sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Jumanji - Bem-vindos à Selva

Jumanji - Bem-vindos à Selva


Género: Ação, Aventura, Comédia
Data de estreia: 21/12/2017
Título Original: Jumanji: Welcome to the Jungle
Realizador: Jake Kasdan
Actores: Dwayne Johnson, Karen Gillan, Kevin Hart
Distribuidora: Big Picture Films
País: EUA
Ano: 2017
Duração (minutos): 119

Sinopse:
Quatro estudantes da escola secundária descobrem uma antiga consola de jogos de vídeo, da qual nunca tinham ouvido falar - Jumanji - e são de imediato transportados para o ambiente de selva do jogo, transformando-se, literalmente, nos seus próprios avatares: Spencer, um viciado em gaming, transforma-se num aventureiro cerebral (Dwayne Johnson); a estrela do futebol, Fridge, perde (e são estas as suas palavras) “o primeiro meio metro do seu corpo”, transformando-se em Einstein (Kevin Hart); Bethany, uma das miúdas populares, transforma-se num professor de meia idade (Jack Black); e a tímida Martha transforma-se numa guerreira destemida (Karen Gillan).

Informação retirada daqui

Kevin Kostner


De um momento para o outro, um dos maiores valores da industria cinematográfica desapareceu do mapa. Uns dizem que foi por não ter aguentado três fracassos seguidos. Outros dizem que planeia um regresso em grande. De promessa a certeza, de certeza a desilusao, de desilusão a desaparecido. E agora como é?

Quando irrompeu em meados dos anos 80 trazia uma lufada de ar fresco à representação norte-americana, à época ainda muito dependente dos veteranos da geração de 65 (a de 75 não tinha vingado). Com um punhado de papeis assumiu-se imediatamente como uma referência da sua geração mas em meados dos anos 90 eclipsou-se por completo. Resta saber que Kevin Costner ficará para a história. O dos óscares de Dances With Wolves ou o dos falhanços como Waterworld?

Nasceu a 18 de Janeiro de 1955 na Califórnia. Baptizado Kevin Michael Costner, era o terceiro filho de um casal humilde. O facto do trabalho do pai exigir constantes deslocações de terra em terra, o jovem Kevin nunca criou raizes. Mas desde cedo mostrou ser multi-talentoso. Escrevia, recitava poesia e ao mesmo tempo conseguia ser o melhor em todos os desportos da sua escola. Aventureiro, costumava construir canoas para navegar pelos rios da Califórnia sozinho, procurando a aventura e a excitação do momento. Em 1997 entrou na California State University onde se formou com sucesso em Economia. Na mesma altura em que casava, com 23 anos, com a namorada de liceu, Cindy Silva, Kevin Costner começou a ter licções de representação dramática todas as noites. Estava decidido em tornar-se actor. A vida corria-lhe bem, mas, segundo a lenda, um dia encontrou Richard Burton que o convenceu a deixar tudo pelo amor à representação. E asim foi. Costner despediu-se, foi para Hollywood e trabalhou como camionista e operário para se sustentar enquanto procurava uma oportunidade na Meca do Cinema. Chegou a fazer filmes pornográficos no inicio dos anos 80, mas foi em 1983 que surgiu a sua oportunidade. As suas cenas no filme The Big Chill acabaram por ficar na sala de montagem mas o realizador do filme tinha gostado do que viu. E começou a pensar em Costner para o futuro.


O realizador era Lawrence Kasdan e decidiu apostar em Costner para o seu western alternativo: Silverado.
O filme foi um tremendo sucesso e Costner saltou de rompante para a ribalta. Começava um periodo dourado que duraria sensivelmente uma decada. Nos anos seguintes rejeitaria entrar em Platoon - por achar que ofendia o exército norte-americano - apostando no filme de Brian de Palma, The Untouchables. O filme foi um sucesso e Costner era cada vez mais uma das estrelas do momento.
Depois de No Way Out e Bull Durnham, novo grande papel no poético Field of Dreams. Mas, mais do que isso, foi nesse ano de 1989 que Costner começou a rodar aquele que viria a ser o filme mais marcante da sua carreira.


Dances With Wolves era um filme improvável. Um filme pacifista, conciliador e extremamente cinematográfico, privilegiando as paisagens às interpretações. Mesmo assim acabou por ser o grande vencedor da noite dos óscares de 1990, com Costner a subir por duas vezes ao palco. Primeiro para receber o galardão de Melhor Realizador, naquele que era o primeiro filme que dirigia, um facto praticamente inédito. E no final da noite para reclamar o óscar de Melhor Filme. Para trás tinha ficado a derrota na categoria de Melhor Actor, mas a verdade é que o filme foi um sucesso retumbante e Costner tinha-se finalmente afirmada como uma das estrelas de Hollywood.
E em alta estava de facto a sua carreira. Depois da consagração em 1990, o seu melhor ano em 1991.
Primeiro no blockbuster Robin Hood : Prince of Thieves, em que ao lado de Morgan Freeman e Alan Rickman dá vida a uma das mais miticas personagens da literatura britânica. O filme foi um enorme sucesso de bilheteira apesar da critica não ter gostado de ver o seu novo menino bonito a descer do belo para o explosivo. Mesmo assim Costner seria ainda a estrela de um dos filmes mais aclamados do ano, JFK. Vivendo o procurador Jim Garrison, este filme de Oliver Stone mostrava ao mundo o caso Kennedy em toda a sua negritude. E Costner era peça essencial no puzzle. No final o filme teve 8 nomeações ao óscar (ganhou apenas duas) mas Costner foi esquecido. Muitos acharam estranho, mas esse seria o primeiro sinal de que a industria lhe tinha voltado as costas.


Depois de Bodyguard, filme que tentou mais promover Whitney Houston do que tentar convencer os espectadores da narrativa, houve o interessantissimo A Perfect World, filme dirigido por Clint Eastwood, na altura em grande depois da consagração de Unforgiven. Mais uma vez Costner transformou-se para conseguir um dos papeis mais interessantes do ano. E mais uma vez foi ignorado por tudo e por todos.
Lembrando-se do sucesso de Silverado, Costner tentou de novo recuperar o western e dirigiu Wyatt Earp, mas longe do que conseguiu Kasdan, viu o filme ser apupado pela critica e ignorado pelo publico. Foi então que Costner decidiu fazer o maior filme de sempre. Era um dos orçamentos mais caros da história do cinema mas a verdade é que se tornou também o maior fracasso de sempre. Waterworld podia ter significado o final da sua carreira. Afinal poucos são os actores-realizadores que sobrevivem a um fiasco daquele genero. Mas Costner sobreviveu apenas para se meter noutro sarilho, o futurista The Postman. Tal como o antecessor, também este filme fracassou em toda a linha. Costner estava acabado diziam todos em Hollywood.


E assim parecia de facto. Foi então que o Costner-realizador passou para segundo plano, voltando o Costner-actor. Os seus papeis em Message in a Bottle e For The Love of The Game mostraram um Costner rejuvenescido. Afinal ainda não estava acabado. Em 2000 o seu desempenho em Thirteen Days foi aplaudido por alguns sectores, apesar do filme não ter tido o sucesso desejado. Mas o que parecia indicar o regresso do talentoso Costner desfez-se em tres filmes. Primeiro na homenagem a Elvis Presley em 3000 Miles to Graceland, e depois em Dragonfly. Costner tinha voltado a afundar-se e seria o western a revitalizar a sua imagem. Em Open Range, em que voltou a dirigir, Costner mostrou estar a uns furos acima do que tinha mostrado nos últimos dez anos, mas continuava a estar bem atrás do que mostrou ser capaz de fazer.


Para o ano, Costner estará de regresso num dos seus papeis favoritos, jogador de baseball. O filme é The Upside of Anger e muito se fala a propósito da performance de Joan Allen e do elenco de belas teen-stars. Poderá ser um balão de oxigénio para o actor que tem ainda dois projectos para 2005, Rumor Has It e The Turtilla Curtain.
Os fãs do actor estarão desesperados por um come-back em grande nos próximos anos. De grande promessa da geração de 85, Costner é hoje um dos mais mal amados da sua geração. Resta saber se conseguirá voltar a mostrar o seu melhor ou se serão os dvd´s e cassetes a recordarem-nos do que ele foi capaz de fazer.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Johnny Deep


Ele tornou-se num marco. Não só de cinema alternativo e irreverente mas também de charme e estilo. Hoje Johnny Depp é tido como o actor mais charmoso em actividade, ombreando com gigantes como Paul Newman ou Sean Connery.
Depois de muitos anos a ser considerado uma promessa falhada, este ano ameaça ser o da sua consagração. Preparem-se porque mister Depp chegou à cidade...

As mulheres amam-no. Os homens querem ser como ele. E ele limita-se a ser ele próprio. Irreverente, diferente, com um sentido de humor delicioso, acaba por trazer a sua vida para dentro dos seus personagens dando-lhes um carisma que à partida outro actor não conseguiria. Porque só há um Johnny Depp!

Apesar de ter trajeitos europeus, de possuir um sotaque inglês notável, a verdade é que esta pérola do cinema contemporâneo é do estado do Kentucky, lá no sul dos Estados Unidos. Foi lá onde nasceu a 9 de Junho de 1963. E de facto John Christopher Depp II tem todos os traços de um actor de signo gémeos. As duas caras, o drama e o humor, a morbidez e a leveza. Tudo isso ajuda a torná-lo num dos cinco grandes actores da sua geração.
E quando olhamos para Depp vemos o que ele é. Criado na Florida, onde gostava mais de estar na praia do que propriamente na escola, aos 15 abandonou os estudos para se tornar numa estrela rock. Até teve sucesso. Tocava em bandas de garagem e chegou a fazer a primeira parte de um concerto de Iggy Pop. Mas quando visitou Los Angeles com a sua primeira mulher, e esta lhe apresentou Nicholas Cage, o jovem Depp começou a interessar-se pela vida de actor. E foi assim que em 1984, com 19 anos, entrou no seu primeiro filme Nightmare in Elm Street. Era o seu primeiro papel num tipo de cinema que o acompanharia nos anos seguintes. Em 1986 iria ainda surgir no consagrado Platoon mas seria na televisão que o seu nome saltaria para a ribalta.


A sua primeira grande oportunidade no mundo televisivo chegou em 1987 quando conseguiu um lugar na popular serie 21 Jump Street. A partir daí Depp tornou-se no "queridinho" das raparigas norte-americanas.
Cry Baby continuava a tendência de Depp para vir a ser uma futura estrela de filmes para adolescentes mas então chegou Tim Burton que o resgatou dos filmes "pipoca" e o levou para um mundo bem mais sombrio, um mundo pelo qual Depp se iria apaixonar.
Em 1990 começava uma das mais miticas parcerias actor-realizador dos dias de hoje. O filme era Edward Schissorhands, hoje um filme de culto, na altura um passo em frente na carreira de ambos. Depp transformou-se por completo para viver o angustiado jovem com mãos de tesoura e conquistou aplausos incondicionais de todos, falhando por pouco a sua primeira nomeação ao óscar. Era o primeiro de uma serie de grandes interpretações de Depp.


Depois do sucesso de Edward Schissorhands, Depp fez um cameo em Freddy´s Dead : The Final Nightmare e no ano seguinte surgiria em três filmes bem distintos. Primeiro na primeira experiencia de Emir Kusturica nos Estados Unidos no filme Arizona Dream. Depois em Brenny and Joon, divertida e excêntrica comédia e ainda em What´s Eating Gilbert Grape, profundo drama de Lasse Hallstrom com Leonardo di Caprio a viver o irmão mais novo de Depp.
1994 significava o regresso à parceria com Tim Burton no notável Ed Wood, filme sobre o pior realizador de cinema do mundo. Depp volta a mostrar o seu melhor num papel cheio de vida e garra, tendo sido bastante elogiado. No anos seguinte faria três interessantes filmes. Primeiro, ao lado de Marlon Brando e Faye Dunaway, em Duan Juan de Marco, onde Depp vive um dos seus personagens mais excêntricos, e ainda em Dead Man e Nick of Time.


Aós um ano de interregno Depp volta em 1997 em Donnie Brasco, filme sobre o sub-mundo do crime nova-iorquino baseado em factos reais. Ao lado de Al Pacino, Depp dá uma interpretação dramática de alto nivel e prova que está pronto para encarar todos os desafios.
Nesse ano Depp vai realizar o seu primeiro filme. Rodado ao estilo de Kusturica, e com o amigo Brando no elenco, The Brave foi um fracasso mas ajudou a mostrar uma vontade de evolução na forma de interpretar de Depp que viria a surgir mais tarde. Em 1998 haveria Fear and Loathing in Las Vegas, filme hilariante de Terry Gilliam com um elenco de luxo onde Depp era a estrela mais cintilante. Mas a verdade é que por essa altura a sua carreira estava a precisar de mais um empurrão. E nada melhor do que recuperar pela terceira vez a velha dupla com Tim Burton. E assim foi. Em Sleepy Hollow, provavelmente o melhor filme de 1999, Johnny Depp é absolutamente extraordinário como o céptico Ichabod Crane que é mandado resolver o caso do cavaleiro sem cabeça. Filme e interpretações de alto nivel, que ajudaram a coroar um ano já de si prolifero com dois excelentes trabalhos em The Astronaut´s Wife e The Ninth Gate.


A entrada no novo século far-se-ia dividida em tres pequenos mas interessantes papeis. Primeiro em The Man Who Cried, ao lado de Christina Ricci, com quem trabalhava pela quarta vez, e depois também como cigano em Chocolat, filme de Lass Hallstrom com que já tinha trabalhado anos antes. Para coroar o ano, Depp coroou o elenco de Before Night Falls, filme pelo qual Javier Bardem conquistou a sua primeira nomeação ao óscar. No entanto os seus desempenhos do ano seguinte em From Hell e Blow acabaram por não corresponder às exepctativas e durante um ano ninguém ouviu falar em Depp. E por bons motivos. Durante 2002 o jovem actor já de 39 anos filmou dois papeis que poderão marcar a sua carreira. Primeiro trabalhou em Finding Neverland, filme onde vive o autor das aventuras de Peter Pan. O problema é que o filme teve problemas com a produtora Miramax, e essa achou melhor adiá-lo para 2004. Segundo muitos essa jogada poderá valer o óscar a Depp. Óscar ao qual foi nomeado pela primeira vez já no ano passado graças ao seu absolutamente notável desempenho em Pirates of the Caribean - The Curse of the Black Pearl. A sua personagem - Captain Jack Sparrow - foi das mais espectacularmente compostas dos últimos anos e valeu-lhe o seu primeiro blockbuster, aclamações da critica, vitória no SAG e nomeação ao óscar. Além do mais Depp mostrou de novo a sua versatilidade ao brilhar em Once Upon a Time in Mexico e Secret Window confirmando um ano dourado.Um ano que Depp espera repetir em 2004.


Mas Depp é daqueles homens que não para. Depois de já estar preparado para começar a rodar as duas sequelas de Pirates of the Caribean, há ainda mais cinco filmes para ver com Depp nos próximos dois anos. São eles Libertine, The Corpse Bride, The Diving Bell and the Butterfly, Shantaram, The Rum Diary e a sua quarta participação ao lado de Tim Burton em Charlie Wonka and the Chocolat Factory.


De facto há poucos homens como Jonnhy Depp, quanto mais actores. Uma carreira recheada de sucessos e desempenhos que ficarão facilmente na historia do cinema gravados a letras de ouro. Eleito pela Empire como a estrela mais sexy de sempre da história do cinema, este homem é um Don Juan de Marco dentro e fora das telas. Depois de um casamento falhado no inicio dos anos 80, Depp relacionou-se com as mais bonitas mulheres de Hollywood, antes de se ter juntado com a bela Vanessa Paradis no sul de Fraça, da qual tem hoje dois filhos.
Aliás, ao viver em França Depp prova a sua independencia do star-system norte-americano, é hoje um actor modelo e um dos mais completos artistas da sua geração. A consagração mundial segue dentro de momentos...

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Laurence Olivier


Durante meio século foi considerado o maior actor inglês de sempre. Uma carreira sempre dividida entre o cinema e o teatro, um nome que todos aprenderam a respeitar e a amar. Atravessou gerações e criou um culto de admiração à sua volta que é dificil igualar.
Começou nos palcos londrinos e no inicio dos anos 30 salta para o cinema britânico. Assume-se como o maior actor shakesperiano, e em 1937 dá um ar da sua graça em Fire Over England. Conhece Vivien Leigh. O seu casamento será um dos mais badalados da época (e o seu final também) e ajuda-a a conquistar o lugar de Scarlett O´´Hara. Nesse mesmo ano faz o seu primeiro grande desempenho em Hollywood no filme Wuthering Heights. No ano seguinte trabalha com Hitchcock em Rebecca recebendo a sua segunda nomeação consecutiva ao óscar. Começa a adaptar em 1945 Shakespeare ao cinema. Primeiro com Henry V (terceira nomeação e prémio especial da Academia como actor, realizador e produtor) e em 1948 com Hamlet, filme que lhe irá dar o único óscar da carreira como melhor actor, mas também o óscar de Melhor Filme (falhou apenas o de realizador). Em 1955 continua com Shakespeare em Richard III (mais uma nomeação) e em 1957 está ao lado de Marilyn Monroe no admirável The Prince and the Showgirl. Em 1960 nova nomeação por The Enterteiner e regresso a Shakespeare cinco anos depois no filme Othello. O seu maior papel surge em 1972 ao lado de Michael Caine no filme Sleuth, que lhe dá a sua nona nomeação ao óscar. Mas não será a única. Passará os anos 70 a fazer pequenos papeis secundários, conseguindo novas nomeações por Marathon Man e Boys From Brazil, onde é o caçador de nazis Ezra Lieberman. Para trás tinham ficado inesqueciveis papeis em Spartacus, Khartoum e The Merchant of Venice. Morre em 1989 com 82 anos.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Peter O'Toole


No meio do inesquecivel deserto da Arábia, os seus olhos azuis eram um irradiar de energia como há muito o cinema não vi. Tomara a todos os actores poderem dizer que se estrearam como Peter O´Toole, que consegue o seu melhor papel de sempre naquele que foi também o seu primeiro filme.
Irlandes de temperamento agitado, tinha tido umas breves participações em três filmes na altura em que foi escolhido para ser T.E. Lawrence. Não era nem a primeira, nem a segunda escolha, mas a sua presença fizeram de Lawrence of Arabia um dos maiores filmes da história. Apesar de todos os prémios que o filme ganhou, O´Toole falhou em conquistar o óscar, uma maldição que o iria perseguir para a vida em sete diferentes tentativas.
Depois de três anos a viver á sombra do sucesso, mas um assombroso desempenho em Becket, onde contracena com Richard Burton, o seu maior rival, vivendo o rei Henrique II de Inglaterra. Será novamente como Henrique II, mas numa versão mais rude e brutal que O´Toole volta a alcançar a perfeição com que iniciara a carreira, em The Lion in Winter. Pelo meio tinham ficado Lord Jim, esse estrondoso e brilhante falhanço, What´s New Pussycat? e o inesquecivel anjo Gabriel de The Bible. Em 1969 consegue a sua quarta nomeação na mesma década ao protagonizar Goodbye Mister Chips!, filme que até já tinha dado um óscar a Robert Donat trinta anos antes.
The Ruling Class em 1972 é a sua quinta nomeação e o seu mais fascinante trabalho da década de 70. Seguem-se The Man From La Mancha, onde é um improvável Don Quixote, Caligula e The Stunt Man, penultima nomeação e um dos seus mais interessantes trabalhos. Em 1982 última nomeação, desta feita por My Favourite Year, mais um trabalho notável, e em 1987 encontramo-lo no multi-premiado The Last Emperor. No final dos anos 80 O´Toole desaparece. É recuperado por Wolfgan Peterson em Troy, no ano passado, e desde aí parece ter retomado a actividade regular de actor. O óscar honorário de 2002 serviu para fazer as pazes com a Academia, mas tal como o seu rival e amigo Burton, ele é um dos grandes injustiçados da história do cinema.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Jeff Bridges


Encarnou a personagem mais "cool" da história do cinema. Aliás, há em cada uma das suas vidas cinematográficas uma onde bom humor e um espirito alegre que se torna contagiante para todos que o vêm trabalhar. Ele é hoje o simbolo perfeito de uma forma diferente de encarar a arte de representar...

Foi uma das maiores promessas da geração de 65 e durante alguns anos houve quem temesse que não passasse disso mesmo. Uma promessa. Mas os últimos vinte anos têm ajudado a mostrar um actor mais maturo e fresco, sem medo de enfrentar desafios, por muito dificeis que eles possam parecer. Por isso é que já está na altura de coroar Jeff Bridges.

Filho da California, nascido a 4 de Dezembro de 1949 em Los Angeles, sempre teve a representação nas veias. O pai era Lloyd Bridges, conhecido actor de westerns. O irmão, com quem contracenaria no inesquecivel The Fabulous Baker Broys, é Beau Bridges. E por isso é natural que Jeffrey Leon Bridges acabasse eventualmente por ser também ele actor.
Aos dois anos já surgia em filmes, fazendo pequenos papeis de criança. Foi aos 20 anos, em 1969, que se começou a destacar na televisão no filme Silent Night, Lonely Night. O filme Hells of Anger começava a mostrar um Bridges como jovem rebelde sem causa, imagem que ficaria eternizada no seu notável desempenho em The Last Picture Show, filme de Peter Bogdanovich de 1971. Para além de ter sido um dos grandes filmes do ano, a verdade é que Bridges começou a consolidar a sua carreira com uma precoce nomeação ao óscar de melhor actor secundário.


Seguiram-se uma serie de papeis que seguiam a imagem criada por Bridges no filme de Bogdanovich em filmes como Fast Picture, Bad Company, The Last American Hero e Thunderbolt and Lightfoot, filme pelo qual foi nomeado pela segunda vez ao óscar, depois de ter roubado todas as cenas a Clint Eastwood.
O problema começou então. Os seus papeis estavam gastos e as novas abordagens não iriam resultar. King Kong, Somebody Killed Her Husband e Heavan´s Gate foram fracassos a todos os niveis, e agora com 30 anos, a carreira de Bridges teimava em não sair do sitio.
Este foi um cenário que se tornou recorrente até 1984. Dez anos perdidos que Bridges não deve querer lembrar tão cedo.
Mas com Starman, filme de 84, estava de volta o melhor Bridges. Um desempenho absolutamente notavel como um extra-terrestre que chega a terra e adquire forma humana, valeu-lhe a primeira nomeação ao óscar de Melhor Actor. E permitiu-lhe voltar a pensar numa carreira ao mais alto nivel. O mais dificil tinha ficado para trás.


Seguiram-se então nos anos seguintes uma serie de excelentes desempenhos em filmes muito aceitaveis. Primeiro foi Jagged Edge, depois 8 Million Ways To Die e, acima de tudo, Tucker : The Man and His Dream, filme poético de Francis Ford Copolla, que lhe proporcionou o seu melhor papel de sempre, apesar de ter sido ignorado pela Academia. No ano seguinte chegou a parceria com o irmão Beau, e com a diva Michelle Pfeifer em The Fabulous Baker Boys, um dos filmes mais interessantes do ano.
A carreira de Bridges continuava em alta no inicio da nova década. Primeiro revisitou o universo de Bogdanovich em Texasville e depois entrou, lado a lado com Robbie Williams, no filme de Terry Gilliam, The Fisher King.
1992 viria a mostrar mais um grande Bridges em American Heart e no ano seguinte viria aquele que é o seu papel favorito, Fearless. E quando muitos pensavam que o ritmo iria abrandar, ainda deu tempo para Wild Bill em 1995, uma abordagem realista e crua à vida do famoso Buffalo Bill.


Depois de dois anos em baixa, o grande regresso chegava em 1998 com Big Lebowski. O filme dos irmãos Coen é um dos mais fabulosos da década e o desempenho de Bridges como "The Dude" é sublime. No entanto, como habitualmente, a Academia preferiu ignorar esta pequena obra de arte. E Bridges continuava sem vencer prémios.
No ano seguinte, 1999, haveria Arlington Road, espectacular thriller com Tim Robbins, e em 2000 chegaria a sua 4º nomeação ao óscar, desta vez a terceira como melhor actor secundário, pelo filme The Contender onde viveu o Presidente dos Estados Unidos. Mais uma vez o prémio foi para outro.
K-Pax iria marcar o ano de 2001 para Bridges, num excelente contra papel a Kevin Spacey, no primeiro filme pós-óscar, e se em 2002 não haveria Bridges, este voltava no ano seguinte em força em Seabiscuit. Papel notável mas nem sequer considerado pela Academia, apesar das sete nomeações do filme.
Para 2004 ficou mais um "enorme" desempenho em The Door in the Floor e no próximo ano poderemos ver este grande actor em The Moguls e Tideland.


Um dos actores menos valorizados mas ao mesmo tempo, um dos mais completos da industria cinematografica norte-americana, Jeff Bridges é hoje um dos grandes injustiçados da história do cinema. Com 55 anos muitos acreditam que a sua hora chegará em breve, mas a verdade é que depois de trinta anos a brilhar ao mais alto nivel, esperava-se já um sinal de reconhecimento por parte dos seus pares. No entanto Bridges está na boa. Tranquilo, preparado para quando o momento chegar. E se não chegar? Paciência dira ele com aquele sorriso do tamanho do mundo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Richard Burton


Partilha com Peter O´Toole o trono de uma geração, mas a verdade é que a sua fleuma galesa, a sua voz inconfundivel e o seu leque de performances fazem dele o porta-estandarte desse magnifico grupo de actores que incluia ainda Michael Caine ou Albert Finney.
Burton começa a sua carreira em 1949 e a sua ascensão será praticamente imediata. Em 1952 é soberbo no final My Cousin Rachel. É nomeado para melhor actor secundário. Tal como O´Toole serão sete as nomeações sem qualquer vitória. No ano seguinte a nova estrela britânica chega á categoria principal pelo seu desempenho no aclamado The Robe. Continuando na época clássica, é um convincente Alexandre em Alexander the Great de Robert Rossen em 1956. No ano seguinte está numa das obras-primas de Nic Ray, Bitter Victory, onde é de uma intensidade dramática absolutamente notável. Chefia a geração dos young angry rebels em Look Back in Anger e depois de fazer Shakespeare e de ajudar a invadir a Normandia no épico The Longest Day, é escolhido para ser Marco António naquele que seria o mais ambicioso projecto de sempre. O seu desempenho é de altissimo nivel mas Cleopatra será um fracasso. Nem a relação amorosa que Burton começa com Elizabeth Taylor nas rodagens do filme, e que se tornará numa das relações mais conturbadas e famosas da história, salva o filme. A sua reputação continua imaculada e divide o ecrãn com Peter O´Toole em Becket, partilhando igualmente mais uma nomeação aos óscares. Seguem-se The Night of the Iguana, poderoso drama, e em 1965 o seu mais contido e aplaudido desempenho em The Spy Who Came From the Cold. Ao lado de Elizabeth Taylor brilha como poucos na obra de estreia de Mike Nichols, o inesquecivel Who´s Affraid Virginia Wolf. Mais uma vez o oscar vai para outro e Burton continua a trabalhar com Taylor, desta vez em The Taming of the Shrew. Acaba a década em alta no filme Anne of the Thousand Days e em 1974 divorcia-se de Liz Taylor após uma serie de conflitos matrimoniais. No entanto o casal volta a juntar-se no ano seguinte, para se separar finalmente em 1976. Estes foram os anos menos proliferos para Burton, que em 1977 regressa de novo em estilo no filme Equus. Em 1984 entra na adaptação homónima de George Orwell, ao lado de John Hurt, mas a sua saúde, minada pelo alcool e tabaco, não lhe permite voltar a filmar. Morre nesse mesmo ano deixando um imenso vazio que mais nenhum actor soube preencher.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Jack Nicholson


Quando se fala de sucesso. Quando se fala de talento. Quando se fala de sorrisos. Quando se fala da arte de representar há sempre um nome que nos vem imediatamente à cabeça. Sim, é ele mesmo, provavelmente o único actor a poder dizer com confiança que ninguém faz o que ele faz melhor porque ele já o faz de forma perfeita...

Começou nos filmes de terror, passou pelo drama, pela acção e pela comédia. Hoje é simplesmente ele próprio, de dois em dois anos, e sempre que estreia um novo filme todos se apressam a antever "a grande performance do ano". Ele é simplesmente Jack Nicholson.

Nasceu a 22 de Abril de 1937 em Neptune, no estado de New Jersey, com o nome de John Joseph Nicholson. A história lembra-lo-á sempre no entanto como Jack Nicholson.
O pai abandonou-o quando ainda era pequeno, acabando o pequeno Jack por ter de crescer apenas acompanhado pela mãe, que julgava que era a irmã mais velha, e a avó, a quem tratava como mãe. Facto que só descobriu anos mais tarde, quando a revista Time fez uma pesquisa sobre a sua vida. Uma estória que já de si mostra a particularidade de ser ser "Jack Nicholson". Outra estória que se tornou celebre foi a sua alcunha "Mulholand Man", alcunha que conquistou por partilhar a "Bad Boy Avenue" juntamente com Marlon Brando e Warren Beatty, dois dos seus maiores amigos.
Depois de um infancia algo conturbada, foi estudar para a Manasquan High School, onde foi considerado "o palhaço da turma", titulo que conquistou ao amigo de infancia Danny de Vitto.
Aos vinte e um anos estreou-se no cinema e nunca mais faria nada na vida. Era o inicio de uma carreira sem igual.


O seu primeiro papel seria em The Cry Baby Killer, um drama em tons de horror movie. Depois da sua estreia, Nicholson começou um carreira em pequenos filmes sem grande destaque mas que, aos poucos, lhe permitiram acumular experiência e um nome em Hollywood. Desde The Little Shop of Horrors a The Raven, passando por Hells Angels on Wheels, era facil encontrar Nicholson neste genero de papeis de jovem rebelde briguento ou assassino. Mas conseguiri ele fazer outra coisa?
Em 1969 Dennis Hopper começou por escandalizar Hollywood com o seu filme Easy Rider. O escandalo era maior porque no filme estava Peter Fonda, o filho do mitico Henry Fonda, num papel pouco recomendável. Só que quem também lá estava, e em grande estilo, era mesmo Jack Nicholson. E muitas pessoas só se lembram mesmo dele neste filme tal foi o impacto do seu pequeno, mas bem aproveitado papel. Nicholson fechava assim a década na boca de todos, com uma nomeação ao óscar de melhor actor secundário, a mesma forma como abriria os anos 70 ao mostrar um notável desempenho no filme Five Easy Pieces que lhe valeria desta feita a sua primeira nomeação ao óscar de melhor actor.


O seu primeiro grande desempenho na década de 70 iria contudo em 1974 Depois de ter sido rejeitado por Copolla, para o papel de Michael Corleone, o jovem Nicholson entrou em Chinatown, notável filme de Roman Polanski onde viveu um Bogart-look alike de nome Jake Gitts. O filme foi um sucesso e Nicholson conseguiu a sua terceira nomeação ao óscar. Ele que é hoje o actor com mais nomeações conquistadas pela Academia, um total de 12.
Seguir-se-iam no ano seguinte Operation : Reporter e One Flew Over the Cuckoo´s Nest. O filme seria o mais espantoso em todo o ano, especialmente porque contou com um Nicholson "gigantesco". Segunda nomeação e primeiro óscar como Melhor Actor, num ano em que o filme também foi coroado com outras estatuetas douradas.
The Missouri Breaks não foi o sucesso que se esperava mas foi uma oportunidade dourada de Nicholson trabalhar com o amigo Marlon Brando, do qual era vizinho na mitica Mulholand Drive. Nesse mesmo ano faria The Last Tycoon mas a nota dominante é a de que a sua carreira ia esmorecendo no final da década de 70. Tendência que um papel notável mudaria rapidamente.


The Shinning é provavelmente um dos filmes de terror mais intensos dos últimos vinte cinco anos. E Nicholson, que tinha tido neste genero uma importante escola, o homem para o papel. A realização de Stanley Kubrick é inteligentissima mas são cenas como "Here´s Johnny" que pautaram o sucesso do filme em 1980. E com este sucesso também Nicholson estava outra vez em alta.
Começou a apostar em pequenos papeis secundários e conseguiu o que queria. Primeiro em Reds, filme do amigo Warren Beatty, recebeu a sua segunda nomeação como actor secundário, e dois anos depois, em 1983, conseguiria esse mesmo óscar pelo seu notável desempenho em Tearms of Endearment, onde viveu um ex-astronauta. A década estava a começar bem de novo mas desta vez iria ser boa até ao final. Com Prizzis Honor em 1985 vinha a primeira nomeação ao óscar de Melhor Actor em dez anos de carreira enquanto que os seus desempenhos em The Witches of Eastwick e Broadcast News continuaram a mostrar que estava em alta. Em Ironwed conquistou nova nomeação ao óscar de Melhor Actor secundário e em 1989 faria aquele que ele próprio considera como o seu desempenho mais pop, o de Joker em Batman.


Cons uns anos 80 de luxo, a década de 90 poderia ressentir-se. Afinal Jack tinha já mais de 50 anos e os bons papeis não surgem todos os dias.
A Few Good Men provou a todos que um Jack 55 anos era ainda um grande Jack. Os últimos 15 minutos do filme são todos dele e não surpreendeu ninguém que chegasse a 10º nomeação no final do ano. Só que Hoffa e Wolf acabaram por não ser os sucessos esperados por todos e durante alguns anos muitos pensaram que Nicholson não voltaria a ser o que era. Aliás a sua performance em Mars Attack não deixava nada de bom na memória dos fãs.
Só que a história é feita destas coisas. Calharia que seria aos 60 anos de idade que Jack Nicholson viveria o seu maior papel até hoje. Melvin Udall, o paranoico escritor de As Good As it Gets. O filme vive com base no ritmo que Nicholson impõe e o óscar era algo natural. Seria o seu 3º, um novo recorde para actores (fica a um do recorde de Khatarine Hepburn) e a prova viva de que este era um nome a marcar a letras de ouro na história do cinema.


Só que apesar do sucesso, Nicholson não parou. Quatro anos depois seria a estrela de The Pledge, o primeiro filme realizado por Sean Penn. O filme é dos mais fracos do ano mas Nicholson é igual a si próprio como aconteceu no ano seguinte no filme do jovem indie Alexander Payne. Em About Schmidt, é um Nicholson assumidamente veterano que mesmo assim faz o que quer de cada cena em que entra. O resultado seria a natural 12º nomeação ao óscar, se bem que já ninguém contava que ele fosse galardoado mais alguma vez. O ano de 2003 acabou por ser dos mais proliferos dos últimos anos graças a dois notáveis desempenhos. Primeiro como psiquiatra e mestre de Adam Sandler em Anger Management e depois como o veterano amante de Diane Keaton em Something´s Gotta Give, com uma das melhores performances do ano.


Nicholson é hoje o actor mais galardoado em actividade. Já recebeu mais nomeações para vários prémios, incluindo óscares, globos, baftas, do que muitos dos actores em actividade e o seu recorde de 3 óscares (2 como principal e 1 como secundario) permance intocável. Eterno fã dos LA Lakers (a gravação dos filmes são sempre planeados de acordo o calendário dos Lakers) e mulherengo eterno, Jack Nicholson é hoje do melhor que o cinema tem para oferecer. Talvez se um dia enviarem uma capsula para o espaço com uma colectanea dos seus melhores momentos, pode ser que aquilo que eles nos faz sentir aqui, seja sentido por tudo o que habitar esse universo sem fim.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Meryl Streep


É a grande actriz dos últimos trinta anos. Nenhuma das que se lhe seguiram conseguiram alguma vez transmitir a sua sensibilidade dianta da camara, e, ao mesmo tempo, a sua força interior, que fazem dela um dos maiores "monstros" vivos da representação.
Meryl Streep começou a carreira em grande com o filme Julia. No ano seguinte já era nomeada aos óscares pelo seu desempenho em The Deer Hunter de Michael Cimino. Woody Allen repara nela e junta-a à sua troupe para fazer Manhatan mas é o seu desempenho em Kramer vs Kramer que a estabelece como mais uma estrela para a constelação de Hollywood. Vence o óscar de melhor actriz secundária e o seu filme seguinte, The French Lieutenent´s Woman, conquista a primeira nomeação para actriz principal. Em 1982 conquista o segundo óscar pelo filme Sophia´s Choice. Quatro nomeações e dois óscares em seis anos deixavam já antever que a jovem Streep não iria ficar por aí. E de facto a década de 80 é de ouro para a actriz. Depois do óscar vem Silkwood, o inesquecivel Out of Africa, Ironweed e A Cry In the Dark. Quatro papeis fabulosos, quatro nomeações, quatro sucessos da critica. Streep era já unanimemente considerada a melhor actriz em actividade.
Postcards From the Edge começa da melhor forma a década de 90 para Streep e ao lado de Clint Eastwood em The Bridges of Madison County volta a superar-se. O final dos anos 90 são espantosos para a actriz graças aos desempenhos em Marvin´s Room, One True Thing e Music From the Heart. Em 2002 entra em dois sucessos, The Hours e Adaptation, e pelo último consegue a sua 13º nomeação aos oscares, um recorde. Marca presença na popular serie Angels in America e dá vida ao filme The Manchurian Candidate. Este ano vamos poder vê-la em Prime mas a sua carreira está longe de abrandar. Para os próximos dois anos são já 10 os projectos em que Streep fará parte. Uma actriz verdadeiramente excepcional, e de incomparável talento nos dias que correm.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

George Clooney


É um dos actores mais charmosos da sua geração. Entre os sucessos na televisão e no cinema conseguiu construir uma carreira sólida. Já apostou na realização com frutos e hoje é um dos nomes mais multi-facetados de Hollywood. E faz isso sempre com um sorriso espelhado na cara...

Filho do sul dos EUA, onde fez campanha pelo pai para este ser eleito senador, é um homem do mundo do espectáculo. Cresceu a ver o pai na televisão e foi aí que encontrou a fama, mais propriamente na secção do serviço de urgências. Daí a consolidar a sua carreira no cinema foi um passo, e agora será curioso ver os próximos desenvolvimentos da vida de uma estrela chamada George Clooney.

Nasceu George Timothy Clooney a 6 de Maio de 1961 em Lexington, cidade do estado do Kentucky no sul dos Estados Unidos da América. O pai, Nick Clooney, era um reputado reporter televisivo foi o primeiro a tentar trazer o seu filho para o mundo do espectáculo. Aos cinco anos começou-o a levá-lo para a regie do programa que apresentava e convenceu o filho a procurar uma carreira no jornalismo. No final, temendo uma futura concorrência com o próprio pai, o pequeno George partiu do meio jornalistico para ingressar na vida desportiva onde tentou por várias vezes a sua sorte como profissional de Baseball. Depois de ter sido rejeitado pelos Cincinatti Reds decidiu apostar numa vida ligada à representação. Por essa altura já tinha completado o liceu e tinha sido aceite na Northern Kentucky University, onde não acabou o curso que tinha começado. Estavamos em 1982 e a vida de Clooney a representar tinha começado. Iria honrar o nome do tio, José Ferrer, vencedor de um óscar de melhor actor em 1950, e acompanharia o primo, Miguel Ferrer, numa carreira de sucesso em Hollywood.


Depois de ter-se estreado no cinema num pequeno papel arranjado pelo primo, decidiu partir para Los Angeles onde durante um ano procurou, sem suceso, trabalho como actor. Sem dinheiro, vivia no armário de um amigo. Finalmente conseguiu estrear-se em Hollywood, em 1983, ao lado de Charlie Sheen mas o filme nunca saiu da prateleira para desespero de Clooney. Mas os estudios gostaram do que viram do jovem actor.
O seu primeiro papel de destaque viria curiosamente numa serie televisiva chamada E/R, em que o actor partilhava o elenco com Elliot Gould e Jason Alexander. E só em 1987 é que Clooney daria oficialmente os primeiros passos no cinema. Foi no filme Return to Horror High, horror-movie que antecedeu outros titulos menores como Grizlly2 : The Predator e The Attack of the Roaring Tomatoes e que seriam os únicos filmes que faria em toda a década. Eternamente divido entre a televisão, onde participou em diversas series, e os primeiros e timidos passos no mundo do cinema, George Clooney parecia passar completamente despercebido na Meca de Hollywood.


O inicio dos anos 90 pautou-se com diversas novas series de sucesso como Baby Talk ou Bodies of Evidence e com pequenos papeis no cinema em Unbecoming Age e The Harvest.
O grande "boom" na carreira de Clooney chegaria apenas em 1994 na serie ER - Serviços de Urgência. A serie foi um sucesso imenso e a sua personagem era o principal catalizador de emoções. De repente Clooney passava a ser uma das maiores estrelas do panorama televisivo norte-americano. E não demorou muito até a sua carreira em Hollywood começar a progredir. Primeiro foi no sucesso da critica From Dust Till Dawn, filme de Robert Rodriguez com argumento de Quentin Tarantino, e depois seria a sua passagem pela serie Batman, onde viveria em 1997 o Homem-Morcego, sucedendo a Val Kilmer. Ainda nesse ano foi, ao lado de Nicole Kidman, a estrela de The Peacemaker, outro sucesso junto do público que ajudou a consolidar a sua imagem de actor de sucesso. O ano acabaria em grande com a eleição para Homem mais Sexy do ano.


O ano seguinte começaria a consolidar a imagem do "bom ladrão" que George Clooney iria desenvolver nos anos seguinte. Primeiro ao lado de Jennifer Lopez em Out of Sight e em 1999 no notável sucesso de David O. Russell, The Three Kings. Nesse filmes Clooney chegou mesmo a defrontar-se com Russell a propósito de divergências na forma como Russell o filmava, tendo sido na altura apoiado pelo amigo Mark Whalberg, com quem partilhava o protagonismo do filme. No ano anterior Clooney tinha sido um dos muitos actores no sucesso The Thin Red Line.
A entrada no novo século chegava com o enorme sucesso dos irmãos Coen, O Brother Where Art Thou?, em que Clooney tinha a possibilidade de voltar ao seu estado natal. O filme mostrou um Clooney com um sorriso "pepsodent", imagem de marca do actor para os anos seguintes. Depois de trabalhar com os Coen, chegaria a vez de fazer, lado a lado com o amigo Whablerg, The Perfect Storm, filme de Wolfgan Peterson. O ano corria bem e depois de uma passagem pelo filme Spy Kids, chegava a altura de Clooney se juntar à troupe de Steven Soderbergh.


Em Ocean´s Elevan, George Clooney leva ao extremo a figura do bom ladrão, extremamente "cool". No seu primeiro filme com o seu grupo de amigos, que inclui Brad Pitt, Julia Roberts e o realizador Soderbergh, a sua interpretação foi o ponto alto do remake do maior sucesso do rat-pack de Sinatra, Martin e Sammy Davies Jnr. Papel que repetirá este ano no esperado Ocean´s Twelve.
2002 seria um ano de emoções mistas. A aposta no remake do sucesso de Andrei Tarkovski, Solaris, falhou em toda a linha, mas a sua estreia como realizador conheceu alguns aplausos interessantes. Confessions of a Dangerous Mind anunciava, acima de tudo, um Clooney fresco a dirigir a camara e pronto a ceder o protagonismo a outros actores em prole do resultado final. Para o elenco do filme voltou a juntar o grupo de amigos, dando o destaque a Sam Rockwell que conseguiu dessa forma uma das melhores performances do ano. E se em 2003 Clooney voltou a Spy Kids e ao amigo Rodriguez, também houve a oportunidade de o ver de novo na mão dos Coen no interessantissimo Intolerable Cruelty.


George Clooney é hoje, sem margem para dúvidas, um dos actores mais populares de Hollywood. Apesar da sua carreira não ter sido pontuada por magistrosas interpretações e sucessos retumbantes, o seu caracter e a forma de estar diante da camara granjearam-lhe imensos admiradores por esse mundo fora. Resta saber se será o Clooney cool que iremos ver nos próximos anos, ou o homem sóbrio que mostrou que dirigir é algo que também sabe fazer extremamente bem.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

História do Cinema em Portugal - Imprensa cinematográfica e primeira associação de cinéfilos


Ao longo de todo este tempo, tinha-se criado, também, uma imprensa cinematográfica. A primeira publicação exclusivamente dedicada ao cinema aparece em Lisboa em Março de 1917. Intitula-se «Cine Revista» e durará até 1924. O cinema nacional merece-lhe uma atenção constante assim como os progressos que se vão operando nas técnicas cinematográficas. É ali que encontramos as primeiras referências ao cinema de animação. Outra revista que marcou uma posição importante na imprensa cinematográfica portuguesa foi «Porto Cinematográfico», fundada por Alberto Armando Pereira em 1919 e que só viria a extinguir-se em 1925. Também esta revista prestou muita atenção ao filme português, a par de uma vultosa informação sobre a actividade cinematográfica em todo o mundo. Uma parte importante da revista era dedicada a crítica de filmes e a biografias de artistas de cinema. Ainda no Porto, outra revista, fundada por Roberto Lino em 1923, viria a tomar uma posição de relevo na defesa do cinema nacional, acompanhando de perto as actividades da Invicta Film e o espectáculo cinematográfico na cidade do Porto, sem, no entanto, deixar de fornecer larga informação sobre as cinematografias estrangeiras. «Invicta Cine», assim se intitulava a revista, teve uma vida muito prolongada, pois viria a publicar-se semanalmente, com toda a regularidade, até 1936. Outras publicações, entretanto, apareceram e desapareceram por dificuldades económicas. Dentre estas, a mais interessante foi sem dúvida «De Cinematografia», fundada no Porto por Fernando Pamplona e Cunha Reis quando ainda frequentavam o curso dos Liceus. Outra, que se salientou pelo seu patriotismo delirante e já aqui citada, foi a «Cine Lisboa.» Editado pela empresa de «O Século», aparecerá em 1928 o «Cinéfilo», semanário de grande popularidade que iria publicar-se até 1939. Também esta publicação deu toda a sua atenção ao cinema português e apoiou consideravelmente, como o fazia a «Invicta Cine» e como já o haviam feito «Cine Revista» e «Porto Cinematográfico», o espectáculo cinematográfico em Portugal e a promoção do Cinema. Foi, no entanto, menos pronta a apoiar o cinema sonoro do que a «Invicta Cine», do Porto, e a «Imagem», que apareceria em Lisboa, com grande êxito, em princípios de 1930 (dirigida por Chianca de Garcia, tendo como redactor principal José Gomes Ferreira). Foi também em 1930 que apareceu o jornal «Kino», fundado e dirigido por António Lopes Ribeiro. O primeiro número sai no 1.º de Maio e é propriedade da Renascença Gráfica, S. A. R. L. O jornal luta por um cinema nacional, pugna pela construção de um estúdio devidamente equipado para a realização de filmes sonoros, assume atitudes polémicas e, à data da implantação da República em Espanha (1931), António Lopes Ribeiro, tomado por um entusiasmo que depois transferiu para o campo oposto, virando salazarista e legionário, escreveria em artigo de fundo de «Kino»: «Espanhóis! Aproveitem esse fogo sagrado que ora vos vai na alma. Transmitam-no ao écran (...) para que alguma coisa possa levar e contagiar ao mundo o vosso exemplo e o vosso entusiasmo. (...) Vocês nunca tiveram cinema (...) mas há entre vocês quem saiba o que isso é: Luís Buñuel. Vão buscá-lo a Paris como foram buscar Marcelino Domingo e Indalecio Prieto. Nada de Benitos Perojos! » De outras revistas que apareceram mais tarde, falar-seá a seu tempo. Quero apenas registar que foi a partir do entusiasmo de alguns dos responsáveis pela revista «Invicta Cine» que se criou, no Porto, a primeira associação cinematográfica, pioneira do futuro movimento cineclubista. Essa Associação dos Amigos do Cinema foi fundada em 1924 e tinha por objectivos: «defender o cinema nacional, moralizar o cinema por meio da palavra escrita ou falada, fomentar o entusiasmo pela Arte do Silêncio e produzir películas logo que a situação financeira o permitisse». A Associação durou alguns anos, mas a sua acção foi limitada. Realizou um ou outro colóquio, distribuiu prémios aos exibidores que apresentaram melhores filmes e produziu um pequeno documentário (creio que filmado por Maurice Laumann). Os cineclubes ainda vinham longe. E os que, muitos anos mais tarde, iriam criá-los e dinamizá-los, andavam ainda a jogar o pião. 


Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa

História do Cinema em Portugal - Tempo de transição (1924-1931)


O cinema português vai entrar em eclipse. Mas ainda dá tempo para se fundar uma nova empresa, Pátria Film, da responsabilidade de Henrique Alegria, que abandonara a Invicta, e Raul Lopes Freire, exibidor e importador de filmes. A nova empresa produzirá apenas O Fado, dirigido por Maurice Mariaud, e Aventuras de Agapito, uma farsa realizada por Roger Lion. Alguns dos estrangeiros que vieram trabalhar para Portugal ainda se conservarão entre nós por mais algum tempo. Mas a «época do cinema português feito por estrangeiros» (muitas vezes mais bem ambientado e mais português do que muito cinema nacional feito posteriormente por portugueses ― e isto é uma das mais curiosas características da produção que vai de 1918 a 1924) tinha chegado ao fim . Seguir-se-á um período pobretana em que predominam a falta de recursos, o amadorismo, a indigência criadora... e um certo oportunismo. É assim que Rino Lupo arranja uns dinheiros para fazer uma Fátima Milagrosa e um José do Telhado extremamente incipientes, e o escritor e jornalista Reinaldo Ferreira funda a Reporter X Film que produzirá, com a colaboração técnica do operador Maurice Laumann, quatro curtas metragens cómicas e uma longa metragem inspirada no assassinato da actriz Maria Alves: Taxi 9297, aproveitando a repercussão que teve esse crime ocorrido em Lisboa. 

O eclípse dá-se, efectivamente. Até que um belo documentário dramático: Nazaré, Praia de Pescadores, realizado por Leitão de Barros (com fotografia de Artur Costa Macedo) vem trazer uma réstea de sol: luz de esperança no negrume em que tinha caído a cinematografia portuguesa. De Nazaré, Leitão de Barros parte para o seu primeiro (e talvez o mais conseguido) filme de enredo e longa metragem, com argumento de António Lopes Ribeiro, jornalista e crítico de cinema que iniciara a crítica de filmes num jornal diário, o «Diário de Lisboa», e fora seu assistente em Nazaré. Maria do Mar, documentário romanceado da vida dos pescadores daquela praia, aponta para um género em que o cinema português poderia ter encontrado caminho fértil e motivador. Manuel de Azevedo, no seu ensaio Perspectiva do Cinema Português, diria deste filme, belo e prometedor, estas justas palavras: «Maria do Mar, com excelente fotografia de Manuel Luis Vieira e Salazar Diniz, ficou como exemplo isolado de que o cinema português esteve mais próximo de se afirmar quando os nossos realizadores nos deram a realidade nacional através do seu próprio temperamento do que através da adaptação de temas literários nacionais, transpostos para a tela por estranhos, possuidores ou imitadores de estilos estrangeiros.» Noutro passo do seu livro, Manuel de Azevedo acrescentaria: «Maria do Mar ainda hoje é das obras de cinema mais genuinamente portuguesas, um claro exemplo de que o documentarismo teria sido um caminho seguro para os nossos realizadores, quer enveredassem, mais tarde, no seu natural desenvolvimento, pelo naturalismo poético e simbólico dos mexicanos ― especialmente de Emílio Fernandez ― quer buscassem o realismo novo que os italianos nos deram após 1945.» Acrescentemos que Leilão de Barros tinha sido, na altura, muito impressionado pelo cinema soviético que tinha podido ver. Impressão que ficou pela rama e não pelo sentido social, interveniente, político dos filmes de Eisenstein ou Pudovkine. Em Maria do Mar sobressai, sobretudo, a anedota e não tanto a condição social da gente da Nazaré, o drama constante da sua existência desprotegida. No entanto, o filme tem momentos impressionantes e uma saudável frescura, a temperar a trágica progressão dos acontecimentos. Não fora a incapacidade de limar algumas excrescências, Leitão de Barros teria atingido um ponto ainda mais alto. E, pela primeira vez, e em evidência, aparece o rosto autêntico do povo trabalhador da beira-mar, a pele queimada pelo sol, as rugas autênticas dos velhos, as mãos calejadas. Entre os intérpretes (amadores, uns, profissionais do teatro, outros) a pequenina-grande Adelina Abranches confunde-se com a gente da Nazaré num desempenho de prodigiosa autenticidade. Dá-lhe réplica brilhante a Perpétua, mulher do povo que nunca havia sonhado representar e muito menos ao lado da maior artista que jamais teve o Teatro Português. A bem dizer, a Perpétua não representou. Com aquela capacidade espantosa que o povo tem para se transferir para «personagens» que se lhe assemelhem, esta mulher foi um espanto, tal a força, a veracidade, a espontaneidade que emprestou ao seu «papel». Maria do Mar data de 1930. Foi ainda nesse ano que Leitão de Barros fez Lisboa ― crónica anedótica de uma Capital, que é, de certo modo, o espelho da Lisboa dos anos trinta, vista com enlevo e com divertido sentido do humor. Todas as esperanças se puseram, então em Leitão de Barros. 

O cinema, em Portugal, tornara-se uma espécie de actividade amadora ou artesanal. Cada filme é uma aventura. Mas 1930 parece trazer ânimo a muita gente para correr a sua aventura. João de Almeida e Sá roda um belo documentário com pretensões vanguardistas: Alfama, Gente do Mar. Lopes Ribeiro faz um pequeno filme coreográfico: Bailando ao Sol (que foi um fracasso). Aníbal Contreiras realiza Vida de Um Soldado, a que chama «documentário reconstituído» (outra desilusão). António Leitão apresenta uma Castelã das Berlengas que mal chega ao público de tão má que é. Chianca de Garcia faz Ver e Amar em jeito de filme amador. E Maurice Mariaud, em colaboração com Eduardo Malta, filma Nua, com a jovem Saur Benafid, que, à falta de melhor, tinha um corpo bonito. A branda censura da época ainda permitiu que se mostrasse desnudado. Tudo não passa de um rosário de frustrações. O sonoro está prestes a bater-nos à porta, o que tornará essas aventuras ainda mais difíceis e contingentes. E o público desinteressa-se completamente por uma Portuguesa de Nápoles e uns Campinos com Maria Lalande que são, entre nós, o triste estertor do cinema mudo. É por essa altura que se faz uma experiência inédita: um filme de animação: Lenda de Miragaia, em silhuetas animadas, devido a Raul Faria da Fonseca e António da Cunha. Filme, aliás, de que ninguém se lembra.  Entretanto ― sem que se desse muito por isso ― tinha surgido Manuel de Oliveira: um jovem desconhecido nos meios cinematográficos (já com tendência a centralizarem-se em Lisboa) que tinha aparecido lá para as bandas do Porto. Mas já lá iremos. Permitam-me o parêntesis que se segue. 

Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa

História do Cinema em Portugal - Ainda na era do cinema português feito por estrangeiros


Entretanto, fora da Invicta Film, muita coisa se tinha passado. Na verdade, os primeiros anos vinte são animados por uma grande azáfama cinematográfica, talvez impulsionada pelo exemplo que vinha do Porto. O que não quere dizer consolidação de uma cinematografia nacional. As empresas produtoras que se constituiram em Lisboa foram todas de vida efémera. Qualquer delas era mais rica de boas vontades, de entusiasmo, ou de oportunismo do que capacidades técnicas, artísticas e financeiras (embora, na época, um filme fosse ainda relativamente barato e pouco complicado, em comparação com os custos e as complexidades técnicas dos dias de hoje). Além disso, continuavam a faltar infra-estruturas de distribuição e exibição capazes de garantir a expansão e a rendibilidade da produção. Tal como acontecera no Porto, também, em Lisboa, um ou outro português se abalançou, com flagrante falta de jeito e pouca imaginação, na «mise-enscène» cinematográfica. Foi assim que Ernesto de Albuquerque dirigiu e fotografou uma Morgadinha de Val Flor, segundo a obra de Pinheiro Chagas, e ainda: O Rei da Força e O Suicida da Boca do Inferno. Por sua vez, Lino Ferreira adapta ao cinema a peça dos irmãos Quintero O Centenário, com os mesmos intérpretes que teve no teatro: a Stichini, José Ricardo, Jorge Grave e Rafael Marques. Uns tempos antes destes esforços isolados, tinha aparecido, pela primeira vez (1918) Leitão de Barros; mas só mais tarde assumiria posição relevante numa terceira fase do cinema mudo português. Na altura, Leitão de Barros dirige, para a recém-constituída firma Lusitânia (que chegou a construir uns estúdios, mas teve curta existência), dois pequenos filmes pouco significantes: Malmequer, comédia galante «vestida à Luís XV»; e Mal de Espanha, sátira ao erótico enlevo dos burgueses da época pelas carnudas espanholas de café-concerto. E não se passa daí. Filmes para a história só ficaram, realmente, os que foram confiados a realizadores profissionais estrangeiros: Maurice Mariaud, Roger Lion e Rino Lupo, chamados a Lisboa à semelhança do que a Invicta Film tinha feito com Georges Pallu. Em 1922, a escritora Virgínia de Castro e Almeida funda, com capitais próprios, a Fortuna Film. E contrata o realizador francês Roger Lion e os artistas, também franceses, Maxudian, Gil Clary e Jean Murat, para trabalharem na nova empresa. A primeira produção da Fortuna viria a ser Sereia de Pedra, de que foram operadores de câmara os franceses Quintin e Bizot. Parece que o filme tinha uma certa qualidade (há mesmo quem assevere que tinha muita qualidade) mas, como se perdeu, é impossível verificá-lo. A realização foi de Roger Lion. No ano seguinte, o «Diário de Notícias» anuncia que se irá rodar em Portugal A Fonte dos Amores, segundo um argumento de Gabriela Réval, sob a direcção de Roger Lion, com artistas franceses no elenco. Picada por ofendido patriotismo a revista «Cine Lisboa», no seu número 4, insurge-se violentamente contra essa «alcateia de técnicos e artistas estrangeiros que vêm aqui sugar-nos a vida aos preços de escudos desvalorizados que compram com bons francos de 15 tostões cada». A desanca destina-se não só aos estrangeiros (a Gabriela Réval chama a revista «tricoteuse de romances para meninas eróticas» ... ) mas também e muito especialmente ao então director do «Diário de Noticias.» A exaltada «Cine Lisboa» vai até ao insulto e clama que tendo nós técnicos, argumentistas e artistas «todos portugueses de gema, só eles teriam o direito de fazer filmes portugueses». Com tanto desgaste patriótico a revista iria morrer pouco depois... Em vez desse filme, Roger Lion realizará para a Fortuna Film Os Olhos da Alma, que obteve grande êxito e foi vendido para França. Deste filme existe uma cópia na Cinemateca Nacional. Visto hoje, apresenta uma curiosa particularidade. Parte da acção passa-se na Nazaré, ou melhor: passa pela Nazaré, porque a intriga não tem nada a ver directamente com aquela praia de pescadores. Quando muito, ter-se-á pensado em ir lá buscar um bocadinho de folclore. Mas o realizador deve ter ficado de tal forma impressionado com o que lá surpreende que não resiste a incluir na fita as cenas de um naufrágio (sequência, aliás, prodigiosa) de um realismo e de uma autenticidade impressionantes. Estas cenas, totalmente «descoladas» do melodrama de cordel que é Os Olhos da Alma, dir-se-ia um momento de cinema captado por um Gremillon ou um Joris Ivens e metem num chinelo o «mesmo» naufrágio que mais tarde iremos encontrar em Maria do Mar. Tanto Sereia de Pedra como Os Olhos da Alma tiveram como protagonista feminino a actriz cinematográfica Maria Emília Castelo Branco que toda a vida se esforçou por ser a Pina Manichelli do cinema português, mesmo depois do declínio das «divas» italianas... É também em 1922 que Raul de Caldevilla funda, com capitais portuenses, uma nova e ambiciosa empresa: a Caldevilla Film, sobre a qual vale a pena determo-nos um instante. 

Raul de Caldevilla era um homem do Porto. Activo, empreendedor, arrojado e de vistas largas. Um dia teve a ideia de montar uma indústria cinematográfica em Portugal, seguindo as pisadas da Invicta Film, mas à altura de competir nos mercados estrangeiros. Como não era homem que fizesse as coisas no ar, visitou os estúdios de Itália e da França e estabeleceu os seus planos a partir do que por lá viu e aprendeu. De regresso a Portugal constituiu uma empresa produtora, a Caldevilla Films, dando imediato início à construção de um Estúdio segundo o projecto de um arquitecto francês. Se não tivesse ficado pelos alicerces, poderia ter sido, na altura, o melhor estúdio da Europa. Por outro lado, o plano de produção, numa primeira fase, previa a realização de seis filmes de enredo, adaptação de conhecidas obras literárias, e a contratação de notáveis figuras da cena portuguesa (o que influiu na deslocação é da empresa para Lisboa). Porem, para ir para a frente, sem meias medidas e com amplos meios técnicos e artísticos, era necessário reforçar substancialmente o capital da empresa, como o propunha Raul de Caldevilla. Os outros elementos associados não quiseram investir mais dinheiro, preferindo ficar, «à portuguesa», pelo remedeio. Não tinham nem mentalidade nem coragem para jogar uma grande cartada. O estúdio não se construiu. E, das seis fitas pleneadas para a arrancada, realizaram-se apenas duas, com menos recursos técnicos do que os previstos, num estúdio improvisado na grande abegoaria da Quinta das Conchas, que a empresa adquirira, situada exactamente no local onde mais tarde se instalaria a Tobis Portuguesa. O actor-realizador francês Maurice Mariaud, contratado por cinco anos, foi o responsável por ambas: Os Faroleiros (que chegou a ser vendida para diversos países europeus) e As Pupilas do Sr. Reitor, rodada em 1922, com exteriores filmados nos arredores de Vizela. Uma cópia deste filme foi encontrada em muito bom estado, em 1968, e oferecida ao Cineclube do Porto, que, mais tarde, a cedeu à Cinemateca Nacional. Na mesma altura apareceram alguns curtos fragmentos do negativo de Os Faroleiros (filme que parece ter-se perdido, pois dele não se encontrou rasto, além de uma razoável colecção de fotografias), assim como o negativo de um documentário sobre as termas portuguesas (e as respectivas legendas, em inglês, o que prova terem-se preparado cópias para o estrangeiro). Completamente inutilizado encontrou-se, também, um rolo em que fora registada a escalada, pelo exterior e a pulso, da Torre dos Clérigos, pelos Puortulanos, celebres trepadores profissionais. Esta escalada foi uma ideia publicitária, em grande estilo, para o lançamento de uma nova marca de bolacha. Ideia de Raul de Caldevilla, que atraiu o Porto inteiro. Os trepadores, depois de atingirem a cruz da torre, simularam tomar uma chávena de chá com bolachinhas, empoleirados lá no alto, ao mesmo tempo que lançavam sobre a multidão compacta, que viera admirar a façanha, uma chuva de papelinhos fazendo o reclame da nova marca de bolachas. Durante muito tempo se falou nesta escalada da Torre dos Clérigos, no Porto... e, por certo, muitas bolachinhas se comeram em resultado desta sensacional promoção publicitária, que o filme prolongava. Quanto ao filme As Pupilas do Sr. Reitor, devo adiantar que, por várias vezes, o romance de Júlio Dinis foi levado ao cinema. O mais curioso é que a versão de Leitão de Barros (de 1935) e a versão de Perdigão Queiroga (muito «folclórica» e realizada muitos anos mais tarde) não avançaram um passo ― sobretudo a de Queiroga ― em relação ao filme produzido em 1922 pela Caldevilla Films. O que, infelizmente, veio mostrar que, não obstante o Cinema ter progredido com o tempo, os nossos mais activos realizadores andaram para trás durante vários anos. A descoberta de As Pupilas do Sr. Reitor, de Maurice Mariaud, veio revelar que este filme (apenas citado em algumas histórias do cinema português) tinha uma qualidade comparável à das produções correntes que nos vinham de outros países com cinematografias mais adiantadas. De notar a fluência da narrativa (não obstante tratar-se, ainda, de uma ilustração a par e passo da obra literária); o acerto dos inúmeros raccords; a excelente fotografia (mesmo nos interiores). Tendo sempre presente que o filme foi feito em 1922, há também particularidades que não deixam de surpreender e que revelam um saber do ofício incontestável: profundidade de campo, permitindo duas acções independentes no mesmo «plano» (ex.: visita do Reitor a uma casa da aldeia, vendo-se, simultaneamente, o que se passa dentro de casa e, através da porta aberta, a bulha de dois garotos engalfinhados lá fora); utilização de alguns «planos» simbólicos (ex.: o desmoronar de um castelo de cartas quando Margarida verifica que Daniel não a reconhece); efeito de suspense cómico, na história do frade comilão sucintamente contada em imagens (história que fica interrompida pelo sono do Dr. João Semana, quando este a recorda pela primeira vez, e é retomada e concluída, mais tarde, na festa em casa de Daniel); sobriedade de representação de alguns velhos actores de teatro, como Manuel Oliveira, Eduardo Brazão e Duarte Silva. A visão actual desta fita, muito pouco conhecida, vem colocá-la num lugar muito mais importante do que aquele que se lhe atribuía E mais nos faz lamentar que Os Faroleiros se tenha perdido. Tratava-se de uma história da autoria de Maurice Mariaud em que o realizador figurava também como intérprete. A fotografia, tal como a de As Pupilas, era de Victor Morin. A Caldevilla Films tinha também uma secção de documentários. Falámos já nas Termas Portuguesas e em Chá nas Nuvens (a escalada à Torre dos Clérigos). Merece também referência O 9 de Abril, documentário de grande interesse histórico, muito pormenorizado, de que se destacam alguns aspectos curiosos: a chegada do Marechal Joffre; a passagem do Presidente da República, membros do Governo de 1921, deputados e chefes das Forças Armadas; a multidão compacta ao longo do percurso; os aspectos de Leiria e a chegada à Batalha do corpo do Soldado Desconhecido. Dois filmes (pelo menos) documentam a transladação de Lisboa para a Batalha do corpo do Soldado Desconhecido, a que o povo de Lisboa assistiu em peso. No cortejo encorporaram-se também contingentes das forças armadas portuguesas e da marinha de guerra da França, da Inglaterra, da Itália e dos Estados Unidos, assim como estudantes universitários, associações civis, representantes do Clero, grupos de escoteiros, bombeiros, etc. Um desses filmes, realizado pelos respectivos serviços da Caldevilla Films, foi estreado no Central, de Lisboa, em 13 de Abril; o outro passou, ao mesmo tempo, no cinema Condes. O 9 de Abril, da Caldevilla Films (cópia positiva em muito bom estado e uma grande parte do negativo) está, presentemente, na posse do Cineclube do Porto (esperemos que devidamente acautelado). A Caldevilla Films, como a Fortuna Film, como a Invicta Film iria extinguir-se. Foi nesse ano fatal de 1923 que Rino Lupo realizaria, isoladamente, Os Lobos, salvo erro com capitais portuenses, segundo a peça de Francisco Lage e João Correia de Oliveira. O filme obteve grande êxito, vendeu-se para França, Itália, Roménia e Brasil e ganhou, com o tempo, um certo valor mitológico que não corresponde inteiramente ao seu valor real. A fita está carregada de simbolismo e de presságios, sublinhando, à maneira do cinema nórdico, o dramatismo da intriga que se desenrola no meio de uma rude natureza. Os Lobos afigura-se-me uma obra com inegáveis qualidades, certamente invulgares no cinema português da época, mas sobrevalorizadas com o decorrer dos tempos. À câmara trabalhou um português: Artur da Costa Macedo, cuja competência ficou bem patente. 

Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa

História do Cinema em Portugal - A Invicta Film (1917-1924) ― O cinema português feito por estrangeiros


Alfredo Nunes de Matos, outro portuense, tinha criado, em 1910, uma firma, ainda modesta, sob a razão social de Nunes de Matos & C.ª (Invicta Film) para se dedicar à produção de «panorâmicas», filmes de reportagem e fitas de propaganda industrial. Para operadores chamou Manuel Cardoso, técnico competente que estivera ligado à extinta Portugália-Film, e o aragonês Thomas Mary Rosell, que, além de operador, era também responsável pelos trabalhos laboratoriais. De 1910 a 1917 foram muitas as dezenas de filmes produzidos por esta sociedade. De muitos se conhecem os títulos, embora quase nada reste desse documentarismo em que a firma de Nunes de Matos se especializara. Com enorme sentido de oportunidade, um desses documentários-reportagem incidiu sobre o naufrágio do «Veronese», que ocorreu frente à Boa Nova (em Leça) na madrugada de 10 de Fevereiro de 1913. O filme tinha uma metragem excepcional para a época (300 metros) e dele foram vendidas para o estrangeiro 108 cópias. De resto, dados os contactos de Nunes de Matos com a «Pathé» e a «Gaumont», muitos filmes da sua produção foram incluidos nos «jornais de actualidades» dessas casas francesas. Deste modo, correram mundo variadas imagens de aspectos e acontecimentos portugueses. Esta firma, que tivera a sua sede no n.º 135 da Rua de Santo Ildefonso, no Porto, instalou-se mais tarde, com um pequeno estúdio e um laboratório, numa dependência do Salão-Jardim Passos Manuel, famosa casa de espectáculos de cinema e music-hall que existiu durante muitos anos no local onde hoje se ergue o Coliseu, a que Alfredo Nunes de Matos estava ligado como orientador e gerente. Entretanto, Nunes de Matos, homem muito activo e empreendedor, ia estudando e amadurecendo um projecto ambicioso: criar no Porto um verdadeiro centro produtor de filmes, com estúdios espaçosos e bem equipados e laboratórios com bom apetrechamento e pessoal técnico devidamente habilitado. Em fins de 1917 decide ir para a frente, encontrando no banqueiro José Augusto Dias o primeiro apoio financeiro. E assim, no dia 22 de Novembro de 1917, constituía-se uma nova sociedade por quotas, com um capital de 150 mil escudos (verba que corresponderia, hoje, a mais de quatro mil contos) que adoptaria a designação de Invicta Film Limitada.  Todos os haveres da primitiva firma Nunes de Matos & C.ª (Invicta Film) constituídos por máquinas de filmar, aparelhagem técnica, material eléctrico, móveis e utensílios, assim como uma razoável quantidade de filmes, são adquiridos pela nova empresa para a qual transitam. Alfredo Nunes de Matos ocupa o cargo de gerente-técnico dentro do Conselho de Administração da Sociedade 2 que, por sua vez, contrata para director artístico da empresa Henrique Alegria, homem já ligado a negócios cinematográficos, pois a ele se devem a construção e exploração do cinema Olímpia, do Porto (que ainda existe, mas que à data da sua inauguração, em 18 de Maio de 1912, ostentava o nome pomposo de Olympia-Kinema-Teatro). Todo o pessoal técnico da antiga firma de Nunes de Matos passa para a nova sociedade que se encontra, assim, apta a funcionar antes mesmo da construção e equipamento dos projectados Estúdios. Em 1918, Alfredo Nunes de Matos e Henrique Alegria partem para Paris com o encargo de adquirirem o melhor material técnico e contratarem pessoal especializado. Entretanto, tornava-se necessário obter um local para a implantação do novo complexo industrial. Depois de várias pesquisas, foi decidido comprar a Quinta da Prelada, sita ao Carvalhido, no Porto, propriedade da Santa Casa da Misericórdia. A transacção foi feita por 27 161$00 (valor da época). Os terrenos tinham uma área de 50 000 metros quadrados. Em tempos recuados a casa e quinta da Prelada pertenceram à família dos Noronhas, tendo sido reformadas, em 1770, pelo arquitecto italiano Nicolau Nazoni. A viagem a França de Nunes de Matos e Henrique Alegria foi coroada do melhor êxito, pois encontram na «Pathé Frères» todo o apoio e colaboração. Dali trazem os planos de construção do futuro estúdio da Invicta Film e um grupo de técnicos experimentados: o operador Albert Durot, o arquitecto-decorador André Lecointre, o chefe de laboratório Georges Coutable, a montadora Valentine Coutable e o realizador George Pallu, que fizera a sua carreira de profissional de cinema no «Film d’Art» e na «Pathé». Mais tarde, os Coutable seriam substituídos por J. Trobat e Mme. Meunier, que, diga-se de passagem, eram técnicos excelentes, e o operador Durot daria o lugar a Maurice Laumann, um «cameraman» muito competente e que ficou no Porto até depois da extinção da Invicta Film. Com tudo pronto para a grande arrancada começa a construção dos Estúdios e Laboratórios da Prelada, cuja conclusão só se verificaria em 1920. Isto não impediu, no entanto, que a Invicta Film iniciasse, de imediato, a produção de filmes de enredo e longa-metragem. Por contrato com a Casa Pathé, esta então famosa produtora francesa obrigava-se a fornecer o filme virgem necessário, tirar cópias, fornecer material e mesmo fazer a montagem dos negativos. Em meados de Maio de 1918, já quase todos os elementos contratados em França se encontravam no Porto. E, no mês seguinte, iniciava-se a filmagem, sob a direcção de Georges Pallu, de Frei Bonifácio, adaptação de um conto ainda inédito de Júlio Dantas. Em 4 de Outubro de 1918, o filme (com duas partes ― 800 metros) faz a sua estreia no cinema Olímpia, de Lisboa. Foi seu protagonista o actor Duarte Silva que, por muito tempo, se conservou ao serviço da Invicta Film. O conto tinha bastante humor; Duarte Silva, que se estreava no cinema, fez um excelente papel; a qualidade técnica da fita era, para a época, muito razoável; tudo isto junto granjeou para este Frei Bonifácio cinematográfico um merecido sucesso. Feito em cinco dias, foi uma espécie de prova de capacidade de todos quantos nele intervieram. Começava a era do «cinema português feito por estrangeiros».  Georges Pallu era um homem inteligente e culto, bacharelado em Direito pela Faculdade de Paris. Atraído pelo cinema, ingressou nos quadros do «Film d’Art» onde ganhou grande experiência. Profissional competente, não era, infelizmente, um inovador. Faltava-lhe a chispazinha de gênio de um Louis Delluc, por exemplo. Em contrapartida era «homem probo, fino de trato, impecável nos seus contactos humanos. A partir do momento em que cruzou o portão da Quinta da Prelada, Pallu logrou conquistar uma situação privilegiada mantendo com tacto, aprumo e compreensão pelo trabalho alheio uma posição de grande dignidade e de profunda simpatia que lhe granjearia, durante todo o período da sua larga presença entre nós, um ambiente de respeito e de completa adesão» 3. 

Demonstrada, com Frei Bonifácio, a capacidade dos técnicos contratados em França, a empresa não espera pela construção dos Estúdios e Laboratórios do Carvalhido para prosseguir com a produção de filmes de enredo. É assim que, em princípios de 1919, entra em rodagem uma fita mais ambiciosa, adaptação de um romance muito popular de Manuel Maria Rodrigues: A Rosa do Adro. Pensa-se, na Invicta, que a produção deve apoiar-se na literatura nacional para garantir o êxito comercial dos seus filmes com a popularidade de que gozavam certas obras literárias. Não só obras menores: Eça, Camilo, Júlio Dinis, Abel Botelho, são autores que podem assegurar o interesse do público. «O Primo Basílio», «Amor de Perdição», «Os Fidalgos da Casa Mourisca», «Mulheres da Beira» entram nos projectos de produção da Invicta Film. É certo que, das obras desses romancistas, ficará, na sua transposição para o cinema, pouco mais do que a ilustração, perdendo-se muito do que representam como pintura e análise de uma sociedade e de uma época. Conserva-se intacto o conflito, mas diluem-se as suas profundas motivações. A obra mais conseguida de George Pallu ainda será Os Fidalgos da Casa Mourisca, de problemática mais simples: embates de sentimentos correlacionados com o confronto da decadência, os preconceitos de casta, o tradicionalismo, e a ociosidade duma aristocracia provinciana a afundar-se, com a emancipação do trabalhador rural, num esboço de luta de classes que já vem adoçada e conciliante desde a obra original. De Camilo ou Eça pouco mais será retido do que a urdidura anedótica de duas das suas obras mais famosas. O que, de resto, voltaria a acontecer mais tarde quando Camilo, Eça e Júlio Dinis foram retomados por realizadores portugueses e quando o cinema tinha já outra maturidade. A Rosa do Adro foi filmado quase totalmente em exteriores. As poucas cenas de interior tiveram de rodar num «plateau» improvisado no Salão-Jardim Passos Manuel à falta de instalações apropriadas. Os trabalhos de laboratório foram executados em Paris. Rosa do Adro faria a sua estreia, no Sá da Bandeira, do Porto, em Julho de 1919. Sem soluções de continuidade e no desejo de manter todos os seus sectores em actividade, a Invicta escolhe a peça satírica de Gervásio Lobato, O Comissário de Polícia, para entrar imediatamente em rodagem, enquanto se vão fazendo os trabalhos preparatórios do que viria a ser a super-produção daquela empresa produtora: cuidados trabalhos de adaptação, de escolha de locais, de contratação de artistas, para que as filmagens pudessem iniciar-se (e concluir-se) em 1920. Iria rodar-se Os Fidalgos da Casa Mourisca. «O ano de 1920 ― escreve Félix Ribeiro, em Invicta Film ― Uma organização modelar ― marca, incontestavelmente, uma data do maior significado e importância no panorama do historial da Invicta Film, pois foi, então, que dois acontecimentos do mais alto relevo tiveram lugar. Com efeito, nos começos do ano são dadas por concluídas as vultuosas e dispendiosas obras de construção de todo o complexo operacional da empresa portuense ― do estúdio e demais dependências ao laboratório e respectivo equipamento, bem como dos escritórios, armazéns para guarda e conservação de cenários e depósito de variado material. Por outro lado é, então, também, que tem início e se conclui a produção do filme Os Fidalgos da Casa Mourisca, que ficaria a marcar, indubitavelmente, um dos maiores êxitos do cinema silencioso português até então verificado, claramente demonstrativo da capacidade profissional dos que nele intervieram e, ao mesmo tempo, testemunhando o valor dos meios de toda a ordem, técnicos como artísticos, postos à disposição do realizador.» Ainda cheguei a ver, já ao abandono, prestes a ser demolido, o grande complexo de que se compunha a Invicta Film. Era a ruína de um sonho. Causava dó... Eis como o descreve Félix Ribeiro, tal como se inaugurou festivamente em princípios de 1920: «O estúdio ― teatro de «prise-de-vues» ou de pose, como, ao tempo, era mais conhecido nos países latinos, da França à Itália ― constituía uma ampla galeria construída de ferro e vidro, com os seus trinta metros de comprimento por vinte de largo e dezassete de altura, cuja disposição fora estudada de molde a poder ser aproveitada ao máximo a luz natural. Uma das partes laterais do imóvel, a que se encontrava voltada para o Nascente, deslocava-se lateralmente como se se tratasse de um monumental portão. O tecto era, igualmente, constituído por placas de vidro por forma a que a luz, quando necessário, pudesse penetrar no interior. Só mais tarde a luz artificial viria a ser utilizada por meio de baterias suspensas de lâmpadas de vapor de mercúrio e de arcos voltaicos. (...) Ao longo de todo o comprimento do estúdio estava instalada uma ponte rolante que permitia o transporte de grandes cenários e outros materiais, consentindo, ainda, filmagens a partir desse ponto de vista. Fazendo corpo com ele, mas exteriormente, existiam várias dependências: camarins de artistas, camarins para figuração, gabinetes do «metteur-en-scène» e do director artístico, e igualmente, para o decorador. Junto ao estúdio existia uma outra explicação dividida em dois sectores. Num deles estava instalada a central eléctrica, equipada com eficiente material, em que se destacava um motor Wolvering de 80 HP e outro da marca Bacherini, permitindo o fornecimento de energia de 300 ampéres. O outro sector destinava-se à oficina de carpintaria, sala de pintura e à guarda de cenários e adereços. Um segundo conjunto de edificações situava-se a pequena distância do estúdio: um edifício central de dois pisos ladeado por dois outros, com rés-do-chão e primeiro andar. No do centro situava-se a sala de recepção, a sala de reuniões da Administração, o gabinete do administrador-delegado e do gerente-técnico, o escritório geral e a sala de expedição. O edifício da esquerda era ocupado pelo laboratório, equipado com material Pathé, e sala de montagem. No edifício da direita encontravam-se instaladas as secções de «letreiros» (pois era a Invicta que se ocupava da elaboração das legendas em português, ou «letreiros», como então se lhes chamava, dos filmes estrangeiros que se exibiam em Portugal), a tipografia e, por último, a sala de projecções equipada com um projector de recente modelo da marca Pathé.» Os Fidalgos da Casa Mourisca, com exteriores filmados no Alto Minho, no solar conhecido por Torre de Lanhelas, junto da estrada que vai de Caminha para Valença, e na Tapada da Ajuda, foi a primeira produção saída dos novos estúdios. Com dez partes (cerca de 4500 metros) divididas em duas jornadas, o filme apresenta uma grande unidade e uma excelente ambientação, prova dos cuidados de que se revestiu o empreendimento. Da qualidade dos trabalhos laboratoriais fala por si o excelente negativo que, algumas décadas mais tarde, viria a ser descoberto e salvo pelo Cineclube do Porto e hoje se encontra na posse da Cinemateca Nacional. O êxito de Os Fidalgos foi retumbante e invulgar, tanto em Portugal como no Brasil. Ao rigor da encenação juntava-se a boa qualidade da fotografia, devida ao operador Maurice Laumann, recentemente contratado pela Invicta, e um apreciável desempenho de Pato Moniz, Duarte Silva, António Pinheiro, Etelvina Serra, Mário Santos, Erico Braga, Encarnación Fernandez, Salvador Costa, José Silva, Artur Sá e Adelina Fernandes. O reputado actor e encenador António Pinheiro viria, tempos mais tarde, a passar para trás das câmaras, dirigindo a farsa Tinoco em Bolandas (1922) e Tragédia de Amor (1924). 

Chegados aqui, tudo parecia indicar que iria estabilizar-se uma indústria cinematográfica portuguesa. Até porque, com o exemplo da Invicta Film, outras iniciativas, indo no seu rasto, tomavam vulto em Lisboa, como a seguir se verá. Foi tudo fogo de palha. A Invicta Film duraria apenas mais quatro anos. Desmoronava-se num ápice o que fora um grande e probo esforço. Na altura do lançamento de Os Fidalgos da Casa Mourisca, tudo, porém, parece correr pelo melhor. A produção vai prosseguir imediatamente com o melodrama Amor Fatal e a curta comédia burlesca Barbanegra. Os filmes são fracos. Foi talvez uma maneira de manter uma actividade ininterrupta enquanto tudo se preparava para um empreendimento de maior fôlego: a adaptação ao cinema do romance de Camilo, «Amor de Perdição», em que trabalhou o jornalista Guedes de Oliveira. George Pallu volta a aplicar a sua proficiência profissional, o seu rigor de encenação, o seu empenho, e o filme estreia-se, com êxito e muitas lágrimas do público, em Novembro de 1921, no cinema Olímpia, do Porto. Amor de Perdição restaura a tradição de qualidade dos filmes da Invicta. Entretanto, chegado ao Porto (em Agosto do mesmo ano) à procura de trabalho, o realizador italiano Rino Lupo apresentava-se na Invicta Film. É o próprio George Pallu quem aconselha a Administração a confiar ao recém-chegado a realização de Mulheres da Beira, segundo um conto de Abel Botelho. O italiano dirá de si próprio, em entrevista concedida ao «Diário de Lisboa»: «... como «metteur-en-scène», sou um pintor. Deixo accionar livremente toda a minha fantasia, vejo os aspectos e os panoramas, fixo-os e idealizo depois o quadro a reproduzir. Mulheres da Beira será, pois, se me consentem a audácia, um verdadeiro filme de arte, de emoção e de beleza campesina. Dei toda a alma a um assunto português, adaptando-me, quanto pude, aos vossos hábitos, aos vossos costumes e ao vosso sentimento.» Rino Lupo ― romano de nascimento e nómada do cinema, pois exercera a sua profissão de realizador de filmes, sucessivamente, em Paris, em Copenhague, em Moscovo e em Varsóvia deu, de facto, boa conta de si. Mas a Invicta não concorda com os seus métodos de trabalho: improvisação e pouco respeito por planos prévios de trabalho, e rescinde o contrato. George Pallu fica de novo sozinho com dois projectos de responsabilidade nas mãos: a realização de O Destino, com argumento original de Ernesto de Menezes, jornalista e crítico de teatro, e O Primo Basílio, adaptação da obra célebre de Eça de Queirós. A história de O Destino tinha sido imaginada a pensar em Palmira Bastos, destacada figura do teatro português. Pallu esmerou-se na realização e o filme resultou um dos maiores êxitos do cinema português, mantendo-se em cartaz durante largo tempo. Mas da protagonista, o crítico da revista «Porto Cinematográfico» diria: «Palmira Bastos, a quem coube o principal papel, vence com alguma dificuldade as contrariedades de uma primeira apresentação ante a câmara cinematográfica.» (Uma coisa não tem nada com outra, mas talvez seja curioso apontar ter Palmira Bastos declarado uma vez detestar Charlot...) Quanto a O Primo Basílio, custou alguns amargos de boca à Invicta Film. Contra o filme e contra a empresa produtora levantaram-se tão violentas campanhas em alguns jornais que chegou a pensar-se em desistir da exploração do filme em Portugal. O filme era uma baça ilustração da obra literária, de que só ficou o enredo, rigorosamente respeitado. No entanto tinha qualidades que (tal como aconteceria com uma segunda versão de Amor de Perdição) não foram ultrapassadas quando, anos mais tarde, António Lopes Ribeiro retomaria o mesmo tema, sem garra nem invenção, já o cinema era sonoro... Para essa primeira versão de O Primo Basílio (que tanta puritana celeuma levantou... e eram bem discretas as cenas de amor no «Paraíso») foram contratados nomes de relevo na cena portuguesa: Ângela Pinto, António Pinheiro, Amélia Rey Colaço, etc. Por desgraça, coube a Robles Monteiro o papel de Basílio, que fez do ardiloso sedutor uma espécie de empenado e deselegante Casanova da Rua dos Correeiros... Em compensação a grande Ângela Pinto encarnou à criada Juliana na perfeição. Tínhamos chegado ao ano de 1922. A nenhum português mordera ainda o bicho do cinema o bastante para se igualar aos estrangeiros aqui chamados. António Pinheiro, essencialmente homem de teatro, não foi além de pisar métodos que já estavam a envelhecer; e Augusto de Lacerda, jornalista e autor teatral, não passou do filme Tempestades da Vida, que realizou para a Invicta pouco depois de António Pinheiro ter dirigido a comédia-farsa Tinoco em Bolandas. O filme de Augusto de Lacerda esteve para se chamar Náufragos da Vida. Presságio? No ano seguinte acentuava-se o declínio da Invicta Film, que se saldaria por um completo afundamento. 

Em 1923 a Invicta começou a sentir a necessidade de alargar o mercado para os seus filmes. Alias, o cinema tinha andado mais depressa do que os responsáveis pela Invicta supunham. Não só do ponto de vista técnico e artístico, mas também do ponto de vista comercial e industrial. Os filmes da Invicta ressentiam-se da comparação que o público fazia com o cinema que lhe vinha de fora e da concorrência comercial do filme estrangeiro. Assiste-se, então, a algumas transformações: aumento de capital, reapetrechamento técnico e um olho noutros mercados, que se supôs ser possível interessar contratando uma artista francesa. George Pallu vai a Paris e traz de lá Francine Mussey. A gentilsinha actriz não é o remédio de que a Invicta necessita para revolver a grave crise financeira que começa a enfrentar. Num país com um pequeno número de salas de cinema, sem saída fácil para as suas produções e sem possibilidades de expansão para dentro e para fora do país, onde a concorrência é, a todos os níveis, cada vez mais forte; sem qualquer apoio a nível de Estado, que, por sua vez, enfrentava constantes problemas e inquietantes crises económicas e políticas, a Invicta Film, tão modelarmente erguida poucos anos antes, irá soçobrar. Cláudia e Lucros ilícitos (1924), filmes medíocres e incaracterísticos (que se pretendem «modernos», com a jovem francesinha a dar-lhes um ar de frescura) serão o «canto do cisne» da empresa portuense. De 1925 a 1928 , a Invicta, já em vias de liquidação, ainda conservará alguma actividade laboratorial, mas essa mesma (confecção de legendas para os filmes estrangeiros) lhe será arrebatada pela Distribuidora J. Castello Lopes que, para o efeito, montou laboratório próprio, em Lisboa. Até que um dia (2 de Janeiro de 1931) é mesmo o fim. Todos os haveres da firma vão a leilão e o Estúdio, já posto ao abandono após uma última utilização por Rino Lupo para filmar os interiores de José de Telhado, será demolido. Tudo isto, de certo modo, pode parecer paradoxal. Mas já não o parecerá tanto se atentarmos melhor no que se passou (e que, afinal, não serviu de lição na altura nem ao longo do tempo). A derrocada da Invicta Film enraíza na desatenção aos exemplos da História do Cinema. Os fundadores e dirigentes da Invicta Film, ao montarem essa arrojada empresa, com um grande estúdio, óptimo equipamento e eficientes laboratórios, devem ter minimizado a importância da distribuição ou exploração directa da sua produção. Se, paralelamente ao esforço de organização da produção de filmes, tivessem criado um sistema de escoamento (uma rede de cinemas próprios, por todo o país, e agência de vendas em alguns centros estrangeiros), talvez a Invicta tivesse podido evitar a derrocada a breve termo, derrotada pelo fluxo do filme estrangeiro e falta de mercados. Mais do que uma vez, na sua Histoire Générale du Cinéma, George Sadoul aponta a distribuição como condicionante da produção. Isto é: só a eficiência da primeira pode garantir a continuidade da segunda. Por outro lado, os poderes públicos ― nem por sua própria iniciativa nem a solicitação instante dos interessados ― tão-pouco prestaram qualquer auxílio ou protecção à nascente indústria cinematográfica portuguesa. Enquanto a nova indústria procurava desenvolver-se sozinha, o mercado nacional mantinha-se escancarado à inevitável invasão de cinematografias expansionistas e bem organizadas, logo que se apagou o rescaldo da Primeira Grande Guerra. Tardiamente e com uma curtíssima visão das coisas, a primeira «protecção» que o Estado concede ao cinema português vem no decreto de 6 de Maio de 1927: a obrigação de incluir em todos os espectáculos cinematográficos um documentário português com a metragem mínima de 100 metros. Como é óbvio, este decreto, que ficou conhecido por «a Lei dos cem metros», não deu sequer para criar documentaristas e acabou por ser esquecido antes mesmo de ter sido revogado. No futuro, outras leis proteccionistas virão permitir a realização de um certo número de filmes (muitas vezes em pura perda), mas nunca servirão para assegurar e estabilizar uma cinematografia nacional capaz de cumprir uma função socio-cultural. Por outro lado ainda, seguindo uma tradição (Portugal sempre importou técnicos e artistas) a Invicta importou cineastas. Até aqui nada de mal. Só que a empresa não soube renovar os seus quadros. George Pallu era um homem culto, inteligente, honesto, proficiente, mas... fôra formado na escola do «Film d’Art», quando ainda o cinema era balbuciante como meio de expressão. E se, durante um ano ou dois, os filmes da Invicta puderam pôr-se a par da produção corrente que vinha de fora, em breve ia sobrar-lhes em regionalismo o que lhes faltava em qualidade e invenção formal. Na Invicta, todos pareciam alheios ao desenvolvimento do fenómeno cinematográfico que estava a operar-se por todo o lado... (Manuel de Oliveira ainda andava de bibe). E a situação agravou-se quando se deu o enfraquecimento económico (que, por certo, não se venceria mesmo que se tivesse concretizado o projecto de fusão ou cooperação com a Fortuna Film, fundada pela escritora Virginia de Castro e Almeida por volta de 1922, em Lisboa, e produtora de Sereia de Pedra e Os Olhos da Alma, realizados Pelo francês Roger Lion). Bem vistas as coisas ― e o caso da Invicta deveria ter-se sempre presente ― a decadência e ocaso dos Estúdios da Prelada estavam à vista muito antes do termo da sua existência. Era inevitável. 

Informação retirada de Breve História do Cinema Português (1896-1962) de Alves Costa