhou loja de modas. Descoberta pela publicidade foi convidada por E. A. Petschler para figurar num pequeno filme como banhista. Entrou para a Real Academia de Arte Dramática de Estocolmo, em 1922 e no ano seguinte faz o primeiro casting para cinema. Trabalhou com Mauritz Syiller, que lhe deu o apelido de Garbo. A sua celebridade seria conquistada nos EUA onde trabalhou no cinema mudo que transpôs para o cinema sonoro sem quaisquer problemas devido à sua voz profunda e sensual. O seu ar andrógino e frio criou o mito. As suas paixões foram um mistério e passou a sua longa vida sem nunca casar. Os papéis no grande ecrã são hoje, muitos deles, filmes de culto como "Amor", 1927, "A Mulher Divina" e "A Dama Misteriosa", 1928, "O Beijo", 1929, "Romance", 1930 "Inspiração", "Mata Hari", 1932, "A Rainha Cristina", 1934, "Ana Karenina", 1935, "Camille", (para os críticos o seu melhor filme) e ainda "Margarida Gautier", 1936, "Maria Walewska" (1937) "Ninotchka", 1939 e "A Mulher de duas caras", 1940 último filme em que entrou. Deixou de aparecer em 1947. Em 1955 recebeu o Óscar da Academia pelo conjunto da sua carreira. Saiu de cena no auge da fama tendo conquistado um lugar único na 7ª Arte.

Biografia retirada daqui

sábado, 29 de abril de 2017

Walt Disney

Walt Disney nasceu em Chicago, no dia 5 de Dezembro de 1901. Era um dos 5 filhos de Elias Disney e Flora Call Disney (4 rapazes e uma rapariga).
 Rato Mickey
Depois do nascimento de Walt, a família Disney mudou-se para Marceline, no Missouri, onde Walt viveu a maior parte da sua infância.
Walt demonstrou, desde muito novo, interesse pela arte. Para fazer dinheiro extra vendia, com frequência, desenhos aos seus vizinhos.
Estudou arte e fotografia, tendo ingressado na High School de McKinley, em Chicago.
Em 1918, Durante a primeira grande guerra, Disney tentou alistar-se no serviço militar mas foi rejeitado devido a ter, na época, apenas 16 anos de idade. Walt ofereceu, então, os seus préstimos à Cruz vermelha, tendo sido enviado para França, onde permaneceu um ano guiando uma ambulância a qual, em vez de ostentar uma camuflagem normal, estava coberta por desenhos seus.
Após o seu regresso de França, iniciou, com uma pequena companhia chamada Laugh-O-Grams, a sua carreira em arte comercial. Devido ao pouco sucesso que obteve com esta empresa, resolveu rumar a Hollywood e aí começar de novo.
Em 1928, surge a sua primeira personagem, o rato Mickey, à qual se seguem, nos anos seguintes, inúmeras outras: Donald, Pateta, Pluto, tio Patinhas, Minnie...
Em 1937, realiza a sua primeira longa metragem de animação: Branca de Neve e os 7 Anões.. Seguiram-se inúmeras outras produções, umas com imagens animadas, outras com imagens reais, outras, ainda, fundindo os dois géneros como Mary Poppins (1964).
Para além de estúdios cinematográficos, o vasto império criado por Walt Dysney inclui diversos parques temáticos (Disneylândia, Eurodisney...), inúmeros canais de televisão e elevados rendimentos originados na venda directa de filmes e livros e nos direitos de utilização por outras entidades das imagens dos personagens.
Walt Disney transformou-se numa lenda, tendo criado, com a ajuda da sua equipa, todo um universo de referências no imaginário infantil de sucessivas gerações. As suas histórias facilmente compreensíveis, reflectem os valores médios da tradição americana.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Maria Magdalene von Losch Felsing - Marlene Dietrich

Actriz norte-americana de cinema de origem alemã, naturalizada norte-americana, nasceu em Berlim. Começou por fazer cinema mudo e o seu primeiro sucesso data de 1930, quando o realizador Josef Von Strenberg que lhe deu o papel de Lola, uma cantora de cabaré no filme "Anjo Azul".Viveu em Hollywood e rodeou-se de uma aura de vedeta. Perfeccionista com um rosto fora do vulgar, extremamente fotogénica e detentora de umas pernas perfeitas que foram, com as sobrancelhas finas e em arco a sua imagem de marca. Dos filmes em que foi vedeta salientam-se "A sede do mal" de Orson Wells, "Marrocos" (1939), "Expresso de Xangai" (1932) e "Cidade Turbulenta" (1939). Com Greta Garbo encarnaram as "divas" supremas do cinema dos anos 40.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Claudette Colbert pseudónimo de Lily Cauchoin (1903-1996)

Actriz de origem francesa, emigrou com a família para os EUA, em 1910. Começou no teatro e em 1928 com a sua representação na peça "Dynamo" de Eugénio O' Neill ganhou fama imediata. Inicia a sua carreira cinematográfica em 1929 vocacionada para a comédia, tendo recebido, com Clark Gable, o Óscar da Academia em 1934, no filme de F. Capra, no papel de uma menina mimada e fugitiva em "Aconteceu numa Noite". Fez digressões teatrais pela Europa, bem como peças para televisão e talk shows. Trabalhou com grandes realizadores como C. B. de Mille e Georges Cukor. Participou em mais de 60 filmes.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Natália Correia

Nasceu na ilha em Ponta Delgada, ilha de São Miguel em 1923 e faleceu em Lisboa em 1993. Personalidade intelectual versátil, dedicou-se a vários géneros, além de marcar a sua presença na política e na imprensa. Sua produção abrange a poesia, o romance, o teatro, o ensaio, memórias, relatos de viagem, organização de antologias e colaboração em vários jornais e revistas. Embora tenha começado pela literatura infantil (A Grande Aventura de um Pequeno Herói, 1945) e pelo romance (Anoiteceu no Bairro, 1946) foi na poesia que encontrou a expressão mais depurada de seu temperamento a um só tempo lírico e irónico, características acentuadas a partir de Dimensão Encontrada (1957) e em suas obras dramáticas. Dentro dessa linha, que a tendência surrealista da poesia portuguesa pós-1950 vem sublinhar, compôs grande parte de sua obra poética, revelando um discurso lírico insólito e singular a oscilar entre a linguagem alegórica e a voz interventora. Estão neste caso, por exemplo, Passaporte (1958), o longo poema Cântico do País Emerso (1961) e mais tarde Mátria e Maçãs de Orestes (1970). Em seu livro Poemas a Rebate, publicado em 1975, chama, na introdução, ao conjunto de seus “poemas indóceis” de “pentagrama de indignação”. Indignação constante é o que não falta á obra de Natália Correia seja motivada pela censura que a amordaçou por longo tempo, seja por uma insurreição natural a todos os engodos ideológicos da organização social. A capacidade de abranger, contudo, várias expressões líricas, bem como sentimentos e visões aparentemente opostos, entre a subjectividade romântica e a objectividade realista, levaram-na à composição, nos dois últimos anos, de Sonetos Românticos (1991, Grande prémio da Poesia APE/CTT), na poesia, e ao romance As Núpcias (1992). No primeiro, parece voltar à primeira fase de sua expressão em virtude da abstraccão do objecto lírico, não obstante, agora, mais intelectualizada, beirando certo misticismo da criação poética, da escrita, da expressão verbal. Por isso, define o soneto como “misterioso nó que em sacra escrita / cimos e abismos une”. Abismos, que enfim, de onde sempre procurou garimpar a sua “aurífera” poesia. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Beatriz Costa

Actriz de revista e cinema portuguesa, de grande sucesso, nasceu na Charneca do Milharado, perto de Mafra. Teve uma infância sem grande ambiente familiar, de um lado para o outro com a mãe, que viveu ao sabor dos amores de ocasião. Começou na revista "Chá e Torradas", como corista, no Éden Teatro e seguiu depois para o Brasil, onde residiu até 1926. A "Menina da Franja" como ficou conhecida estreou-se no cinema no filme "O Diabo em Lisboa", que não teve distribuição comercial. A "Canção de Lisboa" é o seu grande sucesso, onde faz o papel de "menina Alice", filha de António Silva. Entra em "Aldeia da Roupa Branca", onde canta com a sua voz esganiçada. Tinha trinta anos. Voltou ao Brasil e casou, em 1947, mas separou-se dois anos depois. Entre Lisboa e Rio de Janeiro Beatriz Costa fez uma carreira de cheia de sucessos. Quando se retirou da vida artística decidiu escrever livros biográficos «Sem Papas na Língua», 1975 e «Quando os Vascos eram Santanas», 1977. Figura acarinhada e querida em todo o país, viveu no Hotel Tivoli, em Lisboa, até ao fim dos seus dias. Divertida e risonha, manteve sempre o seu ar irreverente e um humor saudável. Mafra homenageou-a dando o seu nome ao Teatro Municipal Beatriz Costa. Os filmes em que é vedeta são constantemente exibidos na RTP Memória com enorme sucesso de audiências.

sábado, 15 de abril de 2017

Carmen Dolores Cohen Sarmento

Actriz e encenadora, nascida em Lisboa, em 1924. As suas interpretações granjearam-lhe o apreço unânime da crítica. Aos 80 anos que cumpriu em 2004 deu entrevistas e a sua serenidade e beleza são ainda motivo de júbilo para quem a vê no palco, na tela ou na televisão. Estreou-se no cinema em «Um Homem às Direitas» (1944), «A Vizinha do Lado» (1944), «Camões» de Leitão de Barros (1946). Subiu ao palco em 1945, integrada na Companhia "Os Comediantes de Lisboa", no Teatro da Trindade, depois foi somando sucessos. Casou em 1947 e em 1951 passou para o palco do Teatro Nacional de D. Maria II, dirigido por Amélia Rey Colaço e marido com diversos sucessos de que se destaca Fei Luís de Sousa de Almeida Garrett. Em 1959 ganhou o Prémio de Melhor Actriz na peça «Seis Personagens à procura de um Autor», de Pirandello. Criou, com outros actores, o Teatro Moderno de Lisboa, no palco do Império, tendo desenvolvido um projecto que levou à cena novas encenações de peças de autores consagrados como Dostoievski, Steinbeck, Shakespeare, Strindberg José Cardoso Pires. Viveu sete anos em Paris, e de regresso continuou uma série de grandes interpretações. No cinema vimo-las em «A Mulher do Próximo» de Fonseca e Costa. Carmen Dolores foi agraciada, em 2004, com a Ordem do Infante Dom Henrique no grau de Grand